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Textos, poemas reflexões e boa conversa.

Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Dar presente é uma arte

Para dar um presente interessante a alguém, principalmente a quem amamos, deve-se carregar essa pessoa em nossa memória e também “pensar com a cabeça dela”, isto é, sair de si para encontrar o outro. Algumas pessoas não conseguem sair de si, inclusive os próprios presentes que dão aos outros é para simplesmente conseguir admiração ou algum benefício (consciente) futuro.


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Está chegando o dia dos pais e com ele as incansáveis propagandas feitas especialmente para você comprar um presente para o seu velho. Confesso que mesmo entendendo a importância de algumas datas comemorativas, gosto mesmo é de surpreender e presentear as pessoas que amo quando “dá na telha”, sem datas reconhecidas e perpetuadas pela história. Sabe esses dias em que ninguém fez propaganda, nenhum produto nos foi oferecido e que o Facebook ou o celular não precisaram te lembrar que está esquecendo alguma data importante? Pois é. Tais datas programadas me assustam porque tenho a sensação de que inevitavelmente preciso comprar um presente nesses dias específicos.

Mas para dar um presente interessante a alguém, principalmente a quem amamos, deve-se carregar essa pessoa em nossa memória e também “pensar com a cabeça dela”, isto é, sair de si para encontrar o outro. Algumas pessoas não conseguem sair de si, inclusive os próprios presentes que dão aos outros é para simplesmente conseguir admiração ou algum benefício (consciente) futuro.

Então, percebemos que presentear de verdade não é coisa simples, pois precisa-se investir tempo no conviver, no observar, na atenção. E, se rolar alguma dúvida quanto ao que dar ao felizardo, se preciso for rapidamente incorpora-se o Sherlock Holmes para descobrir seus gostos mais secretos, qual cor é a preferida, o que geralmente gosta de vestir, se é apaixonada(o) por livros, cinema ou perfumes, se pratica esportes, se cozinha ou gosta de viajar.

Presentear é uma arte. Um presente dado por um “artista” é aquele que você, ao receber, percebe que a pessoa conhece a sua vida e pensou exclusivamente em você para aquele momento te alegrar. São particularidades somente nossas que foram acessadas pelo outro e por isso nos toca e emociona. Ali existe um forte envolvimento emocional bailando no ar, em que geralmente, só os envolvidos sentem e entendem.

Gostamos de saber que estamos “morando” na cabeça das pessoas que amamos mesmo que seja num pequeno sótão dessa casa. Desejamos que elas nos procurem até nos acharem em seus pensamentos cotidianos. Winiccott diz que “esconder-se é um prazer, mas não ser encontrado é uma catástrofe”.

Uma carta, um e-mail, seu chocolate ou comida preferida, uma ligação ou um beijo pode ser o presente preciso para o momento. É tudo questão de sensibilidade de artista e só acerta quem nos conhece bem. Por exemplo, não é só questão de dar um chocolate, mas sim o chocolate certo. Da mesma forma também funciona quando seu presente é conseguir dizer as palavras certas quando alguém que você gosta está passando por um dia ruim. Essa sensibilidade passa por cada pausa, forma de respirar, tom de voz e palavra certa usada com o objetivo de acolher e aconchegar o outro.

Presente bom não é sempre o mais caro. Você pode ganhar algo caríssimo, mas que não tem a “sua cara”, e, abismado, você fica se perguntando de onde é que o presenteador tirou essa ideia de achar que gostaria daquilo. Das duas, uma: ou a pessoa só pensou nela e no que ela acha ser um bom presente, (isto é, não investiu tempo e energia para lhe conhecer minimamente pensando com a “sua cabeça”) ou ela não é um(a) “artista” mesmo e apenas tem um gosto muito ruim.

Sim, podemos errar no presente, mas quem nos conhece perceberá quando tentarmos de verdade proporcionar um sorriso ou alegria somente sua. É diferente do presente dado apenas por “obrigação” por ser uma data comemorativa ou quando você nem olha direito o presente que quer dar e compra só por comprar.

Tente se lembrar dos presentes que mais gostou na vida. Para a maioria dos indivíduos são aqueles carregados de investimento em nós, onde nossa vida era o foco atual. São esses dias em que nos sentimos realmente especiais para alguém e ninguém quer ser especial para o outro apenas no futuro. Nossa alma carece de “agora” e de presente no presente.


Dênis Athanázio

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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