despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Jornalista, fotógrafa, amante de cinema, apaixonada por literatura e de tudo que indaga a dita existência.

O erro é o grande acerto

Sem dúvidas, ainda vivemos sob as águas passadas que tocaram nossos corpos, ainda somos a textura que perdeu o toque. Temos em nós o medo de errar e a sombra do que erramos. Nos massacramos.


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Somos eternos aprendizes e andarilhos caminhando pelo solo da existência em busca de nós mesmos, ou quem sabe, da aprovação alheia. Por muitas vezes tentamos atingir a perfeição, esquecendo que na verdade a imperfeição é perfeita. Nada poderia ser realmente belo se não houvesse um traço por trás do que se diz ser, pois é esse toque peculiar que dá o ar de sabor a essência. Essência da qual pertence a individualidade de cada um de nós e que é dona das nossas verdades. Mas a pergunta é: será que existe alguma verdade impecável, sem nenhum arranhão, cicatriz ou parênteses em aberto?

Muitos de nós desejam poder voltar ao passado para reconstruí-lo, mas, infelizmente ou felizmente, não temos esse poder, porém temos a chance de construir um novo presente de acordo com as experiências adquiridas ao longo de nosso caminhar, que nos desenvolveu, treinou, fortaleceu e engrandeceu de sabedoria nossas almas, tornando-nos mais maduros e cientes do mundo de dentro e de fora.

A dor por termos falhado um dia corrói nossos peitos, nos traz angústia e sensação de impotência diante do que esta por vir, mas perante a tudo isso devemos agradecer ao que foi, pois, se não fosse, nada poderia ser, ou melhor, não seríamos e não estaríamos erguendo a base para o que desejamos nos tornar: aquele alguém que sempre fomos, e que sempre viveu em nós , que está na espera de um dia ser descoberto. A dor na verdade é uma pá, que nos dá a oportunidade de nos cavar profundamente para um dia acharmos nossos tesouros, mas não será tão fácil encontrar o pote de ouro no final do arco-íris, será preciso dela para podermos nos cavar. Então, não há finalidade em nos aprisionarmos com culpa se tudo que vivemos nada mais foi do que uma etapa de nossos trajetos, que tem como intenção nos fazer crescer como indivíduos, testando então nossos limites, sonhos e até forças.

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Os grandes e sábios Mestres falharam muito, eles não nasceram sabendo. Precisaram percorrer um longo caminho de espinhos para chegarem até o seu melhor, que por sinal nunca será atingido ao todo, pois como falei acima, somos eternos aprendizes. A partir do momento em que falhamos adquirimos a consciência de que estamos nos evoluindo, passamos a nos rever. Dessa forma, iniciamos o nosso processo de construção, mas claro, é preciso ter vontade de se criar e descobrir, pois de nada irá adiantar se ficarmos a espera de um milagre, ou nos olhando ao espelho com desprezo por não termos atingido às nossas expectativas. Antes de humanos, somos seres, somos o nosso eu, e através de uma reflexão sábia podemos enxergar o que é o além. O além do que se mostra. Se analisarmos atentamente agir erradamente não existe, pois como algo pode ser considerado erro se te levou ao crescimento e fez com que seu ser fosse desenvolvido? Como algo pode ser considerado erro se te levou ao acerto? Mas, vamos ter cautela ao compreender o que foi dito, pois a verdadeira intenção desta reflexão não é nos assegurar de que podemos fazer de tudo um pouco sem ter a responsabilidade de nossos atos, e assim, nos dar a chave para nossas prisões. Admitir que se falhou é nobre, mas a falha é uma imperfeição, não é necessariamente um erro, pois erros são por inteiros e imperfeições são a metade.

É preciso nos convidar a fazer uma caminhada por nossos desertos com o objetivo de romper com as correntes dos maus entendidos que se acumularam. Por que não dar um passeio pelo nosso interior para nos perdoarmos, e entendermos que fomos o que era possível para nós naquele instante ? Ao nos questionar notamos que, o que foi, teve grande serventia para o nosso hoje então, se caso desejas fazer um novo presente e futuro, terás que aceitar o que lhe aconteceu com sinceridade. Se caso desejas fazer diferente não poderás ser o mesmo. Seja simplesmente você, seja a chave para seus cadeados. Se abra para o novo, saia de seu casulo, e se transforme em uma livre borboleta. Um belo e imperfeito jardim está a sua espera, regue-o e colha os frutos.

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Camila Carrera

Jornalista, fotógrafa, amante de cinema, apaixonada por literatura e de tudo que indaga a dita existência. .
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