diferente

um blog para todos e para ninguém

Thiago Borges

Alguém desesperadamente impossível...Um amante.

Em defesa do erro (por amor)

Por vezes, evitamos o erro e acreditamos na traição grosseira de que deve-se dar um desconto ao mesmo, posto que ele é humano. Também é dito por aí que "persistir no erro é burrice". Este é um manifesto em defesa do Erro (e de todos os errantes). Pois erar é o novo “amar”.


11-3.jpg Este é um manifesto (em doze partes) em defesa do erro (por amor)

Errare humanum est, perseverare diabolicum

Menos célebre quanto “errar é humano” é seu complemento perversamente traído por “permanecer no erro é diabólico”. Fomos educados no cais seguro da retidão e da premiação as respostas certas. Passamos pela promessa iluminista de formação, de forma em forma, passando da lógica para a logística, deliberando nossos cérebros empacotados para consumo da máquina capital. Soamos todos parecidos, enfileirados, ruminando excessos de informações e as distribuindo no rigoroso mercado que nos endivida constantemente nas vitrines, nas ilusões e nos desejos. Temo manter o presente manifesto na terceira pessoa. É vala comum proferir “nós” para esconder um mar de egoísmo. Afinal, quando podemos, por fim, afirmar algo na terceira pessoa? O risco pode ser visto na nossa história recente: quando “nós” não se realiza enquanto conceito, emerge uma terceira pessoa totalitária, travestindo interesses próprios em vontade geral. Seria, enfim, um “erro”? Ou o certo é fashion fascista por natureza? Em nome do certo moralizante se faz o "bem"...todos que erram, são punidos...Vigiar(o erro) e punir!

O errante

Encarno aqui o errante e defendo o erro. E esta é uma defesa do negativo. Por tempos a valorização desacerbada do que é tomado por positivo bloqueou o desenvolvimento do espírito. Tudo se passa como se fosse necessário defender um curso apenas, um polo ou rumo ao progresso. Posto aqui posição da filosofia negativa enquanto negação de tudo aquilo é. Os falsos profetas, os detentores da língua, aqueles que por épocas equivocaram os sinais para preservar o poder. Tamparam o sol com peneira densa, essa ciência do bem, essa consciência de resignação e conformismo. O método iluminista pede por si mesmo para ser suprassumido...

A hora e a vez do erro na madrugada

Se faz agora a hora do não. Do homem que brada “não” e rompe o imediato. Revoluciona-se. Por quanto tempo negaríamos a luz física de cada negador? Por épocas imemoriais, estes novos senhores lutaram. Pelo descrédito do autoconhecimento, estes donos da vontade de verdade digladiaram. A vez e a hora do que não é, do que não importa e que delega a qualquer ser sua própria vontade sem impô-la a nenhuma criatura. É o ímpeto pelo nada, é a filosofia que só existe no presente e não promete o que não pode cumprir ou ser. Relega-se então o acidente do ser-aqui-presente.

Por uma bildüng esmeraldina?

hermemes.jpg

Vivo rodeado de memórias artificias guardando meu dia, aguardando a hora, a noite e o lugar para me desligar. Cobra-se as crianças pelo repúdio ao clássico, a tradição e a alta cultura, mas não seria tão cruel quanto isso impor a condição única de vencer? Estou enfastiado dos líderes! Tragam os perdedores e verei o mundo que caminha para a emancipação desse maniqueísmo idiota! Permita o erro gritar e a faísca transcenderá uma nova pedra para inaugurar a sede da bildüng em cada consciência.

Pois quero que meus amigos errem (os inimigos fiquem à vontade)

Pois assim desejo que meus amigos sofram. Que percam e se percam. Que frustrem e se frustrem. Que abandonem e sejam abandonados. Que deixem e sejam deixados. Que esqueçam e sejam esquecidos. Pois assim imagino Heráclito e Parmênides imóveis em movimento. Pois posso lembrar de outro “tablete” mais antigo e repetir o velho erro hermético do erro que está abaixo é o erro que está em acima! Pois meus amigos foram ensinados a evitar a dor. Foi o que foi ensinado: peça desculpas! Tire a culpa de si e dos outros. Não assuma o que é, invoque uma geniosa palavra e esconda a falha por trás de algum véu. Deixe o silêncio desse pensamento positivo entorpecer sua capacidade de discernir! Como se a exigência de um mundo em meditação fosse a chave para o sonho branco da paz. Ouçamos a conversa entre Sartre e Buda na trincheira: é este mediador que precisa ser destruído (e atualizado?)...

Suspende-se o "esperto ao contrário", Estamira.

cinema-loucura2.jpg

Paro de dizer de algo e seu contrário. Deixo a frequência digital para o infinito cromático de novas naturezas. Pois meu amor aprendeu, participou, negou e agora não atende mais pelo chamado convencional. Sou o sangue na areia da arena em Madri, o fio da espada do toureiro e o olhar desinteressado do touro que ensina a plateia o que é ser humano hoje. Sua morte é o privilégio da nova educação que se amalgama a tantas vidas e resolve ali mesmo que a experiência passa pelo matador e sua alienação. Ele não se vê como touro, nem na vida e nem na constelação. É o toureiro quem ganha o nome da vítima: o algoz permanece separado de seu suicídio. Vidas passarão enquanto o manifestante vegetariano não saltar a arena e realizar a união entre pai, filho e espírito santo. Estamos “juntos e misturados”, como diz o violento éter da alquimia das ruas do Brasil.

O que eu falei sobre o trabalho do erro está completo

wheel.png

Pois a vida está cifrada e o ritual dela demanda pensar a intuição. Nós fingimos chorar como crianças e não (nos) choramos como crianças. Minhas musas me tiram para dançar mas eu sou preguiçoso e não aprendi a dançar, Jorge. Deixamos de ser para estarmos realizando a piada do telemarketing: “vamos estar sendo”. Por menos aspas e mais Conceitos, Nietzsche. Este é um manifesto em defesa dos meus erros. Vou defender sua liberdade de errar até que erremos o erro juntos, minha querida amiga doceira. Sou a favor de suas crianças errarem até errarem melhor, francamente. Vou ler e torcer por todos os seus erros, pois os mestres nos ensinam o seu melhor: os seus erros. Ninguém oferece o que não tem, certo? Errado! Errei novamente. A alma não precisa de exame para passar na escola do erro, arqueiro! O alvo é que erra a flecha, pois sem alvo a flecha voa um pouco mais. Por uma banda com anjos caídos e reerguidos, deuses encarnados e cantigas de ninar para acordar universos incontornáveis!

Pois eu vou amar, fada. Se eu errar, não me perdoe. Vou errar mais uma vez, coração. Vamos conjugar, meu presente motor-contínuo...por todas as cores que ainda não vimos porque estávamos ocupados demais com o arco-iris, Isis! Por todas as rosas que não chamam rosa, mas nascem sem existir...teimosas.

Pois erar é o novo “amar”.

eros.jpg Eros errando (amando) de William Adolphe Bouguereau


Thiago Borges

Alguém desesperadamente impossível...Um amante. .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Thiago Borges