do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

Filosofia grega como sabedoria de vida: Epicuristas

Epicurismo é uma doutrina filosófica grega ministrada pelo mestre Epícuro de Samos no século IV a.C marcada pela busca de uma paz interior através da satisfação dos desejos e pela indiferença a morte.


A finalidade da filosofia de epicurista não era algo teórico, cosmológico, no campo das idéias, mas sim algo bastante prático: o nosso modo de viver. Portanto, seu papel filosófico é de clareza solar: cuidar da saúde da alma.

- Como os epicuristas buscavam a paz interior?

Através do autocontrole dos desejos e de nossos medos. Devemos procurar satisfazer nossas vontades para alcançar o estado de tranqüilidade. Porém, esses desejos têm que ser moderados, pois quando são exagerados podem ser fonte de constantes perturbações em nossos espíritos. Quando esses desejos são saciados, sentimos uma serenidade em nossa alma, pois nos libertamos do medo e cessamos o sofrimento. Não obstante, Epícuro era um ferrenho critico aos prazeres mundanos, pois eles desvirtuam a estado de serenidade da alma. Em um exemplo bem simplista: quando bebemos água para saciar nossa sede é considerado um prazer moderado. Quando bebemos algo diferente como um suco ou vinho é um prazer natural, mas não necessários, uma vez que atende um desejo corporal de variação. Mas quando bebemos vinho, por puro deleite, sem necessidade, surgindo de uma opinião falsa da sociedade que temos que beber para nos divertirmos, é considerado um prazer mundano.

Portanto, ao satisfazê-los alcançamos a felicidade, que é – na concepção epicurista – a manutenção da serenidade do espírito. Por isso, para o filósofo grego, devemos buscar prazeres moderados para atingir o estado de tranqüilidade e de libertação do medo, chamado de ataraxia, além da ausência do sofrimento corporal, chamado de aponia. Em suas palavras: “É impossível viver prazerosamente sem viver prudentemente, belamente e justamente, nem viver prudentemente, belamente e justamente sem viver prazerosamente. Aquele que está privado daquilo que permite viver prudentemente, belamente e justamente, não pode viver feliz, mesmo se for correto e justo."

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DEUS E A MORTE

- Epícuro era ateu?

Apesar de negar qualquer determinismo divino no ser humano – o que fazia com que Epícuro fosse acusado de ateísmo -, o filósofo acreditava em Deus, porém negava veementemente qualquer intervenção do divino em nossas vidas, em outras palavras: deus existe, mas não está preocupado conosco. Essa nova forma de ver Deus ia totalmente contra a religiosidade grega, que via nos deuses entidades que estavam sim preocupadas com o destino de cada ser humano e que podiam interferir neles, o que acarretava um medo nas pessoas de serem punidas a qualquer momento pelo desvio de conduta de seus atos.

Epícuro temia a morte?

Para o filósofo grego temer a morte é uma bobagem, pois ela não é algo materializado, e sim um aniquilamento da vida. E a dor e as sensações ruins residem na vida, portanto não seria algo tão ruim. Além disso, nunca precisaremos bater de frente com a morte, pois segundo o filósofo, quando existimos a morte não existe, mas quando a morte “existe”, nós que não existimos, então jamais nos encontraremos com ela, por isso é bobagem nos preocuparmos com isso.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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