desordenei

Se não sigo o ordinário, hei de ser extraordinário.

Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso.

Guerra e Paz: um clássico para chamar de seu - Parte I

Eu sei que você já ouviu falar de Liev Tolstói, aquele russo bacana e barbudo que qualquer amigo de humanas já citou em uma conversa de bar em que você se sentiu inferior por alguns instantes. Superficialmente, explico por que você pode e deve ler Guerra e Paz também.


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Vamos começar esclarecendo que eu não sou historiadora ou mestra em literatura mundial, sou apenas uma tradutora e apreciadora da literatura, como qualquer adolescente que você encontra lendo Crepúsculo no metrô. Aliás, convido você historiador ou mestre em literatura mundial a escrever um artigo para nos aprofundar mais e mais na obra. Vale adicionar aqui que o meu primeiro contato com Tolstói foi aos dezenove anos durante a faculdade, nesta oportunidade li a duras lutas, A morte de Ivan Ilith e jurei que nunca mais leria qualquer coisa do querido pacifista russo. Veja bem, eu já não tenho mais dezenove anos e as minhas juras de outrora viraram um projeto de começo de ano, ler o clássico russo, Guerra e Paz.

Interessou-se em ler um pouquinho deste clássico? Vou começar com os fatores que colocam a maioria dos leitores para correr. Na edição de 2011 da Cosac Naify o livro foi dividido em duas partes, totalizando 2536 páginas, esta edição é altamente recomendada, primeiramente porque a Cosac não vai mais poder publicá-la e depois, porque as páginas e a diagramação estão incríveis, pode não parecer, mas ler um livro desta densidade com uma fonte confortável faz toda a diferença, além disso, esta tradução foi feita diretamente do russo, evitando perda dupla de conteúdo semântico, estrutural e vocabular. O outro medo do leitor, e o meu medo por um bom tempo, era ler um clássico russo, medo, pavor, inferioridade e mais um pouco de medo. Como encarar um livro escrito no século XIX, por um russo e com uma enorme quantidade de páginas? Calma! Você já vai saber como.

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Não há como mentir, Guerra e Paz trás um conteúdo histórico como pano de fundo, como tema central e como tração de todas as personagens e acontecimentos narradas no livro, portanto se você não gosta de história, comece a gostar agora! Leia Guerra e Paz, nem que seja para tentar gostar, acredito que se todos os brasileiros gostassem e se interessassem mais por história, não presenciaríamos tanta vergonha alheia na Avenida Paulista em dias de protesto, ou textões de Facebook em período de eleições, uma visita a Brasília para entender como as coisas realmente funcionam no nosso país também ajuda, pronto, falei!

Ok! Temos um leitor de metrô, temos coragem para encarar o número de páginas e temos apreciadores de história...#partiu ler Tolstói, pode adicionar na sua Timeline agora. A minha crítica instigadora será feita em tempo real com a minha leitura, portanto a dividi em partes, este é um convite motivador para ler Guerra e Paz e também para acompanhar os artigos semanais sobre a obra e sobre seu autor. Abaixo listei o que aconteceu de bacana e empolgante sem spoilers até o momento, e algumas curiosidades. Vamos nessa?

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Guerra e Paz – Tomo 1 – Primeira Parte, o que aconteceu?

• Sim, você será introduzido a muitos personagens capítulo a capítulo, e todos eles com nomes russos, aconselho fazer anotações para que não perca as relações das famílias e os acontecimentos seguintes de cada personagem que possa demorar a aparecer novamente.

• Na primeira parte de Guerra e Paz, você irá perceber que a leitura flui, e todo aquele medo da literatura clássica ficou para trás já nas cem primeiras páginas, de verdade, Tolstói é um narrador brilhante e empolgante.

• Aqui você conhecerá integrantes de cinco famílias aristocratas, algumas falidas, outras desesperadas, boa parte delas bem engraçadas de tão ridículas.

• Se você ainda não sabe, esta obra vai narrar fatos entre 1805 e 1822, período em que Napoleão Bonaparte estava dominando tudo por onde passava.

• Já na primeira parte temos a disputa deslavada da herança de um dos Condes e seu testamento ilegal deixando tudo para seu filho bastardo e GORDO, sim é preciso enfatizar este adjetivo, assim são os personagens de Guerra e Paz, entrei no clima.

• Tem romance? Tem sim senhor! Vamos ler algumas juras de amor, algumas promessas pré-guerra e claro, declarações devastadoras sobre a instituição chamada matrimônio, vale a pena não deixar o noivo de dez anos ler esse trecho, faz uma censura aí!

• E política tem? Obvious! E as discussões são diálogos incríveis, daqueles que dá vontade de puxar a cadeira e se telestransportar para o século XIX para discutir mais sobre o assunto. Olha só esta declaração de um dos personagens:

“Se todos fossem para a Guerra só por causa de suas convicções, não haveria guerras.”

A solução para um mundo mais pacífico: defendam suas convicções!

• Tolstói demorou SEIS longos anos para escrever Guerra e Paz, e seu livro já atravessou o tempo e o vento desde 1865 para este ano espetacular em que você vai honrar o seu trabalho e ostentar literatura russa. Brincadeira, não faça isso! Mesmo!

Concluo aqui o primeiro artigo motivacional para futuros leitores de Guerra e Paz, já adiantando que a segunda parte da obra está cheia de batalhas narradas de maneira hilária, eu sei que deveria dizer trágica, mas Tolstói é um fanfarrão. Abaixo mais um trecho da obra e um desejo profundo de que você deixe Tolstói te levar pra cama nas próximas semanas!

“Muitas vezes digo a mim mesma que a felicidade neste mundo é coisa muito desigualmente repartida”

Humildemente, hei de concordar...


Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso..
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