do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

O jogo do desinteresse

As frustrações nos leva a entrar nesse jogo. Isso no começo pode ser uma forma de criar atração, mas depois de um certo tempo pode ser um tiro no próprio pé.


Em tempos de relações flexíveis e instantâneas, ficamos com a falsa impressão de que os relacionamentos que constituímos apresentam um prazo de validade e por isso - manda o manual - devemos não dar muita importância a eles, já que logo, logo devem acabar.

Como já elucidara Bauman, em seu livro “Amor Líquido”, vivemos em tempos líquidos, onde nada é feito pra durar. Mas, ninguém é de ferro. Dada à liquidez das relações somadas às frustrações que adquirimos nos relacionamentos, criamos uma espécie escudo de proteção para nossas futuras relações amorosas, e com isso acabamos nos sujeitando ao “Jogo do desinteresse”.

De antemão se você realmente não se importa com seus “lances”, esse jogo não lhe diz respeito. O jogo consiste, como o próprio título sugere, o que demonstrar menos interesse na relação é o que “vence”. Para isso, algumas táticas devem ser seguidas, como por exemplo: demore a responder as mensagens nas redes sociais, fazendo com que a outra pessoa não perceba qualquer resquício de interesse seu; jamais diga que ama ou que gosta de seu parceiro antes que ele diga primeiro; em fins de semana, não ligue ou mande uma mensagem primeiro, espere que o outro lhe convide pra sair, pois isso é demonstrar interesse demais.

Se você segue ou planeja seguir esses passos, parabéns você está ou estará preso a esse jogo fútil que só contribui com a nossa cultura de relações superficiais, estará dando força à propagação da cultura do desinteresse e o culto ao ego.

Reflita se ao querer parecer desinteressado, você não estará perdendo momentos a dois com a pessoa que se está a fim. Aqueles momentos que realmente ficarão guardados na memória, porque se a outra pessoa estiver por ventura também jogando esse jogo, vocês terão que sair por conta própria. Cada um para uma “balada” diferente com o intuito de demonstrar para os demais que está se divertindo ou no restaurante para se afogar em gordura e doce.

Garanto que dificilmente uma balada ou restaurante lhe trarão melhores memórias do que estando com aquela pessoa que você está lutando para ignorar, porque é assim que manda o jogo, não é mesmo?

Porque não perder o medo de se entregar e buscar esses momentos a dois que acalmará seu espírito, pois só esses momentos de paz e tranquilidade que nos dão essa leveza na alma. Não seria melhor um filme em casa, uma comida pré-pronta, uma massagem nas costas, um cafuné, uma tigela de açaí do que gastar rios de dinheiro em uma balada fútil? Isso não te parece mais atrativo?

Por fim, independente do desfecho desse relacionamento, não se submeta a esse jogo que lhe aprisiona, liberte-se, ame o próximo, pois como diz o ditado “A gente colhe aquilo que planta”. Portanto se você plantar amor dificilmente colherá algo negativo.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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