desordenei

Se não sigo o ordinário, hei de ser extraordinário.

Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso.

Procura-se um amor para vida toda

Como dois casamentos antagônicos podem nos fazer entender que a vida a dois pode ser uma vida plena em qualquer lugar e de qualquer maneira desde que você faça o que te faz feliz.


522099_753339341427550_8947701874749279499_n.jpgEveline da página Alo Alo Marciano em seu casamento

O primeiro encontro, o relacionamento, a cerimônia e por fim o mais importante o casamento, entenda por que você não deve olhar para a grama do vizinho para ser feliz na vida a dois. Você chegou naquela idade em que todos os seus amigos estão casando e você não está exatamente perto do altar, depois de encontrar alguém com quem você poderia pensar em compartilhar sua vida, junto vem todas aquelas dúvidas, medos e preocupações. O ser humano tem essa mania incessante de se comparar, ou melhor, sentir uma pressão da sociedade para ser feliz do jeitinho que a sociedade quer.

Onde encontrar o seu grande amor?

Há quem diga que o seu primeiro amor nunca será o último e há quem diga que namoro de praia não sobe a serra, não duvide de nenhum relacionamento porque parece que a forma como vocês se encontraram não é tão padrão, a Eveline da página Alo Alo Marciano conheceu o Jesse na Tailândia enquanto os dois estavam viajando, ela é Brasileira e ele Australiano. Já a Tatiana conheceu o Muller no Ensino Médio num colégio na Zona Oeste de São Paulo quando tinham apenas 15 anos. Eles hoje são casados e se consideram felizes quase 100% do tempo na vida a dois, provando que você pode sim encontrar o seu amor na fila do cinema, numa esquina ou numa mesa de bar...

É preciso trabalhar na mesma área para dar certo?

Suas profissões não definem quem vocês são, apesar de boa parte da população acreditar que sim, portanto, o fato do seu futuro marido não ser um executivo e você uma dona de casa e vice-versa não te impede de ser feliz. Quando falamos da vida financeira, tocamos na ferida do casamento, afinal quem casa, quer casa e muito mais. O Muller é Engenheiro Elétrico e a Tati, Química Industrial, enquanto a Eveline é Oficial da Marinha e o Jesse já trabalhou com tudo para poder sempre estar viajando. Trabalhar na mesma área ou em áreas opostas, ou até mesmo não manter um trabalho tradicional não deve impedir a felicidade de uma união, o importante é planejar tudo juntos.

Finalmente eu te conheci

É difícil acreditar no minuto que você conhece alguém que no futuro vocês vão compartilhar uma vida juntos, no entanto todo encontro pode te levar ao altar, não há dúvidas. A Tati não acreditou que aquela “criança” poderia ser o seu grande amor, “Eu vi o Muller pela primeira vez, no primeiro dia de aula quando começamos o ensino médio. Estava sentada num banco, ao lado de uma menina, quando um menino baixinho, falando fino, foi falar com ela, e meu pensamento foi o seguinte: “Nossa, será que todos os meninos dessa escola vão ser criancinhas que nem ele”?”. Já a Eveline percebeu de cara uma conexão diferente, “Quando nos conhecemos, eu estava em uma das fases mais felizes da minha vida. Soube de cara que tinha acabado de conhecer uma pessoa incrível, e não tive medo de ser feliz o quanto aquilo durasse, fossem 12 horas, fosse a vida toda”.

Agora é certo, vamos compartilhar nossas vidas

Depois de seis meses naquela nova relação você já está certa que quer se casar mesmo que a torcida do Flamengo diga o oposto, enquanto isso existe casais que ficam dez anos juntos enquanto a torcida do Flamengo jura que o noivo está a enrolar, afinal quando é a hora certa e aceitável para ser feliz? A verdade é que você não precisa da aprovação da torcida do Flamengo para saber quando chegou a hora, a Eveline conhecia o Jesse há um ano e a Tati há dez e não foram os meses que disseram que já era a hora. “Eu soube que me casaria com ele apos voltar ao Brasil, a minha antiga cidade, meu antigo emprego. Me parece que eu estava no lugar errado, fazendo a coisa errada. A coisa certa? Não tinha ideia, só sabia que o que quer que fosse, seria com ele do meu lado”, revela Eveline. Para Tati foi diferente “Não acho que existiu um momento exato, que nem nas histórias de amor que lemos, ou vemos em filme. Um momento que pode ter indicado que sim, ele era a pessoa com quem eu queria casar, foi quando terminamos, foi por um período pequeno, mas bem difícil para os dois. E eu me lembro de que eu perdi a confiança dele, e aquilo me devastou, e tudo que eu queria era que ele confiasse em mim novamente”. A Eveline e o Jesse se casaram um ano após o seu encontro, já a Tati e o Muller dez anos depois. 303926_10150361432677702_712425749_n.jpg Tatiana e Muller em sua festa de casamento em 2011 10653524_10152644319041278_4372377787190800892_n.jpgJesse e Eveline no barco em que realizaram seu casamento em Paraty

Os meus sonhos se tornaram realidade

Quando menina, você sonhou que precisava de um vestido bolo de aniversário para dizer “aceito” para o seu príncipe ou talvez os devaneios de vestidos brancos nunca passassem pela sua cabeça. Perguntei as meninas sobre as expectativas e se estas se tornaram realidade. Ao questionar a Eveline sobre a sua visão antes de casar ela responde, “Eu sempre suspirei por um amor de conto de fadas quando era pequena, assim como na adolescência. Passei então pela fase das desilusões, então pelo desapego, e então pela fase do "quero ser solteira pra sempre", e ai conheci o Jesse. Ah, se eu pudesse contar pra mim 20 anos atrás o que viria pela frente...”. Já a Tati nos conta, “Nunca imaginei. Na verdade, eu sinto que tanto meu namoro, quanto meu casamento são pontos fora da curva, e foi/é muito melhor do que eu esperava. Tenho uma sensação de que sou realizada, que o que vier a partir de agora é lucro, porque tenho tudo que quero e preciso.” É preciso saber que o seu amor pode chegar rapidinho sem você estar esperando, ou demorar bastante enquanto você não faz questão que ele chegue, o importante é reconhecer quando ele chegar e não duvidar de que este relacionamento pode um dia ser aquele sonho que você não acreditou ou esperou muito.

Minha cerimônia ideal precisa de...

Falou da cerimônia e milhões de questões junto aos familiares saem dos bueiros, nem todo mundo precisa casar a la Preta Gil para sentir que a sua cerimônia foi especial, a não ser que você seja a própria Preta, a sua cerimônia precisa ser exatamente do jeito e com as pessoas que você quer, podendo ser em Vegas ou algo parecido com o Palácio de Buckingham. A Eveline casou em um barco em Paraty, na mesma baía em que ela estava nadando quando teve a ideia da volta ao mundo (a qual acabou por conhecer Jesse). O vestido foi feito por ela mesma, as amigas fizeram a maquiagem e produziram o cabelo, fizeram o bolo, a mãe fez as lembrancinhas, os amigos tiraram as fotos e a família tocou as musicas. Já a Tati escolheu uma cerimônia mais tradicional na Galeria de Arte Panamericana em São Paulo, com toda a ajuda de profissionais que ela tinha direito. Às vezes é preciso entender que a cerimônia perfeita não é a cerimônia milionária, e sim aquela que todos os detalhes foram importantes para o casal.

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317874_10150361389542702_444745604_n.jpg Casei! E agora José?

Fazer que o casamento dure mais que a cerimônia é um problema para muitos casais, a convivência e a vida vão trazer alguns desafios e é aí que o amor vai falar mais alto. A Tati e o Muller moram em São Paulo e estão casados há quatro anos, enquanto trabalham na área Comercial e Manutenção respectivamente, agora com 30 e 29 anos eles têm dois cachorros e um bebê a caminho, a Tati comentou sobre os desafios, felicidade e preocupações da vida a dois: “Acho que as finanças são sempre um desafio, é algo que sempre estamos monitorando, e que um vacilo, ou uma situação mais difícil, pode destruir um casamento. O que me faz mais feliz são as pequenas coisas que fazemos juntos. Nós sempre vamos deitar juntos, nós sempre jantamos a mesa, e conversamos sobre o nosso dia. O que mais me preocupa, de verdade, é pensar na morte dele, numa morte precoce lógico. E o que me incomoda, mas também me faz crescer muito, é que o Muller é muito inteligente e me dá umas lições de vida que são importantes e são válidas, mas ele sempre fala naquele momento que a única coisa que eu quero ouvir é “você tá certa”, ou “faz isso mesmo”. Durante muitos anos “fui atrás” (mas talvez sem muito empenho) da minha carreira, e não fui feliz, e o que na verdade, sempre me manteve em frente, de cabeça erguida, foram os sonhos que nós dois tínhamos, o casamento, o apartamento, as viagens, os cachorros, e agora o nosso filho. Então eu posso dizer que o que realmente me deixa feliz é esta relação, é esta família.” Enquanto isso a Eveline e o Jesse, casados há um ano trabalharam como cellar hands em uma vinícola no interior da Austrália 12 horas por dia por 3 meses no começo do ano, depois compraram uma van e agora viajam pela costa leste do país morando nela. Eles com 29 e 30 anos querem adotar cachorros e ter filhos no futuro, mas não agora, definitivamente. A Eveline comentou sobre a vida a dois nessa aventura: “A vida a dois é treta! Nós convivemos 24/7 desde quando nos casamos. Isso quer dizer que estamos lado a lado quando nossos humores vão dos melhores momentos da vida até o lado mais obscuro, aqueles que nem você mesmo imagina existir. E é aí que mora o desafio da vida partilhada: estar pronto para lidar com a fraqueza do outro e ao mesmo tempo não jogar suas falhas na conta do outro. A gente acorda bem quando a vida tá bem. Mas inclusive o amor se alimenta do que você cultiva dentro de você. Só o amor não basta: se você se deixar se estressar demais por alguma coisa, se deixar deprimir demais, se permitir o descontrole, o amor também vai se alimentar disso. É como dar ao seu filho mais querido uma dose pequena de veneno por dia: não mata na hora, talvez nem mesmo depois de uma semana, mas no final de um mês já haverá sinais de enfraquecimento, e depois de meses talvez já não haja mais cura.

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E os meus amigos como ficam nessa?

Como abandonar aquela galera legal que você costuma passar as viradas de ano depois do casamento? O que acontece com essas relações, agora que você decidiu construir sua família? Embora cada amizade tenha suas características, as meninas nos contaram como lidaram com os amigos após o casamento. “Pra falar bem a verdade, os amigos de um são os amigos do outro. Já temos muito tempo juntos, e acabou que nossas amizades são as mesmas. Mesmo os amigos do trabalho de um, acaba sendo amigo do outro, quando a amizade é verdadeira, lógico. Mas mesmo assim, não saímos tanto com nossos amigos, não tanto quanto gostaríamos. Mas também não é algo que nos sentimos tristes, pois curtimos muito nossos momentos juntos é lógico, como somos amigos, a conversa nunca tem fim...” conta Tatiana. Para Eveline as amizades devem permanecer, independente do estado civil, “Eu mantive os mesmos amigos que manteria após mudar de país. Jesse revê os amigos que não via há anos, e parece que eles jamais se separaram, enquanto alguns dos amigos que sempre estavam junto foram de alguma forma se afastando. Não é o casamento que define quem estará na sua vida dali pra frente ou não (pelo menos jamais deveria), mas a afinidade entre você e seus antigos amigos. Se alguém se afasta de você por que vocês não podem mais festar como antigamente, esse amigo uma hora ou outra iria mesmo se afastar, casando ou não”.

E se vocês não se encontrassem?

Imaginar que o seu amor poderia não ter chegado ou a qualquer momento poderia partir, pode ser um bom exercício para saber quem você realmente é sozinho. Ao perguntar sobre como seria ser solteira hoje, as meninas abriram o coração. “Não conseguiria ser solteira. Não sei como seria me relacionar com alguém com toda essa tecnologia (sério), e entender como alguns relacionamentos são vazios. É muito difícil me imaginar hoje sem a influência dele, por isso que eu acho que ainda estaria tentando me encontrar. O Muller teve um papel importantíssimo no meu amadurecimento, e em como eu sou hoje como adulta. Eu provavelmente estaria perdida com trabalho, estudos, dívidas, etc.” disse Tati. Para Eveline as coisas são diferentes, “Cuido muito para que o amor não vire necessidade: a gente fica junto assim simplesmente porque quer, e não porque não saberíamos o que fazer se o outro decidir partir. Por mais que isso soe contraditório, essa é a chave para tirarmos o melhor do nosso sentimento: ter ciência do livre arbítrio um do outro, e assim cuidamos muito mais de nós.”

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Eu não sou moça pra casar!

Quem nunca fez um bolo e já escutou “Agora já pode casar” que atire a primeira pedra feminista, longe de ser tão tradicional e anos 50, perguntei as meninas a sua opinião depois de casadas, se esse estado civil é para todos, ou se algumas pessoas nasceram para voar solo. Para a Tati o casamento não é para todos “Não acho que seja ainda mais que muitas pessoas passam a vida inteira pra se conhecerem de verdade, como que você vai conseguir manter um relacionamento com alguém se você não se conhece? O casamento está muito infiltrado na nossa cultura, meio que sendo uma coisa obrigatória. Vejo que já está mudando, mas ainda tem muito a melhorar. Então por esse motivo acredito que isso sempre esteve presente em mim, a questão de casar e ter uma família, ao mesmo tempo, ter encontrado a pessoa certa me fez ter certeza de que eu queria mesmo casar e dividir a minha vida com outra pessoa. E aí elas por fim concordaram, “Essa é uma opinião muito minha: casamento não se escolhe se você quer ou não, casamento acontece automaticamente quando você cruza com uma pessoa com uma quantidade absurda de afinidades. Dentre bulhões de pessoas no mundo, dentre todos esses lugares no planeta, pra vocês se cruzarem no mesmo lugar muita coisa tem que trabalhar ao mesmo tempo. Se isso acontecer, não adianta vir com essa de, "Ah, mas eu não quero casar", já era”, completou Eveline. 11151063_831011783660305_3458658476133768393_n.jpg

A sua grama é da cor certa!

Ao conversar com dois casais antagônicos em estilo de vida e a forma como se conheceram, conseguimos notar que embora eles estejam vivendo coisas completamente diferentes em lugares opostos, planos e expectativas diferentes a união deles é considerada uma união feliz, é preciso refletir que não são estes fatores externos que fazem um casamento dar certo. É preciso confiar e ter certeza apenas dessa vontade e sentimento de estar junto, o restante se encaixa, muda, se transforma. A grama do seu vizinho não é mais verde, se você tem enxergado a vida assim é preciso rever as cores que você escolheu pra sua vida, às vezes falta brilho ou precisa ajustar o contraste, mas a resposta não está do outro lado da rua.


Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso..
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