descompasso

Reflexões sobre um mundo dicotômico.

Aline Miglioli

Tenho essa mania esquisita de viver por aí passarinhando

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    Sobre pontos de vista, guerra e nós mesmos: de Verdade, de Sándor Márai

    Na Budapeste dividida e destruída pela II Guerra Mundial um casamento desfeito e um novo romance são a narrativa do livro "De Verdade" de Sándor Márai. Através do relato dos personagens sobre a mesma história nos instigamos sobre a verdade. Não a veracidade dos fatos, porque ela pouco importa, mas a verdade sobre a vida, sobre o amor, sobre a difícil tarefa de estar vivo.

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    Memórias de um Quarto de Despejo

    Em um período em que o termo “apropriação cultural” está tão em voga, como podemos promover o exercício de entender a posição do outro, do diferente, sem nos esbarramos na polêmica da apropriação? As obras de Carolina Maria de Jesus nos permitem viver o dia-a-dia na pele de uma mulher negra, catadora de papel e residente em uma das primeiras favelas de São Paulo. O livro vale a pena se você precisa repensar a cidade, a política, as relações sociais ou a própria vida.

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    3 mulheres, uma arvore¹ e a dor do abuso compartilhado

    Três livros que se passam em lugares diferentes, tempos diferentes e com linguagem diferente, mas que tratam do mesmo assunto: a dor compartilhada de um abuso. O que sentem aqueles que estão envolvidos num ato de violência e que não são efetivamente as vítimas dele? Os três livros procuram explorar as consequências de uma relação abusiva para os outros membros da família através de óticas distintas: a do marido, a do irmão e a do filho.

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    Balzac e uma lição sobre arquitetura e urbanismo

    Para aqueles que se interessam por arquitetura muitas vezes um romance bem lido vale mais a pena do que um texto acadêmico, neste aspecto Balzac e suas descrições impecáveis nos apresenta uma outra Paris e nos insere no debate entre campo e cidade nos mostrando que as coisas não eram tão “preto no branco”, como supunham os românticos da época. Balzac também revoluciona ao relatar em seus livros a condição insalubre em que viviam os trabalhadores, alertando a burguesia através de seus folhetins sobre a condição da classe proletária antes mesmo do próprio higienismo.

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    Mia Couto e a moya moçambicana: um olhar demorado a nossa cultura maquezo

    A recente crise na Europa envolvendo os exilados recoloca em pauta questões como a definição da nação, a problemática da discriminação racial e a sequer existência de raças. Para refletir sobre essas questões, poderíamos buscar muitos textos acadêmicos, porém proponho em este post abordar essas questões a partir da obra de um dos autores africanos mais reconhecidos atualmente: Mia Couto. Vamos explorar a situação atual e nossa posição como brasileiros através de algumas sutilezas trazidas na obra do autor.

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    Sándor Márai e a complexidade de ser

    Geralmente não prestamos muita atenção para os romancistas que fogem do circuito Europeu, dentre os autores que ficam por fora de nossa leitura usual encontra-se Sándor Márai. O estilo de Márai é muito próprio e resultado de alguém que viveu as aflições de ver seu país ser anexado pelos Alemães e pela União Soviética, seus romances proibidos no mundo soviético e assistir de perto os conflitos da Guerra Fria. Apesar da situação caótica, Márai conseguiu abordar esses temas de maneira sútil, sempre articulando com outras histórias e com reflexões sobre o ser humano e sua existência.