Susiane Canal

Uma incorrigível sonhadora que, ao perder-se nas palavras, busca encontrar um sentido para sua existência.

PRÓPRIO AMOR

A postura da Amanda do BBB15 – cega de paixão por um homem que não respondia exatamente às suas expectativas, o que fez com que boa parte dos brasileiros tivesse pena dela - fez reascender a questão (sempre atual e importante) da necessidade de se cultivar amor por si mesmo. Até que ponto podemos ir em nome de uma paixão? Como não nos machucarmos tanto nos relacionamentos amorosos? Quais são os ingredientes de uma relação equilibrada e excitante?


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Não devemos julgar a pessoas, pois só Deus sabe pelo que já passaram sua na vida, mas o caso da Amanda do BBB15 não tem como passar despercebido. Inclusive, porque há muitas mulheres na mesma situação: ou agora, ou no passado, ou no futuro, que precisam estar alertas. A falta de amor-próprio da sister é escancarada e lhe gera muito sofrimento. Ela é linda e inteligente, mas extremamente carente, depende do afeto alheio para se sentir bem.

A pobrezinha se humilhou praquele Fernando a maior parte do tempo. Deixou induvidosa sua paixonite aguda, mas ele não quis firmar compromisso algum com ela. Então ela chorou. E pediu ele em namoro, e mais de uma vez, porque ele se esquivava. E ficou sem resposta. Ou melhor, o silêncio, nesse caso, demonstrou contrariedade. E ela chorou. E se mostrou carente. O tempo inteiro. E, apesar disso, afirmou que foram os dias mais felizes da sua vida!

Claro que é difícil controlar as coisas do coração, principalmente quando estamos apaixonados. Fizemos tudo para conquistar o objeto do nosso desejo, inclusive coisas que, em circunstâncias normais, jamais cogitaríamos. Se você não passou por isso, com certeza conhece alguém que viveu um enredo mais ou menos assim: após um término, arrependida, a criatura foi atrás, se declarou, pediu para voltar, etc. etc. etc. E recebeu um escanteamento, parecido com o do Fernando. Então, passou a se humilhar. Pensou: “por amor vale tudo”, “para ser feliz, aceito passar por isso”. Mas não funcionou, evidentemente. Não é assim, tão simples.

Enquanto você não tem amor-próprio, não fica interessante. Aquela pessoa minguada, com cara de coitada, olhos vermelhos e olheiras sobressalentes, implorando por uma gota de amor, não é nada atraente, nem um pouco estimulante. Mas demora a se dar conta. Segue sofrendo, matutando onde foi que errou, buscando formas de reconquistar o amor do tal ser, até que chega o dia – provavelmente um bom tempo depois - em que se enche o saco e diz “chega!”. “Dane-se”. “Seja o que Deus quiser, cansei”. E esse é o ponto da virada! É quando a coisa começa a funcionar!

Daí você se arruma um pouco (coisa para a qual não tinha ânimo há tempos) e sai por aí. E flerta, mesmo que despretensiosamente. Só para se testar. Afinal, você nem sabe mais direito fazer isso, pois estava “em um relacionamento sério”. E vê que é legal. Que a vida, efetivamente, tem outras possibilidades. Que você, definitivamente, não vai morrer de amor, como achava. Que definhar não serve pra nada. Que há outras coisas (e/ou pessoas) interessantes. E, então, ressurge das cinzas. Renovada. Descobriu ter uma força que jamais imaginou.

E, enfim, você volta a se tornar interessante, inclusive aos olhos alheios. Não mais digna de pena, mas possível objeto de conquista. E, um dia, o ex te vê. Então, provavelmente vá te procurar. Mudou completamente da opinião externada na última vez que vocês se viram. Talvez tenha sentido que está te perdendo, pois até então tudo estava sob o controle dele. Ele sabia que, quando quisesse, te teria na mão. Mas, agora, viu que já não é bem assim.

Então, cabe a você analisar se esse cara ainda vale a pena. Pesar o que ele fez (ou deixou de fazer) e ver se compensa nova tentativa. Quem sabe você, agora cheia de amor-próprio, se sentido dona do seu nariz e poderosa, queira explorar outras possibilidades. Ficar solteira te permite fazer um tantão de coisas legais. Mas, talvez vocês tenham uma história bacana para continuar, com personagens agora renovados. Ninguém mais mendiga carinho de ninguém, ambos estão no mesmo patamar. Se somam, ninguém suga ninguém, ninguém fica no débito. Só devem atentar para não cair na mesma cilada lá pra frente.

Sabendo o que funciona e o que não funciona, se nos depararmos com a situação será mais fácil agir. Encurtaremos caminhos. Pouparemos lágrimas, músicas dramáticas e poemas (sofríveis) escritos. É sacudir a poeira, ativar um plus no amor-próprio e tocar adiante. O futuro é incerto, mas, se bastando, ele com certeza será mais promissor.

As mulheres, de um modo geral, têm mais tendência a se sentir “a frágil”, “a que merece ser paparicada”, “a digna de carinho”. Mas isso não pode ser esperado que venha do outro. Se vier, ótimo. Mas o afeto, a consideração e a atenção devem partir de dentro, independentemente de qualquer circunstância. E devem estar sempre ativados, sem intervalos. Para ser uma pessoa completa. Para ser uma pessoa interessante. Para ser, enfim, uma pessoa feliz.


Susiane Canal

Uma incorrigível sonhadora que, ao perder-se nas palavras, busca encontrar um sentido para sua existência..
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