do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

A angústia de ser

Somos, existimos para um dia não mais ser e não mais existir? Talvez seja essa a maior angústia de "Ser".


Hamlet provavelmente tenha sido a primeira obra essencialmente existencialista e responsável, em parte, pela noção de Ser da modernidade. "Ser ou não ser, eis a questão", no monólogo de Shakespeare fica evidenciado a ruptura com o modo antigo/clássico de constituição do Ser, que no caso estava atrelado a um concepção naturalista. Hamlet, por sua vez, pois o indivíduo em destaque como responsável por se constituir como sujeito.

Existir e ser, talvez sejam os pontos centrais de nossa vida, é como aquela famosa frase de Sartre: "A existência precede a essência". Somos condenados a liberdade, logo somos responsáveis por construir essa essência. Ora, "se penso, logo existo" estou em um contínuo processo de construção, reafirmação e evolução. Porém, um outro tema central de nossa existência é a morte. Como superar essa angústia de não mais existir?

- Resposta: Não sei, a religião preenche bem essa lacuna, mas os destinatários desse artigo são justamente aqueles que não creem ou pelo menos que possuem muitas incertezas.

14724447_945217192251011_8642142586174746088_n (1).jpg A morte e a donzela - Pierre Cécile (1872)

Do nome desta coluna as obras de Shakespeare, ser é a peça chave da experiência humana. Como lidar com a angústia da morte, se passamos a vida constituindo nosso ser, passamos a vida, em um aparente pleonasmo, existindo? Como imaginar que um dia não mais seremos, não mais existiremos? O mestre Epicuro de Samos, filósofo da Grécia Antiga, possui uma visão relex sobre a morte e a não existência. Falava algo mais ou menos assim (reproduzo de cabeça): A morte não é nada, pois quando existimos a morte não existe e quando a morte existe não mais existimos".

Possa ser que alguém se conforte com essa noção de Epicuro, mas imaginar que um dia perderemos nossa essência sem mais ou menos não é nada fácil. Ninguém quer ser aquele bom perfume, de boa fragrância, mas que logo logo o cheiro se esvai, se dissipa no ar. Somos que nem aquele castelo de areia que com apenas uma onda no mar é destruído. Existem castelos de areia bonitos e outros mais modestos. Cabe a nós, então decidirmos se seremos um belo castelo de areia ou um mais simples, mas acima de tudo convivendo com a certeza de que uma dia a maré sobe e então não mais seremos.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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