desnudando

Ler é uma morfina; escrever é outra.

Caroline Fortunato

A escrita validou-me. Constantemente o faz.

Encontro com o passado

Um filme francês pouco conhecido, de difícil compreensão. Uma pérola do suspense psicológico e do cinema contemporâneo. Uma obra cuja maestria nós agradecemos por termos sido espectadores.


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“Encontro com o Passado” (Ne te retourne pas em seu título original) é um filme francês, de 2009, da autora e diretora Marina de Van. É um filme que desafia qualquer previsibilidade, dotado de originalidade e inteligência. Marina, magistralmente, é uma autora de mente completamente “psicodélica”, a exemplo de outro filme seu, “Em minha pele” (ou Dans ma peau), este enquadrado no gênero terror.

Encontro com o Passado é um longa de suspense psicológico, embora não haja gênero definido para ele, ou antes haja vários gêneros para compô-lo. Provocou muita polêmica em seu lançamento, no Festival de Cannes – talvez pela carga psicológica presente ser extremamente forte.

O enredo é centrado em Jeanne, uma escritora que está tentando escrever um livro baseado em seu passado. Ela é uma mulher que não possui uma lembrança sequer de sua vida até os dezoito anos. E então, através de sua obra literária, busca com veemência recuperar esse passado. Porém, é criticada por seu editor, que lhe diz: “Lembranças não são informações. Lembranças são sentimentos e emoções.” Pode-se dizer que essa frase é o coração do filme.

Após esse momento inicial com o editor, Jeanne tem um choque com a realidade, e assim passa a se concentrar, involuntariamente, na busca por suas lembranças, por sua reminiscência, baseando-se nas escassas informações que tinha, tais como fotos e vídeos.

E eis a primeira surpresa: em um vídeo gravado de si e sua família, ao ver a representação de sua pessoa na tela, descobre o rosto de outra mulher, e não o que ela própria enxergava.

O filme é uma verdadeira metamorfose, desabrochamento – através de uma densidade intensa de emoções. E tais transformações (bem como descobertas) não ocorrerão apenas com a protagonista isoladamente, mas também com sua família e com o espaço físico ao seu redor. É um pouco aflitiva a perda total de controle da escritora, que não consegue mais lidar com absolutamente nada – especialmente com si mesma. Ao atingir alguns limites, imaginando que estivesse louca e solicitando urgentemente ajuda médica, o psiquiatra diz algo de grande relevância, algo como: “A realidade é formada por nossa percepção.”

“Quem sou eu” é a temática do filme – este, rico em detalhes. As atrizes que compõem a personagem Jeanne também foi uma escolha exímia: Sophie Marceau e Monica Bellucci. O filme oferta várias interpretações a diferentes tipos de crenças: algumas pendentes mais para o lado psiquiátrico, e outras para um lado mais místico, filosófico.

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Caroline Fortunato

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