despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade.

Comer, Rezar e Amar

E se você notasse estar vivendo uma vida que não gostaria de ter? Ou tivesse a chance de recomeçar e descobrir que pode ser mais? O que faria?


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O filme " Comer, Rezar e Amar " retrata a vida de Liz Gilbert, uma mulher que, mesmo ao atingir o sucesso profissional, amoroso e social se depara com sua vida perdida e vazia, então ela decide embarcar na maior aventura de todas: a busca pelo autoconhecimento. Liz não estava procurando pela saída de seus problemas, e sim por sua satisfação pessoal, plenitude espiritual e equilíbrio interior. Nesse trilhar, descobre o verdadeiro significado do amor, o prazer pela comida e a paz, juntamente com a sabedoria que lhe foi despertada pelo Xamã, Ketut em Bali. Nessa tentativa de realização ela percorreu por três países que te serviram como base para a sua busca: a Itália, que se tornou o berço que lhe proporcionou sentir o verdadeiro sabor do prazer ao degustar um alimento com atenção e sem culpa; a Índia, onde aprendeu a rezar para si mesma e para o seu Deus interior, internalizando a arte da devoção e do silêncio que iria levá-la a tocar sua própria alma para alcançar suas respostas; e por fim ela retornou à Bali, onde teve acesso ao seu equilíbrio e conhecimento de sua essência, lá também conheceu o amor de uma forma profunda, pura e genuína já que havia mergulhado em sua solitude ao longo da jornada. Mas, na verdade o final foi o grande começo, já que havia sido em Bali que Ketut tinha realizado sua profecia, te questionado sabiamente a respeito de sua existência, assim tudo começou.

Ao percorrermos nossas caminhadas somos levados por correntezas misteriosas que nos encaminham a lugares não muito desejados e que vão de contra a quem realmente somos e do que buscamos. O medo de se desprender de tudo que não te completa e de conhecer o novo assombra, pois dessa forma estaríamos perdendo o controle e a direção de nossas vidas, embarcando no que está por vir. O receio de tentar e errar também nos apavora e congela no tempo, nos prendendo numa zona de conforto que nos impossibilita de descobrir a força e a verdade. No final das contas, nossos sonhos são postos na prateleira e criam teias de aranha, porque vivemos em busca da segurança sem saber que segurança demais nos protege de uma forma que nos impede de conhecer o profundo.

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Vivemos à procura do equilíbrio, mas na medida que procuramos nos perdemos, já que a resposta pode estar a solta e esperando ser encontrada pelo ser, mas provavelmente ela só poderá ser tocada por aquele que não a procurar e sim por aquele que a encontrar. Temos medo de amar, temos medo de atravessar as pontes e de usar dos desencontros ao nosso favor, pois nos mantemos na defensiva para não sofrermos perdendo a noção de que a paralisia pode nos causar mais frustrações do que o movimento. Nossas almas são aquecidas nesta caverna de anseios nos privando de entregar nossos corações pelo simples fato de ainda não conhecermos a solitude e paz interior. Permanecemos pela metade e tememos ao inteiro, nos apegamos à vida que temos e às situações que nos foram postas pela consequência e por fim nos vemos sobrecarregados e secos já que ainda não ativamos nosso ser, pois ainda não somos. Daí, me surge uma dúvida: Por que não ir em busca de si mesmo mundo a fora? Por que não acender a vontade de romper com as barreiras e desconstruir ideias prontas que te bloqueiam? Por que não despertar aquele alguém que mora dentro da consciência e levá-lo a navegar em barcos flutuantes que o levarão até a compreensão? Se mergulharmos fundo em nossa solidão sentiremos nosso eu e iremos saborear da nossa grandeza. Sem dúvidas arriscar todas as suas fichas em você é confiar no que seus aprendizados abrigam e a partir deste momento passaríamos a entender que buscamos saber muito, e sentimos pouco. O ideal seria seguir nossos corações, não há melhor bússola, afinal somos deuses prestes a serem despertados e que estão sendo regidos pelo Universo que nos dá todos os mecanismos necessários para que possamos seguir em frente.

Quantas vezes já não deixamos os momentos passarem sem notarmos que estávamos sendo movidos pela correria e, então não sentindo o belo? Muitos de nós nos alimentamos com pressa e sem prestar atenção ao que o nosso paladar está a nos dar, deixamos de viver sabores e aprender com a comida de uma forma tocante, pois não temos tempo ou simplesmente não enxergamos o que há por atrás do que se mostra simples. Há milhares de sabores a serem descobertos mundo a fora e que representam culturas e tradições espalhadas por aí prontas para serem provadas por nós. O apetite revela a curiosidade que vive na alma, então por que não desfrutar das sensações que nos são oferecidas e experimentar do novo sem culpa e ânsia para aproveitarmos os momentos de uma forma única? Em um mundo de correria e de liquidez a ansiedade muitas vezes se mantem no comando e assim perdemos milhões de pensamentos que poderiam ser construtivos em meio ao caos, ou melhor, deixamos de ouvir o que nossas vozes tem a nos dizer, pois não desenvolvemos um pensamento de cada vez. Certamente se meditássemos poderíamos ir ao encontro do silêncio, que tem como função nos ajudar a separarmos quem somos do externo para que possamos conhecer a essência real.

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Poderemos encontrar muitos Gurus, Xamãs e Mestres que irão nos questionar, machucar e desafiar nesta caminhada, cabe somente a nós analisarmos atentamente às pessoas que nos cercam, mas precisamos lembrar de enxergar com o coração, sentir mais e encarar a vida como uma passagem, aprendendo com todos que passarão por nosso trajeto, pois todos serão grandes professores neste grande espetáculo. Não há necessidade de ter medo, ninguém sairá vivo desta etapa, o que importa é nos encontrarmos, porque nascemos perdidos para nos acharmos ao longo de nossas descobertas particulares, então devemos parar de dar desculpas e iniciar a partida agora, o mundo está a espera, ele vive em nós!

Por fim nos vemos como eternos andarilhos sem começo e fim, que nada mais estão e são do que pássaros sobrevoando o vale da existência em busca de respostas satisfatórias para o seu interior. Suavemente vamos despertando e interiorizando a ideia de que a dúvida e a incerteza são grandes respostas, e que o controle nos priva de viver e compreender a complexidade que vive a tona para ser desvendada na calmaria abrigada em nossas mentes inquietas que gritam por paz. Libertem-se de seus ninhos cômodos e seguros, sintam mais o prazer que se encontra escondido em nossos paladares, se desprendam de amores que já se foram e que não deixamos ir pelo medo, para finalmente o passado se fixar no lugar devido e abrir portas para o presente nos dar boas vindas. Vamos passar a viver por inteiro os sentimentos e a presença do que nos soma analisando então, a importância da razão e da aceitação em nosso trilhar. Se desapeguem do que lhes prende, pois o apego lhes impedirá de conhecer a maior verdade de todas: você.

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Camila Carrera

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