despertando consciências

Uma jornada à nós mesmos

Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade.

Relatos de uma manhã de domingo

Quando a alma transcende o corpo.


Foi numa manhã de domingo que ela se levantou e foi à busca de si mesma mundo a fora.

Foi numa manhã de domingo que ela decidiu finalmente perder o controle e se entregar ao fluxo para lutar contra tudo que lhe trazia aflição.

A brisa da manhã passou a ser sua bússola, a levando até o seu ponto de encontro, e assim que se deparou com seu espelho nas águas, pode ver além do que aparentava ser. Foram minutos de pura sintonia e reencontro.

mulher boiando 2.jpg

Foi naquela manhã de domingo que ele flutuou sob as águas do mar esvaziando os pensamentos, se deixando levar pela correnteza sem saber onde ia parar... e abraçando a solitude, ela foi se achando naquele mundo que dizia ser grande, mas que se mostrou pequeno diante do infinito que havia tocado.

Ao desfrutar de tamanhas sensações que eclodiram em seu interior, pôde sentir o cheiro e o sabor do mundo e dessa forma, furou a bolha em que estava ancorando a sua essência, deu vez a outros pensamentos, cores e vibrações. Se permitiu viver, conhecer e, em especial, ser outros pontos de vista, se apegando ao desapego, partiu rumo à um lugar aí...

Foi numa manhã de domingo que ela abriu as janelas e ouviu o som dos pássaros com atenção, valorizando aquele momento. Ouviu também o que o vento queria dizer, sentiu ele no toque. Foi nessa mesma manhã de domingo que ela acordou de um sono profundo que a consumia bastante, a impedindo de viver o agora.

A natureza havia pedido licença e a ninou, a pôs para dormir, lhe ajudou a ativar a paz que habita em seu eu, que tinha sido aquecida devido à ansiedade que trazia desconforto, insegurança e medos à mil por hora, ou quem sabe, por segundos.

151.jpg

Desligou o canal de pensamentos negativos e pôs num canal de positividade, de tranquilidade e nesse instante que havia se permitido navegar sob as águas do mar, o deus das águas, ela desdobrou-se, transcendeu a própria consciência, passando a se ver de fora, de uma forma única e mágica que lhe despertou. Ela foi o mar, ou melhor, voltou a ser quem sempre foi.

Durante essa experiência, o som do mar pertenceu aos seus ouvidos e ao seu corpo, as ondas movimentaram-na e a água passou a ter o toque aveludado, as suas mãos alisavam a água, que mais parecia ser um algodão. Ao sair da água, sentou-se na areia e olhou para o horizonte, tudo estava parado, ela viu o mundo que nunca tinha visto, viu o mundo da forma com que ele é, da forma que ela é, ela se refletiu em seu espelho, acenou para sua face.

Naquela manhã de domingo, ela foi quem nunca tinha sido, ela mesma.


Camila Carrera

Amante de artes visuais, escrita, leitura e de tudo que me instiga a questionar a dita realidade..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Camila Carrera