desordenei

Se não sigo o ordinário, hei de ser extraordinário.

Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso.

Para onde a egolatria vai nos levar?

Se pararmos para observar nossos comportamentos, metade das nossas ações seriam modificadas em atitudes mais gentis, empáticas e acertadas. Quando vamos estar prontos para olhar o mundo do lado de fora?


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Vamos começar a desenvolver este raciocínio de levinho, vamos pensar que só por hoje temos 16 anos, estamos no ensino médio e somos extremamente talentosos na área de exatas, nossos cálculos são feitos na cabeça, pulamos as fases de passar o x pro outro lado da equação, porque tudo isso é muito óbvio, simples, fácil e a lista de exercícios para o vestibular foi gabaritada com uma folguinha pras questões mais complexas de química. Se você está neste cenário comigo seria inteligível também imaginar o nosso melhor amigo, ele costuma cortar o uniforme da escola, usa piercing, ganhou o prêmio de melhor redação e quando senta pra fazer estes mesmos exercícios com você, ele chora em desalento, pois tudo aquilo que você fez automaticamente na sua cabeça não faz o menor sentido para ele. Essa história não é nova, mas esta reflexão pode ser. Por que é que nós como brilhantes seres das exatas não nos esforçamos mais para esclarecer o óbvio para o nosso amigo? Por que não conseguimos simplesmente nos colocar em seu lugar por um instante e imaginar que tudo isso não é tão evidente assim? Seria a ausência de empatia um reflexo do nosso ego em sua mais carente necessidade de massagem? Afinal a partir do momento que uma coisa se torna visível para todos, você pode deixar de ser assim tão especial.

book-15584_1920.jpg Avançando um pouco esta reflexão, que se até agora eu não deixei claro é sobre compreensão do próximo e a nossa falha na prática deste exercício, a menos de dois anos eu troquei de cidade e comecei a morar a 50 km de boa parte de meus familiares e amigos próximos, não são muitas pessoas, mas são pessoas que eu tenho profunda afeição e carinho. Não me entendam mal, isto não é uma cobrança ou indireta para os meus queridos amigos, mas vai ajudar a construir nossa linha de pensamento. Eu recebi pouquíssimos amigos em minha casa em raras visitas, honestamente já fiquei mais tempo procurando uma vaga no estacionamento do shopping do que o tempo de viagem para vir até a minha cidade, mas o ponto em questão é que por algum motivo, em todos estes meus relacionamentos paira-se uma “vibe” de cobrança de quando eu vou “aparecer”, quando eu vou estar na cidade, quando eu vou sair com eles, e se qualquer distância vir a acontecer com certeza eu é que escolhi me afastar.

Veja bem, é aqui que a porca torce o rabo. Não poderia começar a entender essa cobrança e esse conforto em dizer que eu, exclusivamente sou responsável por manter estes laços firmes a qualquer custo porque escolhi mudar de cidade, entendo que talvez não seja confortável percorrer longas distâncias, mas às vezes bater um papo com seu melhor amigo em momentos especiais ou atípicos seja apenas necessário apesar de nem sempre fácil. Ainda assim, o motivo para expor este meu drama pessoal é exemplificar com coisas pequenas e sinceramente sem tanta importância, como é significativo nos colocar no lugar do outro. Vocês vão ter que me desculpar quando digo que o que o mundo precisa não é de mais amor, e sim um pouco de empatia. Por que a gente acha tão fácil direcionar culpas? Por que é tão correto estar sempre certo? (me faço essas perguntas todos os dias!)

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Por fim, tudo isto me leva a falar de coisas de muito mais valia, quero falar aqui do estupro no Rio, do casamento entre homossexuais, do preconceito contra os negros, dos rostos invisíveis que vivem nas ruas, nas crianças abandonadas, animais maltratados entre outras atrocidades espalhadas mundo afora. A reflexão é simples, e se fosse você? E se fosse você violentada ainda que em uma balada da alta sociedade paulistana? E se fosse você que apenas gostaria de compartilhar sua vida com alguém do mesmo sexo sem que líderes religiosos propaguem mensagens de ódio na sociedade, facilitando que um beijo no parque seja um show de horrores e dezenas de chutes e porradas sejam considerados “justo”. E se fosse você que convivesse com uma história de injustiça e superioridade que começou nas civilizações antigas, e que se propagou vividamente como correto decidir sobre o curso da vida de outro homem, piadas preconceituosas aos negros não são brincadeiras ou não fazem parte do famoso “como esta sociedade é mimizenta”, elas são o reflexo de décadas e décadas de uma história que tenho certeza que ninguém gostaria de ter escrito. E se fosse você? O que mudaria? Você consegue enxergar a sociedade e suas nuances fora de você mesmo?

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Todos temos nossas “verdades”, nossos preconceitos enraizados pela nossa cultura, pela educação que nos foi dada, e, sobretudo sobre conceitos historicamente difundidos, a verdadeira questão é: quando você está lá escrevendo um textão no face, comentando uma notícia no Uol, discutindo política com seu primo e até escolhendo a peça mais cara da loja, você faz isso porque é certo, ou por que quer estar certo? Você quer estar certo porque importa ou a egolatria já dominou você?


Jaqueline Gomes

Enquanto espero um coelho apressado me obrigar a escolher uma única porta, exploro o mundo e suas maravilhas do jeito que posso..
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