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Paola Oliveira, Eu e o Absoluto: uma história hegeliana de amor

Você já assistiu esta novela: a vida real é tão fictícia quanto a ficção. Desta aparente contradição emerge uma história de amor que dá notícia sobre o sistema hegeliano com fotos exclusivas do Absoluto.


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Não me levem a mal, esta é só mais uma história brasileira de amor. Conforme as origens atribuídas a palavra “texto”, teço aqui só um pouco da minha imaginação nestas finas frases fios que entrelaçam o tecido que aqui poderá ser vestido por olhos dados à fervura do leite: a leitura. Esta trama, que tende a uma coberta, revela-se em retalhos para um véu. São apenas alguns opostos que tendem a se abrir em “novidade” se vierem a coincidir. E aqui começa nosso percurso, curioso atravessante do Lete (ou se preferir, leitor). Conte as contas brilhantes no céu e trace seu percurso na companhia desta estrela que vos engana pelo teatro das letras. Rezo aqui a dura mazela necessária do entendimento para ser minimamente tolerado e aceito. O que quero lhe confidenciar é o seguinte: nas andanças que fazemos entre uma dúvida e outra, não tardará um dia, as questões concernentes a beleza.

Para os mais ajustados as graças da conjuntura informatizada, um rápido digitar na caixa seguido de um “enter” poderá anunciar definições e sinonímias variadas desta palavra. O que poderá não ascender ao leitor é a ideia genuína de beleza para ele mesmo. Não teria o leitor degustado tantos outros sabores para criar juízo próprio sobre o que é belo? Na modernidade é moda: cada um com seu cada um. Como se pudéssemos julgar a priori sem kantismo ou romantismo, pois o mantra “tudo é relativo” é mais ouvido do que toque de Nokia. Polifônico também é o zumbido destes pré-conceitos de beleza que a indústria insiste em repetir nas telas ao redor do globo – (Tudo que é Ipad desmancha no Air, vejam bem...). Um apelo pela finura que se traduz naquele superego típico freudiano: estamos constantemente endividados neste sistema que nos cobra uma conformidade a “uma” beleza e, ao mesmo tempo, sentimos culpados por não atingi-la ou vivencia-la. Obsolescências técnicas a parte, a psicanálise ainda pode nos ouvir nesta balada permanente de dubstep do cotidiano? Não é o caso da história que contarei.

Perdoem-me os delírios, estes descaminhos e descontinuidades. Deixo para trás os dois parágrafos que deram o diapasão deste relato que se aproxima: o momento em que meu particular, de forma singular, foi finalmente encontrado pelo universal. É que sou desenxabido no dia-a-dia, fazendo tudo quase igual e acordando seis e pouco da manhã. Entretanto, para meu regozijo, compartilho aqui as impressões de cada minuto de felicidade que vivi na plenitude que também atende por Paola Oliveira, “uma” eternidade. Ela representa a beleza para mim. Parece óbvio, mas não é. Realizo meu conceito de beleza pacientemente - como pede o santo.

Não quero ser mal compreendido apenas, pelo contrário, quero também. Eis que muito se prospera nas colheitas nas gondolas nas seções de autoajuda das megastores - preciso reconhecer que muitos livros ali espelham sucesso e conquista de seus autores, é verdade. O que faço aqui não é nada pior: é uma tentativa sem-vergonha de apresentação de como o espírito absoluto se revela para nós de acordo com o obscuro filósofo G.W.F. Hegel.

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Poderíamos dizer que a beleza natural da senhorita Paola Oliveira não interessaria as preferências daquele alemão que aparece como Hegel para a literatura ocidental. Pois os seus pupilos bem se estapeiam para reproduzir que é a beleza racional é a “menina dos olhos” do filósofo. E mais, diriam os apedrejadores acadêmicos de campana: ao artista o que é do artista, ao filósofo o que é do filósofo..."Cada um no seu quadrado", para arrematar efusivamente no jargão culto meme-midiático. Poderíamos zombar assim: para Paola Oliveira brilhar na passarela da história universal a mesma teria que suprimir/derrubar/ultrapassar/atualizar sua beleza natural. Teríamos que assistir a bela Paola cair, sacudir a poeira e dar a volta por cima? Ela samba bem. Tal qual a marota dialética.

Eu avisei que seria uma presepada, não me banquem seriamente, sim? E digo mais: a beleza natural da Paola ainda não ganhou os Adornos da razão. Nós não completamos a volta ao redor do sol – e em torno de nós mesmos! Revolução, afinal? Não trabalhamos de sol-a-sol para sermos consciência e consciência de si? Ao final do dia, tanto eu quanto a bela Paola precisaríamos reunir os pontos desta ciranda, desta roda, deste ciclo... Seria de uma beleza insuportável se soubéssemos que somos o mesmo Universal. O que? O verdadeiro é o todo?

Finalmente faço-me enlouquecer:

A boca com que beijo Paola é a mesma boca com que Paola me beija; minha boca e a boca de Paola: uma boca só num beijo, num beijar e num amar.

Estaríamos eu, Paola e o Absoluto fadados a esta união alquímica sagrada? Creio neste triângulo amoroso porque é absurdo, ora!

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Para dar conta dessa mediação entre coisas aparentemente distantes, invocaria o épico Bertold Brecht para dialogar com os críticos mais atentos. Close neste ponto: Paola acrescentou um “l” a seu nome artístico. Estaria este artista num constante ir e vir de personagens que levam constantemente ao destruir seu próprio eu? Estas cisões entre sujeito-objeto, artista-obra e Paola-Paolla, ao fim da novela, não encerram novamente o sonho de reunião entre oposições? Paola costurou um véu “Paolla” para resguardar sua consciência? Especulo mais: Paola pode estar zelando pelo seu universal ao guardar seu íntimo na sociedade que faz de todos “amigos particulares”. Se bem acordados estamos, concordamos que não há mais privacidade neste constante admirável mil novecentos e oitenta e quatro. Algum desinteressado nas uniões improváveis pintará este meu sonho de preto-e-branco (como pede o bom maniqueísmo) relegando ao reino das especulações todo este meu romance.

Entretanto, reforço aqui minha tendência ao infinito entre 0 e 1. É neste interim que repousam meus carinhos e afagos em Paola. É aqui que rompe aurora e crepúsculo, quando a ave de minerva faz seu voo no mesmo momento em que Paola diz que me ama pois se ama. Acordo de madrugada e a beijo depois de ter certeza que sou feliz porque Ela existe. Iludo-me tanto quanto posso para temperar o azedo das razões. Não faço exame para a tristeza, já estou aprovado no curso da vida do espírito (que já sei de coração). Pronto, esta é nossa história de amor Ideal. O dia em que Paola e eu nos encontramos e nos amamos para sempre, absolutamente.


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