devaneios poéticos e outras artes

Deixe-se embriagar pela dose diária de lirismo e desvarios literários.

Ana Karla Farias

Esquerdo-macho: ele parece fofinho, mas é uma armadilha

Embora, eles façam uso de um discurso que condena a submissão da mulher a um padrão de beleza hegemônico e opressor, o estilo preferido deles é o de mulheres que ostentam corpos esculpidos na academia e uma aparência física produzida nos salões de beleza da “High Society”. Se você adentrar um pouco no histórico de relacionamentos deles, vai perceber que estes não costumam se relacionar com mulheres também de esquerda, politizadas, aguerridas, feministas, “cheinhas”, despojadas, ou seja, fora do padrão tradicional de mulher. Se você conhece caras que atendam a este perfil, bem-vinda ao mundo subjetivo do esquerdo-macho.


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Eles usam discursos em defesa das minorias sociais, da igualdade de gênero, do amor livre e não monogâmico. Parecem o tipo de homem perfeito, detentor de um pensamento progressista e libertário das amarras da mentalidade do capital e do patriarcado.

Eles costumam ter apreço por literatura, filosofia, música de qualidade. Alguns são vegetarianos, vestem-se de modo despojado, usam barba, fumam um cigarro, são articulados, têm um papo embasado e inclinação por arte. Por vezes, eles até escrevem poemas ou tocam músicas de Chico Buarque. Eles são extremamente charmosos, a priori. A priori porque passado o estágio de encantamento que estes caras exercem sobre a psique feminina, além das postagens nas redes sociais digitais, contrárias ao sexismo e exaltando a conquista de uma sociedade igualitária, justa e fraterna entre homens e mulheres; você, após rasgar o véu do feitiço e sedução lançados por eles, se observar a fundo, vai constatar que no grupo de amigos do facebook dele; há uma predileção por um perfil de mulher específico.

Embora, eles façam uso de um discurso que condena a submissão da mulher a um padrão de beleza hegemônico e opressor, o estilo preferido deles é o de mulheres que ostentam corpos esculpidos na academia e uma aparência física produzida nos salões de beleza da “High Society”. Se você adentrar um pouco no histórico de relacionamentos deles, vai perceber que estes não costumam se relacionar com mulheres também de esquerda, politizadas, aguerridas, feministas, “cheinhas”, despojadas, ou seja, fora do padrão tradicional de mulher. Se você conhece caras que atendam a este perfil, bem-vinda ao mundo subjetivo do esquerdo-macho.

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O esquerdo-macho apregoa que os relacionamentos afetivos não devem se igualar à noção capitalista de propriedade privada. Portanto, eles vão considerar o relacionamento aberto e não monogâmico (nada contra), como a modalidade de amar mais adequada. Não porque eles não se satisfaçam com uma só parceira sexual e companheira para dividir os dias. De modo algum! Longe disso! Imaginem! Isso é coisa de homem de direita! Eles não são “pegadores” e “garanhões” porque, afinal, não são sexistas; eles só estão praticando a concepção filosófica de que se deve libertar o ser amado para se alcançar o amor em sua plenitude. O esquerdo-macho, dando continuidade à soma de discursos incoerentes e vazios que ele dissipa; defende que a mulher ocupe o espaço público, que ela se empodere e liberte-se dos grilhões da sociedade falocêntrica. Contudo, não partilha as atividades domésticas com suas namoradas, companheiras, mães... Enfim, a figura feminina de sua convivência familiar.

Embora, expresse nas redes sociais, na turma de amigos, em ambientes públicos, que é reiteradamente contrário à objetificação da mulher; o esquerdo-macho não vai hesitar, na primeira oportunidade, em pedir nudes da mocinha bonita que ele acabou de adicionar nas redes sociais. Ele vai tentar lhe persuadir de que não está visando à instrumentalização do corpo feminino, recorrendo à alegação de que o corpo é seu e de que você é livre. E se ele decidir, por bem, engatar um relacionamento sério, não se engane, ele vai sempre optar por namorar a mocinha que anda com a roupa da moda, de silhueta definida, que adora consumir, delicada e que não foge ao modelo de mulher convencional e esteriotipado, aos moldes do capitalismo e patriarcado. Isso mesmo! Entre a “patricinha” e a engajada politicamente, ele vai escolher sempre a primeira alternativa.

No fim das contas, o esquerdo-macho é tão de direita quanto um homem que se autointitula de direita. Na verdade, ele é um direitista disfarçado de homem que compactua com os ideais progressistas de esquerda, no intuito de conquistar mais mulheres e perpetuar o sexismo. Mas, de um modo, que não dê muito na vista.


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