descaminhos

Palavras de inquietude a traduzir sinestesias ideológicas

Ronaldo Junior

Percorrendo inquieto o mundo da arte no anseio de encontrar-se em meio à multidão, Ronaldo Henrique Barbosa Junior é carioca, tem 19 anos, é bacharelando em Direito e escritor acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, da cidade de Campos dos Goytacazes-RJ

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Ronaldo Junior

Num parágrafo, faço o que não cabe no verso. De fato, o que escrevo é consequência da inquietude que paira sobre mim no palpitar do conhecimento.

Meus conteúdos provêm de ideias e artes, sendo eu próprio um autor que escreve e se comove. Não cabendo em meu espírito ceticismos, mas buscas por uma incansável descoberta ideológico-poética, capaz de desvendar meus estranhamentos e recriar imagens banalmente difundidas.

Vale indicar os caminhos pelos quais enveredo para alcançar a conclusão de um trabalho, sendo a obra um fragmento de mim, estando em constante aperfeiçoamento – assim como seu criador -, numa caminhada que ambiciona tocar a linha do horizonte, em dinamismo e continuidade.

Exatamente por isso, a contextualização histórica - ainda que amadora - permeia meus textos como são os vocábulos arraigados em tantas culturas, pois não escrevo embasado em princípios ocos, mas procuro respostas nos fatos que compõem minhas raízes culturais tão diversas. Assim, torno-me, sobretudo, alguém que se arrisca e escreve - mesmo não estando enroupado pelo rigor técnico e teórico das academias, por investir na paixão de manifestar suas memórias.

Não há em minha escrita qualquer peculiaridade que a torne superior à de outro indivíduo com o dom da palavra. Todavia, devo admitir a incumbência de aprofundar descobertas e salientar divergências, pois não me contento com um posicionamento confortável, mas me sinto parte do movimento contra o retorno ao status quo ante, o qual se propaga no ecoar da voz daqueles que possuem a correr nas veias sangue velho dos avós.

Afinal, se não encontro respostas para aquilo que procuro, não sustento opiniões inclinadas para os murmúrios da maioria, mas tenho na dúvida a faísca que move a razão, posto que a revolução deve ser pensada no tempo histórico, com gestos e contribuições que extravasam o tempo biológico.

De tal forma, minhas leituras influenciam a roupagem que dou ao texto assim como as imagens que trago ao caminhar estampam nas palavras minhas experiências ainda imberbes. No verso, trago inspirações de movimentos artísticos brasileiros – principalmente do século XX -, cada qual com sua representação nos poemas que faço movido pela libertação que me enleva a alma. Na prosa, não há uma vertente que eu possa salientar, pois é rotineira a prática da antropofagia literária na apreciação de crônicas, contos, romances, ensaios, artigos e outras leituras que permeiam meu dia a dia, servindo de alimento para meu inconformismo.

Assim, devo salientar que a literatura é, para mim, o encontro com quem de fato sou, pois, na arte de vivificar palavras - que exerço com a leitura e com a escrita -, encontro a liberdade. Liberdade ideológica e espiritual, capaz de levar-me a tempos e a sonhos impensáveis, ostentando minha inefável alma nefelibata. Tal sentimento de plenitude se dá pelo fato de a arte externar aquilo que o homem traz consigo intrinsecamente, posto que é concebida por meio da sensibilidade que remete a pessoa às suas origens e agrava a percepção sensorial da vida que, tão banalizada, passa desapercebida por muitos.

Portanto, evidencio o cotidiano como retrato de minha inspiração, que poderá ser facilmente encontrada na essência latente que cada texto meu traz pulsante.

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