despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade.

O urso Pooh em: O que aparenta pode não ser

Há quem deixe passar despercebida a história e as metáforas fantásticas do Urso Pooh e de seus amigos, que nos transmitem ensinamentos muitas vezes aplicáveis à vida de muitos de nós. Ensinamentos dos quais nos fazem enxergar o encanto escondido por trás de visões embaçadas e turbulentas que não percebem o quanto a construção do mundo infantil pode ser adulto e sábio.


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Era uma vez, numa floresta repleta de aconchego e doçura, um urso chamado Pooh, que vivia lá junto com seus amigos: Leitão, Tigrão, Abel e Bisonho, que o acompanhavam em suas grandes e atrapalhadas aventuras. Cada um deles abrigava um mistério e um tesouro a ser revelado em seus corações, que eram invisíveis diante de olhares secos e desatentos. Possuíam essências nobres e cheias de amor à dar ao próximo, afinal, lutavam por um mundo melhor. Sempre unidos, estavam aprendendo com algo novo a todo momento, afinal, para o Pooh e sua turma, o conhecimento era tido como infinito, fazendo com que eles tivessem a certeza de que sempre teriam algo à aprender com todos e quaisquer situações vividas.

Muitas vezes, nos acomodamos com aquilo que aparenta ser sem nos preocuparmos em irmos a fundo dos segredos que as cascas podem esconder. Sem saber, que mais à dentro existem seres que abrigam sabedoria e que reluzem luz própria infinita, mas que não se deixam ver e notar por algum motivo que lhes paralisou ou maquiou, permitindo então, só aos sensíveis e de olhares profundos a notarem as tamanhas grandezas escondidas por trás das grandes pessoas. Devemos enxergar além do que se mostra para apreciarmos o que o outro têm a nos oferecer.

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Leitão, por exemplo, era um alguém bastante medroso, que temia a tudo ao seu redor. Sempre procurava desculpas ou via problemas em sair de sua zona de conforto, pelo medo de que algo lhe acontecesse. Percebia perigo e ameaça em qualquer ruído ou movimento que fugisse de sua rotina, pois nada podia sair de seu controle, mas na verdade era um corajoso, pois vencia suas batalhas diariamente, buscando forças à fundo do seu interior para poder continuar à seguir ao lado de seus amigos em grandes aventuras. Com seu jeito de ser, acolhia os corações e os ajudavam a alcançar seus trajetos, uma tarefa de alguém bastante corajoso e de iniciativa. Já o Tigrão se mostrava um tigre meio diferente dos demais, muito brincalhão e frouxo. Nunca levava nada a sério e se escondia das responsabilidades, porém demonstrava confiança e bravura ao ter seu próprio estilo de ser bem diferenciado e à abrigar uma ingenuidade totalmente cristalina em seu eu, que era a prova de sua maior virtude ao não ter se deixado corromper pelos males da sociedade. Mostrava também através de seus atos que a verdadeira força vinha de dentro, afinal sempre estava a ajudar seus amigos e a vencer suas barreiras para defendê-los de perigos. Abel sempre estava a reclamar e querer atingir a perfeição de tudo, sem que os outros percebessem que ele só queria o melhor de si e do outro, sendo que nada mais era do que uma vítima do stress e da falta de amor presente em seu passado. Em algumas circunstâncias não conseguia ser receptivo com seus amigos, pois não estava acostumado a se desarmar e a sair da defensiva. O seu coração era amoroso e se sentia pai de todos.

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O Bisonho tinha uma personalidade calma, calma até demais, ao ponto de se fixar numa inercia onde se via prisioneiro de sua preguiça, falta de ação e de ânimo. Ele não sabia usar a sua calma ao seu favor, sendo que esse era o seu grande diferencial acima dos demais, já que possuía uma característica que estava em escassez no mundo. A sua lentidão lhe proporcionava sentir a si, a todos e o ambiente a sua volta, fazendo então com que ele se localizasse por fora da bolha de toda essa paranoia, podendo então encontrar as respostas e a ver tudo que ninguém podia ver, já que sua mente era limpa, tranquila e racional. Se mostrava como a grande solução para os problemas, pois encontrava facilmente as saídas e as resoluções para o que se mostrava como complicado.

Ao mergulharmos nas almas destes incríveis personagens, podemos notar o quanto eles são corajosos, fortes, carinhosos e sensíveis, assim como Pooh, que era um líder nato, que obtinha a nobreza e humildade, que tanto carece em grande parte dos corações dos líderes que estão por aí, perdidos e incompreendidos por si mesmos, afinal, a liderança muitas vezes é confundida com levantamento de ego, arrogância, autoridade exacerbada e individualismo. Sendo que ela representa aquele que souber acolher à todos ao seu redor e unificar tudo que lhe for oferecido em um só, para poder dar a chance de todos se mostrarem. Pooh, que se apresentava de uma forma abobalhada, inovava o velho e confundia os egos inflamados, que buscavam atenção e autoafirmação ao acharem que eram melhores por aparentarem ter uma competência superior à do outro, quando, na verdade o que irá diferenciar um grande líder será a forma em que ele irá administrar a todos e as ideias ao seu redor, aprendendo a conciliar as semelhanças e diferenças que estarão a sua frente, sabendo aprender com todos e a enxergar o verdadeiro valor das almas, mesmo quando elas tiverem escondidas em cavernas escuras a busca de luz.

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O líder será uma espécie de estrela guia que irá levar luz a todos que precisarem. Ele não se enxergará como um alguém melhor ou pior, simplesmente igual, e que está ali porque tem a dar e receber conhecimentos, tendo a consciência de que aquele cargo é seu somente pela sua capacidade de saber guiar.

Temos o costume de julgar todos pelas aparências, concluímos rapidamente o que o outro é, e acreditamos que sabemos tudo sobre todos, pois nos achamos observadores e esperto demais o bastante, quando na verdade os verdadeiros observadores são aqueles que não se veem como um, pois sabem que tem muito a aprender e analisar, pelo fato da vida abrigar mistérios e seres mutáveis, assim como o mundo em si. Aquele que conhece um tanto das pegadinhas da vida saberá identificar como são e quem aqueles que são maiores do que se mostram e que acham ser. Grandes pessoas estão escondidas em casulos, com medo de saírem para viver, por terem desenvolvido algum tipo de bloqueio, ou por simplesmente ainda não se compreenderem e enxergarem os seus valores por se basearem nos exemplos que são sustentados pelo senso comum.

Assim como os tesouros, o belo das pessoas está escondido no final de seus arco-íris. Aquele que ainda não descobriu do que é capaz, talvez tenha que passar por um trajeto onde irá percorrer suas dificuldades, limitações e dores particulares que irão lhes preparar para receber suas grandezas que são desconhecidas até por si mesmos. Pooh e sua turma, não viam o quanto eram especiais, pois ainda não estavam aptos para compreender o real valor de suas virtudes, assim, como a maioria da humanidade que possui seu brilho constante ofuscado pelas comparações, fracassos e exigências feitas para manter uma norma de conduta girando em torno de padrões medíocres. Ninguém precisa se igualar a melhor forma que cabe, pois se já estiver seguindo a melhor forma que te cabe, consequentemente já estará atingindo a sua real forma e se aproximando de conhecer aquilo que é, e não que aparenta ser.

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Camila Carrera

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