desnudando

Ler é uma morfina; escrever é outra.

Caroline Fortunato

Por que eu escrevo? Talvez porque eu tenha o que dizer prolixamente. Ou não tenha absolutamente nada. Sim

O imperceptível medo das mulheres

Um receio intrínseco que talvez ainda não tenha sido flagrado.


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Imaginemos uma situação clássica onde uma mulher conhece determinado homem. E eis que surge, com naturalidade, interesse. Porém, logo a mulher está sendo advertida por suas amigas mais sábias: “Tome cuidado! Caras como ele tendem a ser canalhas.”

Por mais nobre que seja o conselho, ele traz consigo uma carga muito grande de pressuposições:

• A ideia de que a mulher é necessariamente emotiva, ligeiramente iludida e sem controle emocional;

• Que ela está ali para conquistar o homem (interessante observar que o verbo “conquistar” é um termo de guerra, e linguistas não conseguiram encontrar outra palavra que o substitua para o campo de relacionamentos). Na sociedade há a visão do desafio das mulheres conquistarem um homem (e depois “segurá-lo”), enquanto o homem faz o papel do desapegado até ser “fisgado”;

• Que é o homem quem tem controle sob a situação – e que esta pode ser até manipulada.

São ideias muito enraizadas. A começar pelos homens que admitem que, ao sentirem que uma mulher quer algo mais sério, eles então rompem tudo, e isso é um pré-conceito, pré-julgamento dos verdadeiros objetivos da mulher – e até uma superestima de si mesmo.

Não obstante, mulheres de fato são normalmente cautelosas ao se envolverem com alguém, e muitas vezes pelo medo de se ferir. Todavia, essa autoproteção deve ser observada: se envolver com alguém não deve ser algo intimidador. Pois, uma vez possuindo a independência de seus sentimentos, ninguém será capaz de te ferir verdadeiramente. O amor-próprio é sim a maior proteção – e maior riqueza.

Para finalizar, imaginemos um homem começando a se envolver com determinada mulher, e seus amigos mais sábios o advertindo: “Mas tome cuidado! Ela pode ser vacilona com você.” Isso não existe. E, quando existe, são com mulheres consideradas raras pela sociedade: extremamente independentes e confiantes (que intimidam, de um modo errôneo, a muitos) e, devido a essas características, são geralmente comparadas – reduzidas – aos homens. "Porque mulher não pode ser dona de si."


Caroline Fortunato

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