despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade.

Amor, Liberdade e Solitude

Ao nos plantar no solo da existência, passamos a negar e esconder à verdade que habita nossos seres, pois fomos domesticados para nunca conhecermos verdadeiramente nossas essências e a não atingir ao belo que mora em nós, afinal, dessa forma iriamos desmistificar o que é e o que foi feito para ser. O amor foi transformado em ego e amparo à carência, a liberdade passou a ser prisão e a solitude confundida com solidão. Nessa desconexão com o divino particular nos focamos no exterior e ignoramos o que vive no interior, pois tememos ao que somos, fugimos de quem somos e do que podemos ser, já que fomos treinados inconscientemente para viver mentiras.


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A obra de Osho, “Amor, Liberdade e Solitude” retrata as chagas da humanidade quebrando paradigmas que foram postos com o passar do tempo, e de uma forma questionadora começa a expressar a sua visão a partir do princípio: Fazer-nos ser antes de sentir. No momento que conhecemos a sabedoria de um mestre espiritual, lidamos com a nossa complexidade que se perde em meio ao vão diante da desconstrução de conceitos sem base, e que foram moldados de acordo com o que melhor cabe ao indivíduo e aos seus interesses, nos proporcionando assim beber da fonte do autoconhecimento que não estará pronto, para podermos usufruir inteiramente de nossas forças e luz própria, encontrando as verdades únicas que pertencem a nossa morada. Certamente encontraremos obstáculos que podem nos impressionar com a profundidade de uma filosofia libertária, que tem a intenção de nos dar autonomia ao que nos torna reféns, e assim, poderemos ir rumo a nós mesmos para nos afogar na imensidão, no intuito de flutuarmos na própria mente que passará a ficar esclarecida e sábia através do silêncio.

Muitos de nós pensamos que dominamos o amor e a arte de amar, mas nos deparamos num mar de dúvidas ao cair em pleno o despertar. Este sentimento está cada vez mais raro no mundo, já que a vida está cheia de narcisistas, pessoas que procuram no outro o próprio reflexo e que se banham no ego e orgulho, as chagas da humanidade. O amor é uma experiência dos budas e não de pessoas inconscientes que se cegam com a luz, e que também representa a liberdade. Quando o conhecemos nos tornamos seres mais evoluídos e desapegados ao mundo material, descobrimos antes de tudo o prazer em estar com a nossa solitude, provamos do sabor de estarmos com a nossa presença que nos abraça em meio ao calar de nossas inquietudes e assim somos “obrigados” a viver momentos só nossos, nos levando a refletir e a bater de frente com nossos maiores fantasmas. Por nos enfrentarmos, nos libertamos do que mais nos prende, o medo de ficarmos sozinhos, sendo que jamais ficaremos sozinhos, pois temos a nós, temos ao nosso Deus interior.

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Há também quem diga: Amai ao próximo como a ti mesmo. Esta frase dá a impressão de que devemos amar ao outro antes de nós mesmos, mas será que há propriedade e sentido neste ensinamento? Deste modo, como iremos abraçar ao outro se nem conhecemos o nosso próprio abraço? Sem dúvidas não haverá sinceridade, porque o amor nasce do egoísmo, assim como o altruísmo. Se analisarmos atentamente, veremos que quando desejamos o bem do outro, ou quando dizemos que amamos alguém e lutamos pelo bem estar dele, desejamos ao mesmo tempo o nosso próprio bem, afinal, ver o outro mal nos afeta de alguma forma, fazendo com que nos movimentemos para ajudá-lo, contudo podemos concluir que automaticamente estaremos nos proporcionando um bem maior, pois isto nos trará bem estar. Se caso o mundo fosse de egoístas, o amor fluiria mais e não teríamos o número de problemas que temos no hoje. Só uma pessoa centrada em si pode ser egoísta, só uma pessoa centrada em si pode ter amor próprio e amor pelo próximo. Amar a si mesmo não é pecado, e sim é a grande resposta para todas as perguntas, afinal o amor é o centro de tudo, é a força criadora e deve ser compartilhada, não guarde o seu melhor somente para si, distribua ele com o mundo, mas antes lembre-se de distribuir consigo mesmo. É preciso conhecer o amor para conhecermos a verdade, a sabedoria do que há. É preciso ser o amor para sentirmos a Deus, não podemos nos cegar quanto a ele, porque assim viveremos numa escuridão profunda e infinita, já que é o responsável pela compreensão de nós e do mundo. Não conheça nada, simplesmente conheça o amor, porque se você conhecer a tudo poderá não conhecer a nada, mas se provar do amor em seu coração conhecerá tudo e conquistará as mais abstratas respostas que vivem no seu ser.

Dizem as filosofias gregas e hindus que devemos conhecer e sentir a nós mesmo, mas para saber é preciso sentir e para sentir temos que ser, afinal é esse fluxo suave e constante que irá nos movimentar da forma que é, porquê de que adianta nos entretermos com todos os conhecimentos exteriores de uma forma racional e calculista se não sentirmos o que estamos vivendo? Tudo isso iria nos oferecer viver a intelectualidade e o saber de uma forma desapaixonada e lógica demais ao ponto de nos por a fora da superfície, simplesmente sobrevoando a atmosfera. Na não existência do sentir, o que estaremos a absorver não passará de meros conhecimentos momentâneos que foram gravados e não assimilados por nossas mentes. É preciso nos esvaziarmos para conhecer o nada que restará em nós, que nada mais é do que o nosso tudo.

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Nos soluços da noite nos vemos transparentes como o nosso reflexo na água que mostra o que somos, mas infelizmente grande parte de nós insiste em se negar ou a adiar o encontro consigo , fazendo com que a alma se desconecte e a visão se embace mesmo ao raiar do dia. Somos o resultado da vida que levamos e dos pensamentos que cultivamos e abrigamos na consciência. Temos medo de descobrir que vivemos em barcos vazios migrando por terras imaginárias, porque a verdade dói e destrói com as ilusões construídas por nossas mentes. Dessa forma iríamos dissolver tudo que vivemos e que estamos vivendo e nada iria restar, iríamos ficar com o que nos aterroriza, a solidão, que nos impõe à procura da presença de outras pessoas, resumindo, não teríamos meios para tampar nossos buracos e para nos escondermos, os cobertores iriam desaparecer e nos veríamos numa noite escura e fria. O desencontro com a solitude te dá a oportunidade de nunca conhecer o amor, e assim nunca conhecerá a liberdade, já que o amor é a liberdade e ele tem como base a solitude, tudo está unificado. O prazer de estarmos com a nossa própria presença pode nos assombrar tanto porque o nosso reflexo nos assombra, não queremos ouvir o nosso silêncio pois ele teria muito a dizer, e diria exatamente aquilo que não queremos ouvir.

Consequentemente se nos abraçarmos, identificaremos e compreenderemos o amor próprio que nos chama, fluindo, sem perceber, até a liberdade, que é sinônimo do conhecimento atingido por nós ao longo de nossas caminhadas, girando em torno do domínio do amor e da solitude que significam: Libertação. Para se bater asas internamente é fundamental enfrentarmos as barreiras que são impostas pelas dificuldades que se encontram conosco durante o trajeto que muitas vezes é mascarado pelo externo, é necessário viajarmos mundo a dentro para nos sentir, para sermos simplesmente o que somos, seres sem começo e fim, eternos. Mas, para isso precisamos existir, dar vez ao rugido em nosso habitat natural que se centraliza no amor, a maior resposta e certeza que iremos ter a partir do instante em que nossos corpos se plantarem no solo da existência que será regada lentamente por nossas consciências, por fim ela nos trará frutos e flores que nascerão de nossos corações exteriorizando as raízes que simbolizarão o nascer de uma árvore. Libertem-se de suas mentes, amem genuinamente e ouçam o que o silêncio tem a lhes dizer, seja-o.


Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade..
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