Mariana Miranda

Ser jornalista é a forma mais glamourosa de ser pobre. Curta dez anos de literatura por ostentação em: marianamiranda.wordpress.com

O mundo dos títulos

Na pintura contemporânea, na música clássica, na prateleira do supermercado – tantos títulos interessantes esperando por uma história. É um mundo de hipóteses discretas.


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Faz um tempo que eu acompanho o trabalho de Leonid Afremov. É aquele pintor de origem bielorrussa que usa cores berrantes para retratar paisagens de inverno. Gosto dos quadros dele, mas, principalmente, gosto dos nomes que ele escolhe para os quadros dele. Queda de Ouro, O Fim da Paciência, Juntos na Tempestade, Antecipação, Jogos Perigosos, Mágica Antiga etc. Uma tela, quando ganha um título assim, faz a gente imaginar histórias por trás da cena.

Na música, acho que o campeão em títulos poéticos é o Chopin: Noturno, Tristesse, Valsa Minuto, Fantasia de Improviso. Acho que Grande Valsa Brilhante faz pensar num romance iluminista.

Imagino cenários e enredos também no supermercado, na lanchonete, já reparou em como batizam as tortas de doceria? Pecado de Damasco, Merengue à Moda Antiga, Cabelo de Anjo Dourado sob Pêssegos da Macedônia. Acho lindo. E os rótulos de vinho? Tributo Vintage Reserva, Um Sonho Espanhol, Lágrima Cristã dos Feudos Rosados de São Gregório. Há nomes de condomínios residenciais, de pacotes de viagem, slogans de iogurte importado – tantos títulos interessantes esperando por uma história.

É um mundo de hipóteses discretas. Eu vejo literatura em todas as coisas.


Mariana Miranda

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