do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

A estética e a arte moderna

Nesse artigo haverá uma breve exposição sobre a função da estética e como ela é observador pelos artistas modernos, nessa nova proposta, chamada de arte moderna.


A existência humana - diferentemente dos outros seres - ultrapassa os limites da simples sobrevivência biológica, sendo uma experiência sensível e criativa. Por isso, além das necessidades biológicas o homem possui necessidades morais, espirituais e estéticas, sendo a beleza um produto dessas necessidades.

A filosofia possui um ramo específico para o estudo da natureza da beleza e dos fundamentos da arte, denominado estética. Estética vem do grego, aisthésis, que significa: sensibilidade, percepção. Portanto, esse ramo da filosofia, julga o que pode ser considerado belo, através da percepção das emoções causadas pelo produtos estéticos, e por possuir uma raiz filosófica grega, busca se pautar em valores universais.

A noção de que a arte é a representação do que é belo vem desde a Grécia Antiga, Platão mesmo já afirmava que a beleza da arte era o que permitíamos transcender e ter contato com o Cosmo, com deus. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer trazia a concepção de que a beleza estética representada na arte era um dos caminhos para anestesiar momentaneamente o estado de dor da existência humana.

“Será que isso faz sentido?”. Proponho um exercício aos leitores: Se imaginem em uma grande metrópole em um espaço arborizado, com praças e belas obras arquitetônicas, automaticamente ao pensarmos nisso nos sentimos bem, dentro de nós surge uma gostosa sensação que nos traz paz e liberdade. Porém, se imaginem agora também em uma grande metrópole, mas em um terminal de ônibus, em avenidas cheias de arranha-céus e mais e mais concreto. O que sentimos? R: Aversão, angústia, enclausuramento e etc.

20170313193911211978u.jpgA fonte - Marcel Duchamp

Sans titre.jpgO nascimento de Venus - Sando Bocelli

Qual obra lhe causa uma melhor sensação?

Porém, com o advento da modernidade, que se fundou filosoficamente em bases niilistas e existencialistas, a arte ganhou uma nova finalidade: representar o real. A influência do niilismo ficou evidente, a arte gradativamente se focou em perturbar e quebrar tabus morais. Para os “artistas” modernos a arte não possui a necessidade de causar uma boa sensação, de representar uma ilusão, mas sim de trazer à tona o real, a angústia, a desordem, a noção do absurdo (existencialismo), contrariando assim, a estética.

Para o filósofo francês Jean Baudrillard a arte moderna por pecar no excesso de realidade, deixa de trabalhar no campo do desejo para focar em uma simplória ideia. Nessa relação desejo versus ideia, percebemos que nas obras clássicas podemos “viajar” muito mais dentro do mundo do autor e também no nosso próprio mundo. Através desse desejo criamos fantasias sobre o que trata a obra, sendo uma experiência demasiadamente criativa. Na arte moderna, principalmente a arte conceitual, ao nos depararmos com o que é considerado arte, a priori temos um impacto causado pela desordem e a feiura. Se tivermos sorte, a obra que vemos terá um significado (enfatizo, “se tivermos sorte”) e morrerá ali. Como a representação meramente realista, o desejo a ser criado no espectador é brutalmente assassinado, a obra não irá muito além da simples ideia que querem transmitir ao público.

129325-roda-de-bicicleta.jpg O exemplo de uma obra fundamentalmente modernista

A beleza para o filósofo Roger Scruton não é algo meramente subjetivo, mas sim está atrelado a uma necessidade universal do homem como ser. Porém, nosso mundo virou as costas para o que é belo, por isso estamos rodeados por feiura e alienação. A arte se tornou uma banalidade estética, o expoente máximo da arte moderna, Marcel Duchamp satirizava isso: “Ser bom nos negócios é o mais fascinante tipo de arte. Ganhar dinheiro é arte, trabalhar é arte e um bom negócio é a melhor arte”. Com essa afirmação, encerro minha crítica.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
Saiba como escrever na obvious.
version 30/s/artes e ideias// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Victor Oliveira