do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

Um breve ensaio existencialista

O existencialismo comumente é visto com maus olhos, principalmente por aqueles que acreditam em um suposto sentido da vida. Já para determinados grupos de pessoas é nessa doutrina que sua paz de espírito pode ser encontrada.


Alguns modelados por uma visão estereotipada veem o existencialismo como uma corrente de pensamento triste. De certa forma ao citarmos o termo "existencialismo" em uma roda de conversa percebemos logo feições pessimistas, pois esse conceito carrega em si, injustamente e não intencionalmente, uma carga negativa que impregna na mente de quem não se aprofunda no assunto. O motivo desse “pseudopessimismo”, talvez seja pelo fato de seus filósofos mais conhecidos serem niilistas, muitas vezes quando o assunto é religião. E esse ceticismo é que os fazem assumir a falta de sentido do mundo e isso cria um choque para as pessoas comuns que lutam arduamente e inconscientemente, na maioria das vezes, em encontrar algo que preencha seu vazio interior.

Então, abstraindo o mau entendimento criado sobre o existencialismo, que se mostra tão forte que faz o próprio conceito perder seu significado, virando uma espécie de corrente de vanguarda análoga ao surrealismo, devemos observar sua real intenção...

O existencialismo nada mais é que a tentativa de uma pessoa cética e demasiadamente racionalista tentar levar a vida da melhor maneira possível. Portanto, esse conceito assume um caráter positivo e não negativo como antes pensávamos. Como diria Albert Camus "A vida será mais bem vivida se não tiver sentido". Então, entendemos o existencialismo como a doutrina que torna a vida de alguém cético mais tolerável e estável ao assumir a total falta de sentido dela.

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- Que premissas os existencialistas assumem para tocar a vida em frente? Inconscientemente criamos uma necessidade de acreditarmos que a vida precisa ter algum sentido e muitas vezes buscamos o sobrenatural para dar sentido a ela. Porém, vivemos em uma eterna contradição e se ficarmos buscando os porquês dessas contradições, entramos em uma espécie de parafuso de piração que não será saudável para a mente. Portanto, é preferível que pensemos na vida como uma sucessão de acontecimentos arbitrários, do que ficar nos remoendo buscando um sentido, uma explicação para todos os eventos e injustiças que ocorrem conosco.

Admitindo então que a vida é desprovida de lógica, podemos preencher de certa forma, o vazio existencial com a simples indiferença a tal. Esse é o ponto de partida chamado de “atitude existencial”. Quanto mais racionalista for o indivíduo, mais dessa forma ele deverá proceder. Imagine agora um intelectual, que não por falta de vontade, mas que por seu consciente não consegue se apegar a uma religião ou acha-la crível, a amar outra pessoa verdadeiramente, ou a outra atividade que satisfaça a si mesmo, se vê preso a esse vazio, pois jamais encontrará um motivo ou justificativa, fundamentado em bases racionais sólidas, para viver. Portanto, deverá esse intelectual admitir a falta de pleno sentido da vida, só assim poderá se livrar das amarras de aço criadas pelo no inconsciente. A vida seria, portanto, nada mais do que o sentido que damos a ela. Por isso, para muitos existencialistas a grande vitória do indivíduo é perceber o absurdo da vida e aceita-la.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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