dênis athanázio...

Textos, poemas reflexões e boa conversa.

textos, poemas, reflexões e boa conversa

Psicólogo, palestrante, terapeuta de família e casal. Gosto de futebol e de

“arranhar” minha guitarra. Escrevo primeiramente para me ajudar e quem sabe, talvez,

ajudar outras pessoas. Escrevo aqui no Obvious e semanalmente no meu blog

denisathanazio.wordpress.com

Corda bamba

Kierkegaard escreveu que "ousar é perder o equilíbrio momentaneamente, não ousar é perder-se".


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O equilibrista começa a subir a enorme escada para executar seu mais famoso número. A plateia que assiste o espetáculo tem um olhar atento e a alma preocupada. Após subir o último degrau da escada, o equilibrista respira, e com o auxílio de um bastão, começa sua jornada rumo ao outro lado do picadeiro. De repente, sua perna treme e parece que vai cair, a corda balança, e a plateia se assusta. Mas  no balançar da corda ele volta a se equilibrar, levanta a cabeça e termina seu número diante dos olhos hipnotizados da platéia.

Kierkegaard escreveu que "ousar é perder o equilíbrio momentaneamente, não ousar é perder-se". Algumas pessoas pensam que se equilibrar é estar sempre estável, estático, viver sempre de forma previsível. Ledo engano. Não podemos prever praticamente nada nessa vida! Passamos todos os nossos dias, tentando aprender essa difícil lição. Percebemos nossa fraqueza e impotência perante a vida, mas por outro lado, paradoxalmente descobrimos nossa força, isto é, “que quando estou fraco então sou forte” citação do Apostolo Paulo em uma de suas cartas aos Coríntios.

Quando entendo que sou limitado, posso tentar ressignificar dentro de mim minhas fraquezas e quem sabe, conseguir superá-las ou aceitá-las podendo viver de uma forma mais consciente. Quem não enxerga nenhuma fraqueza que tem é alienado, perdido dentro de si mesmo. Até perceber um dia em cima da corda bamba, que não sabe se equilibrar pois nunca pensou que poderia cair.

O equilíbrio só é conquistado quando estamos em movimento, e a vida  sempre  está em movimento, mesmo  quando sentimos que estamos parados. E se equilibrar na corda bamba da vida é saber que ela balança, e que apesar desse balanço todo, temos que continuar vivendo fazendo o que “dá pra fazer” para não cair. Algumas vezes tomamos grandes tombos, mas temos que tentar subir a escada novamente rumo a inconstante corda bamba. Acredito ainda, que devamos  pelo menos tentar respeitar  a subjetividade das pessoas, pois  cada um tem seu  tempo e um jeito único  de se equilibrar, e inclusive, de cair.

Até que se tenha vida, as quedas sempre   existirão e isto é um fato.  Mas com  elaboração, experiência e treino, o equilibrista pode diminuir seus tombos aprendendo com os erros passados, não repetindo os mesmos no presente nem no futuro.

Espero, quando chegar do outro  lado do picadeiro, que eu consiga olhar para trás  com um sorriso discreto e com a certeza de que valeu a pena  a chegada, mas principalmente,  o caminho percorrido.


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