despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade.

Hakuna Matata

O filme “O Rei Leão” traz consigo uma bagagem de ensinamentos que foram passados de gerações em gerações, nos ensinando a voltar ao passado para enfrentá-lo e nos mostrando como é fundamental aceitar à quem somos e ao que nos está destinado para podermos seguir em frente.


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O longa de animação da Disney trata da vida de Simba, um filhote de leão corajoso e bastante aventureiro que tinha fome de conhecer a vida, mas de repente se viu perdido devido a morte de seu pai, da qual se sentia culpado. Por conta disso decidiu se refugiar de seu bando indo viver sua própria vida longe da Pedra do Rei, conhecendo assim seus fies amigos, Timão e Pumba que o ajudaram a recomeçar, deixando o passado para trás.

Com o passar do tempo, por mais que o pequeno leão se afastasse de sua história ele não conseguia a esquecer por completa, pois as lembranças e culpa ainda viviam nele. Teve também algumas surpresas, como o reencontro com Nala, que mexeu bastante com seus sentimentos e com sua forma de pensar. Logo depois notou que não podia fugir de seus compromissos e de si mesmo, afinal, os seus semelhantes estavam precisando de sua ajuda, já que Scar, seu tio, aquele que havia matado seu pai Mufasa às escondidas estava acabando com seu reino, e por isso, Simba decidiu voltar e lutar pelo seu trono do qual tinha direito. Contando com a ajuda de seus amigos e do mestre Rafiki, que tanto o aconselhava e lembrava de seu destino, ele encarou sua história e resolveu construir um novo presente. A partir daí começa a viagem pelo passado que tanto tememos.

Muitos de nós costumamos seguir nossas vidas sem olhar para trás, deixando portas em aberto, assim nos proporcionado viver sensações que podem nos privar de seguir em frente por inteiros. O medo de olhar para o que passou pode assustar, já que podemos nos deparar com aquilo que tanto nos machucou,mas será que a fuga é a melhor opção? Provavelmente não, afinal dessa forma estaremos acumulando sentimentos passados que evitarão outros de nascerem dentro de nós, contribuindo para que vivamos na sombra do tempo que se foi.

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Cada indivíduo tem um tempo particular de se enfrentar, porém é necessário ativarmos o nosso senso crítico para diferenciarmos os momentos em que estaremos a inventar desculpas e a sermos compressivos com nós mesmos. Às vezes, deixar para lá pode parecer a melhor opção, mas no futuro veremos que não, pois nada mais teremos que o reflexo de um passado inacabado em nossas vidas, pois o presente do hoje é resultado do passado, e o futuro do amanhã é a resposta do presente, então, como iremos construir um novo futuro e um provável presente se ainda somos o passado? Simplesmente estaríamos a nos arrastar pelo trajeto que mais tememos. Não seria mais prático finalizá-lo para resolvê-lo?

Os problemas surgem de uma forma cada vez mais constante. Em cada respirar, em cada piscar de olhos nos vemos em complicações, porém mais que a metade destas complicações vem de nossas mentes turbulentas e exageradas quando apreensivas, contudo é preciso ativar a racionalidade para nos vermos de fora, e se caso não conseguirmos no momento, é fundamental entendermos que aquilo que é pode não ser, assim como aquilo que foi se mostrou diferente do que era em alguma situação vivida. Se questione!

“Hakuna Matata” diz: Os seus problemas você deve esquecer, isso é viver, é aprender. Esse trecho da música parece nos aconselhar a deixar o passado para trás, mas possui um duplo sentido, pois transmite a suavidade de tirarmos algumas ideias fixas de nossas mentes para podermos nos tranquilizar, sendo que esta é a melhor estratégia que podemos adquirir para resolvermos nossas pendências. Esquecer dos problemas por instantes é uma forma de solucioná-los, mas vejam bem, não é para deixá-los em aberto, é para esquecermos deles momentaneamente para ficarmos lúcidos a respeito de tudo como é.

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Simba tentou fugir do que era, mas não conseguiu, pois isso não é possível, assim como nós não conseguiremos fugir do que somos, afinal essa voz grita em nossa morada, ela faz parte de nossas essências. O Rei Leão quando voltou ao seu passado ainda apreensivo mas encorajado, conseguiu desconstruir a culpa que carregava em seu coração e pôde entender que tudo aquilo que havia vivido foi uma ilusão criada por seu tio, do qual confiava. Simba estava tão assustado no momento que não conseguiu pensar ou se quer investigar o caso, não só pela sua ingenuidade em crer em seu tio, como também pelo seu momento frágil que o dominava, mas depois de anos pôde decifrar o que mais te atormentava, e assim seguiu seu caminho em paz. A pergunta é: Se ele não voltasse ao seu passado e aceitasse aquilo que havia vivido, as respostas que o tanto libertaram seriam desvendadas? Não. E por que achamos que escondidos em tocas fundas e obscuras iremos nos ver protegidos? Proteção de mais machuca e paralisa, podendo nos ferir mais do que se estivéssemos em movimento. É preciso arriscar-se para compreender-se!

Quanto mais tentamos escapar, mais perto daquilo que nos assombra estaremos. Quanto mais enfrentarmos, mais longe daquilo que tememos vamos estar. Somos leões neste ciclo da vida e sem fim, prontos para atacarmos nossas presas e a liderarmos nosso próprio bando, nossas vidas. É preciso ter coragem para ir a fundo do que nos espera, pois só nos expondo iremos descobrir o desconhecido que tanto nos intriga. O passado se foi, e esteve onde esteve para nos ensinar, devemos deixá-lo no seu tempo e não trazê-lo para o presente, para isso devemos nos resolver e acertar as contas com ele, caso ainda more em nós. Somos o reflexo do que vivemos, mas o que vivemos não pode representar só dor, como também ensinamentos gratificantes que nos trouxeram aonde estamos, mas se não estamos aonde devemos estar, é porque não soubemos utilizar da forma devida as experiências que nos foram proporcionadas. O que seria de nós se não errássemos e se não sofrêssemos? Não seríamos nada, pois não estaríamos vivendo e sendo, não estaríamos cumprindo com nossos papéis de aprendizes. O passado que tanto tememos é a base para o que somos no hoje, devemos agradecer, afinal, se nada fosse, nada poderia ser, nada seria e nada seríamos.

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Camila Carrera

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