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Viva offline aquilo se vive online

Jhenifer Costa

Jornalista, sonhadora e apaixonada por desafios, livros, pessoas e artes. Observar o mundo é seu hobby. Também é editora do blog Puxa Uma Cadeira.

Geração Snapchat

Milhões de usuários aderiram ao Snapchat em menos de 5 anos. A constante busca pela auto-aceitação e popularidade talvez seja a razão do sucesso da rede social. O que ninguém imaginava é que estes usuários seriam brutalmente afetados pelo principal objetivo do aplicativo: a superficialidade. Assim, então, nasceu a Geração Snapchat.


snapchat.jpg Quem não gostaria de ser uma super modelo, com uma rotina cheia de viagens, roupas lindas e pratos gourmets? Não é à toa que no mundo existem centenas dessas personagens ganhando muito dinheiro com a publicidade da própria vida. É tipo a famosa blogueira Gabriela Pugliese - que nos criamos sem querer. Foi um clamor de milhares de garotas, dizendo: "Eu preciso ser como ela!", e, então, "like". Pugliesi-gabriela-academia.jpg No entanto, mais surpreendente que ver uma musa fitness influenciando pessoas é ver um padre desmistificando estereótipos. padre-fábio-de-melo-snapchat-580x322.jpg Estas personalidades se alimentam de nossos likes e da nossa bajulação. É uma constante falta do que fazer. Pessoas desperdiçam o tempo da empresa na qual trabalham porque estão vidradas na tela do celular. Tanta coisa interessante está acontecendo na vida dos outros, então, por que perder tempo com a minha?

Como se já não bastasse a falta de bom senso nas tradicionais redes sociais Facebook, Instagram, Twitter e WhatsApp, adolescentes e jovens transformaram o Snapchat num diário 24h. Não importa o que se faça, por mais tolo que seja, precisa ser registrado. Precisa ser compartilhado instantaneamente. No entanto, essa importância que se dá não faz sentido quando 24h depois tudo desaparece. Isso significa que todo o tempo dedicado às memórias foi perdido, inclusive, as próprias memórias.

O aplicativo foi criado por dois universitários de Stanford, na Califórnia, em 2011. Mesmo sem ter sido oficializado, o Snapchat veio à tona quando o deputado americano, Anthony Weiner, sem querer enviou fotos suas usando apenas cueca para uma mulher no Twitter. Então, as pessoas passaram a usar o Snapchat para mandar "nudes", pois é mais "seguro".

Para o conteúdo não ser público, a rede é favorável intencionalmente. Você pode mandar vídeos de até 10 segundos ou fotos privadas, de modo que o receptor só pode ver no máximo duas vezes, e se houver um screenshot, o remetente saberá. Muitos casais, inclusive, passaram a se relacionar dessa forma. Talvez, isso tenha criado a falsa ideia de privacidade que as pessoas têm no aplicativo. É um tipo de segurança sem sentido que motiva adolescentes e até crianças a distribuírem incontáveis "nudes" por aí.

Segundo o Snapchat, 2% dos estudantes que usam o aplicativo compartilham conteúdo sexual. Isso é bem preocupante se levarmos em consideração que a rede social é alvo de hackers pelo mundo todo. No início do ano passado, o site responsável pelo aplicativo que permite o salvamento de imagens, snapsaved.com, foi alvo de hackers que vazaram fotos de usuários na internet. Calcula-se que aproximadamente 500 MB de imagens comprometedores se tornaram públicas.

Resultados

É claro que o brasileiro se comporta de maneira diferente de outras nacionalidades no Snapchat. A Geração Z - como são chamados os jovens nascidos depois de 1990 - introduziu ao país uma onda de músicas, estilos, hobbies, desejos e tecnologias bem excêntricos. Nisso, até parecemos com os estrangeiros. Mas temos nossa peculiaridade como, por exemplo, endeusar qualquer tipo de rede social criada por outro país. Prova disso, é que até 2010 o Brasil era líder no uso de redes socais, segundo uma pesquisa feita pela consultoria Nielsen. No caso do Snapchat, o país está caminhando a passos larguíssimos para ocupar o primeiro lugar. Quem sabe o quão próximos estamos da liderança .

Pode-se dizer que isso fortaleceu ainda mais a superficialidade das pessoas, além de banalizar as emoções. A vida está se baseando no Snapchat, e não o contrário. Adolescentes aceitam convites dependendo do quanto isso pode reverberar no Snapchat. Nele, não é tão fácil saber quem é mais popular ou mais descolado. Eles sabem que estão fazendo sucesso porque veem a quantidade de visualizações. Isso é o que os move. Isso os faz desejarem mais. Os tempos mudaram. Ser visto e lembrado por no máximo 24h é o único objetivo desta geração. A verdade é que nesta rede social os usuários não estão preocupados com o futuro, o que importa é só o aqui e agora.


Jhenifer Costa

Jornalista, sonhadora e apaixonada por desafios, livros, pessoas e artes. Observar o mundo é seu hobby. Também é editora do blog Puxa Uma Cadeira. .
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