(Des)conecte-se

Viva offline aquilo se vive online

Jhenifer Costa

Jornalista, sonhadora e apaixonada por desafios, livros, pessoas e artes. Observar o mundo é seu hobby. Também é editora do blog Puxa Uma Cadeira.

A verdade (não dita) sobre o smartphone e a internet

Inevitavelmente, o smartphone e a internet fazem parte do nosso cotidiano. Está claro que não dá para ficar muito tempo longe deles. Mas toda essa necessidade se transformou em dependência, despertando um problema sério que muita gente desconhece: a Nomofobia. É cada vez mais comum pessoas se identificarem com o transtorno comportamental. Isso tudo porque estamos projetando a nossa vida na tela de um celular.


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Diariamente, 59 milhões de brasileiros acessam o Facebook, de acordo com uma pesquisa feita pela consultoria eMarketer, isto é, mais da metade da população compartilha, curte e comenta postagens pessoais e de seus amigos publicamente com muita frequência. Outras redes sociais muito usadas são o Instagram e o Snapchat, nas quais os usuários compartilham fotos e vídeos para seus denominados “seguidores”. Você sabe bem, pois deve ter ao menos um deles em seu celular. Em suma, todos estes aplicativos têm o mesmo objetivo: expor alguém ou algo.

Para comprovar, basta correr os dedos pela tela de seu smartphone, e uma onda de selfies de pessoas em passeios “incríveis” certamente estarão registradas e prontas para receberem seu “like”. Isso acontece porque a grande maioria dos adolescentes e jovens estão viciados em internet sem ter a menor noção do quanto esse hábito os afeta.

Conseguir desconectar-se totalmente e aproveitar mais o ambiente e as pessoas se tornou um grande desafio. Abraçar, conversar frente a frente e deixar o celular de lado com mais frequência é saudável e prazeroso, mas também não é nada fácil e confortável. Muitas pessoas desenvolvem um comportamento nomofóbico na primeira tentativa de afastamento.

Derivada de uma expressão britânica, o termo Nomofobia surgiu a partir da língua inglesa originalmente como No-Mo ou No-Mobile, que significa “sem celular”. A comunidade psiquiátrica adotou a definição para si, chamando de nomofóbicos as pessoas que não conseguem se desligar de seus celulares em nenhum momento. O transtorno comportamental é caracterizado pela ansiedade, perda de contato com pessoas próximas devido o uso inconsciente e pelo desespero anormal ao perceber que pode ficar sem o aparelho.

Em outras palavras, é impossível cogitar a possibilidade de sair e esquecer o celular em casa. É como uma crise de privação, o indivíduo precisa ter muita determinação e autocontrole para superar a ausência do aparelho. Mas é claro que ninguém quer passar por isso, então, deixamos o celular sempre por perto. Por exemplo, dormimos com ele embaixo do travesseiro, levamos conosco para o banheiro, além de sempre andarmos com o carregador na bolsa ou no carro. Por isso que a Nomofobia é o mais novo transtorno comportamental intrínseco à sociedade tecnológica atual: porque simplesmente não conseguimos ficar longe do celular. Para comprovar, uma pesquisa feita pela revista Time e pela Qualcomm apontou que 35% dos brasileiros consultam o celular a cada dez minutos, ou menos.

Ninguém sabe mais o que é sair com os amigos e deixar o smartphone um pouco de lado por causa do desejo da conectividade. Principalmente, por causa do novo queridinho de todos: o WhatsApp, que chegou para revolucionar a comunicação de todas as pessoas. Com mil e uma coisas acontecendo na vida online, como é que se pode viver offline? Conexão com a internet, então, nunca foi tão essencial.

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Assim, surgiu a geração da superficialidade. As pessoas têm a tendência de projetar para as outras uma realidade que não é verdade. Existe uma pressão não-dita que o faz mostrar para seus amigos que você está bem o tempo todo. Pensamos: “Se todo mundo está postando fotos maravilhosas de viagens internacionais, é claro, eu preciso dar um jeito de fazer com que o meu perfil seja tão interessante quanto o deles". Estamos transformando nossos perfis nas redes sociais em diários públicos. Ganhar likes é bom para o ego, mas não é necessário.

Foi-se o tempo em que a balela do “só estou tirando foto para guardar de recordação” era considerável. Tiramos fotos para publicá-las nas redes sociais. No entanto, quem quer viver momentos muito mais legais do que a timeline diz, aproveitando o que está acontecendo de verdade? Parece que mais ninguém.

O smartphone acentuou um problema de relacionamento interpessoal muito sério. O fato é que, às vezes, as redes sociais provocam uma falsa sensação de aproximação. As pessoas não socializam mais como antes, ao invés disso, ficam o tempo todo conectadas. Isso chega a ser deprimente. Antes do smartphone, aproveitávamos tudo com muito mais intensidade. Com a facilidade da interatividade digital, o contato mais íntimo com os outros diminuiu em todos as esferas relacionais.

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A sorte é que esse problema tem solução. Existem muitos meios de se livrar da nomofobia. Pode ser por medidas pessoais ou terapia conduzida por um especialista, com o auxílio de medicação (nos casos mais graves). Além disso, o indivíduo também pode buscar outras fontes de prazer, como explorar hobbies e atividades físicas.

A grande questão é que o smartphone e a internet não são os vilões da história. Eles foram criados com a finalidade de nos ajudar e serem um apoio para as mais diversas ações do cotidiano. Nós é que deturpamos o uso deles e os transformamos em armas apontadas para a nossa cabeça. É preciso cautela, bom-senso e principalmente autocontrole. É muito difícil que as pessoas deixem de usá-los, pois estas ferramentas são os principais meios de contato para quem se relaciona à distância e para o trabalho. O ideal é o uso equilibrado, afinal, a internet não pode resolver todos os nossos problemas.


Jhenifer Costa

Jornalista, sonhadora e apaixonada por desafios, livros, pessoas e artes. Observar o mundo é seu hobby. Também é editora do blog Puxa Uma Cadeira. .
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