do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

Do transcendente ao cognoscível: Racionalismo vs Empirismo

Como chegar a verdade indubitável? Qual o caminho devemos traçar? Em que método confiar?
Todas essas perguntas são constantemente objeto de estudo da filosofia, e na Idade Moderna elas ganharam um real destaque.


Duas correntes filosóficas que apontavam caminhos diferentes para a aquisição do conhecimento tornaram-se objeto de debates e conflitos durante, principalmente, a Idade Moderna. O racionalismo dos idealistas, muito inspirado na filosofia clássica de Platão, teve como principal representante René Descartes e o empirismo de Francis Bacon.

slide_15.jpgOs dois principais representantes de cada corrente

O racionalismo é a corrente que dá primazia a razão como meio para alcançar a verdade, através de raciocínio e bases lógicas. Para seus defensores como Descartes, o conhecimento poderia ser adquirido apenas através da mente, percebe-se aí uma valorização do ser em detrimento ao objeto. O racionalismo é claramente influenciado pelo “Mundo das Ideias” de Platão, que considerava a existência de um “mundo” perfeito e imutável que servia como subsídio ao mundo que cada indivíduo forma através dos seus próprios sentidos, sendo esse mundo falso, a única verdade seria o imutável. Portanto, os racionalistas consideram que nossos sentidos são falhos, o que os torna não é confiáveis, conflitando assim o empirismo.

Já os empiristas veem nos sentidos o ponto de partida para a busca do conhecimento. Portanto, essa corrente surge como um contraponto ao racionalismo, uma vez que ao fundamentar que o conhecimento se dá pela experiência e o racionalismo se apresentando no campo metafísico, para os empiristas deve ser desconsiderado, uma vez que é desprovido de comprovação e da experiência sensorial.

O racionalismo foi muito importante para a formação do pensamento e do Estado Moderno, já que influenciou e serviu como alicerce epistemológico para o Iluminismo, movimento que deu origem a Revolução Francesa, que destituiu o Absolutismo dos déspotas esclarecidos, constituindo assim o Estado Liberal. Na ciência jurídica, ele se configura no pensamento de alguns juristas, como Hans Kelsen, que vê o Direito como apenas fruto da razão, negando assim fatos históricos - expressos posteriormente na dialética marxista através das lutas de classes formadoras do direito histórico - devendo o Direito resolver os seus problemas e ser formulado fora de outros campos, como a moral e as fontes históricas, portanto, um positivismo puro, vestindo essa roupagem científica.

O empirismo se divide em vulgar e científico. O vulgar é apenas uma nomenclatura que ilustra a forma de adquirirmos conhecimento através de nossas experiências do cotidiano. Já o científico é um método de pesquisa muito utilizado e importante para o desenvolvimento acadêmico e de diversas áreas da ciência. São exemplos de métodos empíricos, o empírico experimente e o empírico indutivo.

Portanto, podemos concluir que essas duas correntes veem o mundo exterior de modo diferente. Os idealistas negam a existência do mundo tal qual podemos ver, devido a fragilidade dos nossos sentidos, como ilustra Descartes ao afirmar que a única coisa que ele pode ter certeza é de suas existência, “Penso, logo existo”. Já os empiristas acreditam piamente na existência do mundo exterior uma vez que suas leis podem ser comprovadas através de métodos.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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