desnudando

Ler é uma morfina; escrever é outra.

Caroline Fortunato

A escrita validou-me. Constantemente o faz.

Anahí Giovanna Puente Portilla

Briosa personalidade latino-americana.


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Anahí Giovanna Puente Portilla de Velasco é uma cantora, compositora, empresária, atriz, modelo e estilista latino-americana. Nasceu em 14 de maio de 1983 na cidade do México e, aos dois anos de idade, foi levada para assistir a um programa de TV infantil (Chiquilladas), no México, do qual sua irmã, Marichelo, participava. Entretanto, a cantora sempre conta que em dado momento pegou uma escova de cabelo, meteu-se no meio do programa e começou a cantar e dançar. E assim inicia-se sua carreira – permanece no programa por cerca de cinco anos. Sua irmã, por sua vez, abandona a carreira de artista posteriormente.

Desde então, Anahí faz vários trabalhos na televisão, filmes e séries, participa de outros programas infantis, ganha prêmios, protagoniza novelas e grava seus discos.

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Quando adolescente, em busca de sua personalidade, Anahí sofre de anorexia:

“[...] Minha história começa quando tinha 13, quase 14 anos. E começa um labirinto pelo qual eu nunca imaginei que ia me perder. Comecei a fazer uma dieta por aqui, outra coisinha... Começa a se sentir melhor quando alguém te fala: “Está mais magra, não? Como está bonita.” No meu caso funcionou por ser uma pessoa famosa e que as pessoas conhecem. E eu via como algo normal. Porque você tem que estar muito bonita pra sair na televisão. Como artista e por estar sob os olhos de muita gente, pra mim esse foi o grande motivo de tudo. Porque nessa idade se espera pertencer a amigos, com pessoas, com mídias e com tanta coisa. Eu comecei a seguir o método dos 11 dias. Ficava 11 dias sem comer nada. Depois desses 11 dias comia por um dia, e claro, devolvia tudo o que comia. Você se transforma no seu pior inimigo. Eu me lembro que o que eu fazia era buscar mais informações para me dar mais ideias. Por um lado me dava muito medo e não queria estar doente, mas por outro lado não sabia como sair e preferia continuar. É algo que até nos dias de hoje eu não sei explicar. Realmente, meu coração estava doente. Uma coisa que me preocupa muito até hoje é que a internet está cheia de informações [...] E hoje eu volto no tempo e me vejo quando tinha meus 14 aninhos, 15 ou 16. Quantas meninas e meninos estão passando pelo mesmo que eu, buscando e encontrando essas informações? Creio que para mim estava fazendo falta um abraço. Obviamente, como na maioria dos casos, o silêncio sempre me acompanhava [...] E sobretudo o mais forte é que você começa a machucar quem mais te ama. E eu não aceitava absolutamente nada. Por mais que eu ficasse resistente, tive que ir ao médico. E lá me diagnosticaram com Anorexia Nervosa [...] E foram noites muito fortes, dias muito compridos, meses e anos muito difíceis. E que cada vez ficava mais difícil poder seguir vivendo. E eu me via no espelho e me lembro de falar: ‘Em que momento você se transformou nessa bruxa? Está se matando, sozinha.’ Chegou num grau no qual eu pesava 36 kilos; meu rosto era completamente outro [...] E eu acordava cada dia e dizia: ‘Por que não me defendi em tempo? Quando ainda tinha força.’ Rezava e dizia: ‘Deus, me perdoe, por favor, me perdoe!’ Chegamos no hospital e o único que eu me lembro é que meu corpo inteiro ficou dormente, absolutamente todo o corpo. E nesse hospital meu coração parou por 8 segundos nos quais não se sabe o que aconteceu comigo. Mas os primeiros que eu vi na minha frente foram meus pais apertando minhas mãos e dizendo: ‘Estamos aqui.’ E eu nesse momento disse: ‘Estou viva, estou viva depois de passar tanto tempo pensando que ia morrer.’ E a partir daí nasceu uma guerreira. E disse: ‘Minha vida muda hoje’.’’

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Isso de fato ocorre. Anahí torna-se mundialmente conhecida após atuar no remake mexicano da novela argentina Rebelde Way, protagonizando a inesquecível Mia Colucci. E, por mais que muitos considerem Rebelde como carente de verdadeira qualidade artística, o fato de ter sido um fenômeno como poucos nos últimos tempos é inegável. Seu público principal era o juvenil, o que é importante observar, pois a identificação com a trama (através de algumas temáticas e personagens de essência realistas, representação de fatos recorrentes no mundo real, além de diversos elementos criativos e cômicos) fora muito grande. Era a ideia de que a adolescência é algo universal. E, através da novela, nasce a banda RBD (2004-2008), da qual Anahí era praticamente a alma.

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Anahí (que sempre afirma parecer-se muito com a sua já citada personagem) é dona de uma personalidade única no meio artístico. A cantora, além de uma meiguice e sensibilidade extremamente autênticas, sempre pregou a importância de nunca se perder a essência de nossa criança interior (chegou a tatuar o Peter Pan na barriga, em 2007, e apagando posteriormente por motivos pessoais). Ela própria sempre fora corajosa em expressar seu lado infantil – ao lado de uma sabedoria admirável. “I do believe in fairies” ou “Eu acredito em fadas” foi seu lema por muito tempo. Sua crença em magia, sua fé inabalável e seu amor pela beleza da vida apenas realçam sua força.

A artista casou-se, em 2015, com o governador de Chiapas (México) Manuel Velasco Coello – tornando-se primeira dama – e, em janeiro de 2017, teve seu primeiro filho, também Manuel, realizando assim seu grande sonho da maternidade – e dando enfim uma pausa merecida e humana na carreira. Mas ela afirma que cantar é sua luz, e que jamais poderia deixar de fazê-lo.

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Caroline Fortunato

A escrita validou-me. Constantemente o faz. .
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