dênis athanázio...

Textos, poemas reflexões e boa conversa.

textos, poemas, reflexões e boa conversa

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Admirável mundo estranho

“Eu prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver”


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Não gostaria de discutir nesse texto sobre regras e leis de trânsito tecnicamente. Não sou um bom entendedor do assunto. O que sei é que vejo motoristas estacionando em vagas reservadas a deficientes, gestantes, idosos, etc. Também vejo carros passando no sinal vermelho o tempo todo e sinto uma coisa estranha dentro de mim quando presencio essas cenas. Me dá a impressão de que eu estou sendo idiota, de que estou perdendo tempo em esperar o sinal verde aparecer, em resumo, sinto que estou errado fazendo o certo. Por que será? Esse texto é para você que está achando o mundo estranho demais, e tem medo de como você pode estar ficando “estranho” também. Teme ser uma pessoa sem ética, sem senso de justiça ou sem muitos outros valores primordiais para a boa convivência dos seres humanos.

Mas nessa semana presenciei um fato bonito que me deu uma leve esperança. Em uma rua estreita e movimentada, onde com muita dificuldade cabem dois carros, vi um caminhoneiro parar todo o trânsito para uma velhinha atravessar a rua. Não consegui avistar alguma faixa de pedestre, mas o que percebi imediatamente foram alguns motoristas buzinarem para o caminhoneiro sair da frente, pois estavam impedindo a passagem dos mesmos. O caminhoneiro aparentemente não ligou para as buzinas, foi como ele dissesse “podem me atacar, vocês não estão vendo o que estou vendo”.

Às vezes temos que incomodar as pessoas para fazermos um bem maior, isto é, um bem para além do seu umbigo, para além do seu “próprio carro”.   Esse bem só pode ser maior se existe um outro que enxergo como pessoa e não como um obstáculo. Não raramente nos sentimos sozinhos nessa jornada, mas aprendi que quem vai à rua e a luta, encontra  por aí outros  "loucos" que passam pelo mesmo dilema e indignação que você.

Os que buzinam atrás do caminhão não são apenas os “mal educados”, mas talvez sejam os que não conseguem enxergar. Mia Couto,  refletindo sobre uma das suas viagens,  disse certa vez:  "encontro gente que não sabe ler livros. Mas que sabe ler o seu mundo". É por isso que quem enxerga e sabe ler melhor o seu mundo (interno/ externo) deveria se sentir mais responsável para fazer e incentivar o “certo”. A questão aqui não é um conselho para você subir em um pedestal e gritar o caminho que você acha correto a ser seguido, é apenas de conseguir mostrar “olhe com seus próprios olhos o que estou conseguindo ver e depois me fala se é bom”. Há os que nasceram cegos fisicamente, mas nosso mundo está cheio mesmo é de cegos de alma.

Todos os dias eu tento destruir dentro de mim  deuses e altares que eu mesmo construí para me abater,  boicotar e  cegar. São  pontos cegos  da minha  alma que mesmo sem perceber conscientemente, os sintomas  denunciam que eles existem.  Muitos desses sintomas que indicam a  doença, estranhamente podem nos "acomodar"  ao ponto da mesma  virar  nosso bichinho de estimação interno.

 Seja no trânsito ou em qualquer lugar,  acho que ainda vale a pena lutar contra o comodismo cego no qual somos todos os dias tentados a permanecer e tentar enxergar o mundo para além das aparências e enganosas facilidades. Como dizia  Marthin Luther King: “Eu prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver”. 


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Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de “arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez, ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog denisathanazio.wordpress.com.
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