desnudando

Ler é uma morfina; escrever é outra.

Caroline Fortunato

A escrita validou-me. Constantemente o faz

Ah, o Yoga

A atividade espiritual disfarçada de exercício físico.


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Eu sempre tive consciência de que exercícios físicos são fundamentais para nossa saúde. Ainda quando criança, entretanto, eu acreditava que os esportes – ou mesmo a academia – eram os únicos meios de se envolver com a atividade física. Fiquei frustrada por um bom tempo, pois nunca fui agraciada pelo dom do esporte – e academia, particularmente, eu nunca gostei.

Depois de certo tempo, percebi que as opções de exercícios físicos são diversas; muito além dos meios tradicionais aos quais estamos acostumados. E, sim, existe alguma atividade física ideal para você; é preciso apenas identificá-la. Mas que há, há.

Creio que o coração de qualquer atividade física é o rebuliço positivo que provoca em nossa mente. É um meio poderoso de trabalhar a autoestima bem como uma energia nova que te ajuda a colocar a vida nos eixos.

O yoga é um dos esportes com o qual eu mais me identifiquei. Segundo um artigo online de Alexandre dos Santos, a “palavra Yoga deriva da raiz sânscrita ‘YUJ’ que significa atar, unir, juntar… e indica o ato de dirigir e concentrar a atenção em alguma coisa para sua aplicação e uso. Da mesma forma significa união ou comunhão e é, na realidade, a verdadeira união de nossa vontade com a vontade do ABSOLUTO. A sujeição de todos os poderes do corpo, pensamento e alma, ao CRIADOR; significa a disciplina da inteligência, da mente, da emoção e da vontade que o próprio Yoga pressupõe; significa um equilíbrio da alma que nos permite olhar da mesma forma todos os aspectos da vida”.

Afirmar com exatidão as origens do yoga e seus verdadeiros fundadores é uma tarefa bastante complexa. O consenso aceito é que sua origem é indiana, datada de a.C e que a sua criação estaria ligada à tradição védica. Mas há inclusive hipóteses de que o yoga não fora inventado pelos seres humanos, mas, sim, por ordens cósmicas.

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De qualquer modo, os objetivos do yoga são mais importantes que as discussões de sua origem, ao menos nesse artigo, começando pelo fato de que seu objeto de estudo é a vida e o processo é a conquista de nossa própria paz.

A meditação provoca mal-estar em algumas pessoas, pois a correria cotidiana nos afasta de nós mesmos, e então, quando você tira alguns minutos para entrar em contato consigo, às vezes descobre que seu universo interior está bastante abandonado. A meditação te mostra que você aprendeu a priorizar seus deveres e prazeres do mundo social, pois esvaziar a mente é uma das coisas mais difíceis que já fiz. Você não consegue se concentrar unicamente na essência de sua mente: você começa a lembrar de que tem consulta marcada com o dentista. Ou seja, esse momento de ócio, que é em si fundamental, não consegue ser respeitado.

No yoga também descobrimos que somos competitivos, pois se uma pessoa consegue fazer alguma postura e eu não, eu desrespeito meus limites, me desconcentro ao prestar atenção nos demais, me preocupo com os olhares dos outros e me forço tentando fazer igual ou melhor. Descobrimos que nossa mente é completamente ansiosa, pois se o professor demora alguns segundos a mais para orientar sobre a próxima posição, ao invés de continuarmos relaxados, nos desesperamos achando que ele se esquecera. E o pior de tudo, em minha opinião, é a incapacidade de respeitar nossos limites.

Muitas pessoas dizem saírem do yoga mais irritados do que entraram, e um dos principais motivos alegados é por “não conseguir realizar as posturas.” Ora, a finalidade do yoga não é tornar seus alunos flexíveis, como muitos pensam. É fazê-los se autoconhecerem num todo de corpo e mente (que devem, afinal, estar ambos sempre aliados). Seu corpo e mente são poderosíssimos, mas para atingir esse poder deve-se primeiro conhecer seus limites iniciais, respeitá-los e desfrutá-los nessas condições. Só assim é possível descobrir a forma mais natural de ultrapassar esses limites. Ao menos se você deseja ultrapassá-los com sabedoria, sem pressa, e não através da força.


Caroline Fortunato

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