do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

O poder da arte: conheça a pintora mexicana Frida Kahlo

A arte tem o poder de embelezar nosso cotidiano. Para Schopenhauer as obras de arte eram um dos elementos estéticos capazes de suprimir momentaneamente o nosso estado de dor. O estilo de vida revolucionário de Frida Kahlo proporcionou obras singulares que marcaram profundamente o surrealismo da primeira metade do século XX, bem como o universo feminino, uma vez que foi e é um ícone do feminismo.


Única, intensa e revolucionária. Talvez esses sejam os melhores adjetivos que nos permite traduzir o estilo de vida da artista mexicana. Declaradamente comunista, convictamente feminista, Frida Kahlo, sem dúvidas, foi alguém a frente do seu tempo, tanto na arte como em seus ideais progressistas.

As cores de Frida Kahlo se destacam dos demais surrealistas, além disso suas obras são bem particulares fugindo um pouco do aspecto de sonho que é característica do surrealismo e se traduzindo mais como uma espécie de alucinação. Frida era sua própria personagem em diversas obras, vários quadros de Frida são selfs juntamente com elementos exteriores.

Apesar de ser considerada e apresentar muitas características surrealistas, Frida não se considerava uma, como ela mesmo dizia: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade". Segue então, cinco importantes obras a pintora:

Alguns pequenos beliscões apaixonados.jpg Umas facadinhas de nada (1935)

Pintura baseada em uma notícia de um jornal em que um homem bêbado mata a namorada com 20 facadas, sem razão nenhuma e ainda debocha afirmando que deu apenas "umas facadinhas nela". Com isso, Frida Kahlo já denunciava a violência sofrida pela mulher, sua arte era uma das formas de militância feminista. Tal obra, infelizmente, segue atual até hoje.

Detalhe chocante dessa obra é a permanência do homem na cena do crime, o que denuncia que a violência doméstica era considerado como algo banal no México durante a década de 30.

O suicídio de Dorothy Hale Kahlo.jpgO suicídio de Dorothy Hale (1938)

Esta é uma das pinturas mais chocantes e comoventes de Frida Kahlo. Nela é retratado o suicídio da atris hollywoodiana, Dorothy Hale, depois dela entrar em um quadro de depressão depois de perder o marido em um acidente automobilístico e ver sua carreira no cinema de mal a pior.

Pequena Frida Kahlo com a máscara da morte.jpgMenina com a máscara da morte (1939)

A personagem desse quadro é a própria Frida aos quatro anos de idade. Ela está vestindo uma máscara de caveira usada tradicionalmente no festival do "Dia dos mortos", onde no México é celebrado. A máscara perde o aspecto macabro face a pureza da menina, mas parece já antecipar o seu destino cruel.

O pequeno cervo, Frida.jpgO veado ferido (1946)

Frida Kahlo costumava representar-se em muitas obras, mas nessa ela se apresenta em uma situação diferente. Depois de mais uma operação na coluna sem sucesso, ela representa-se como um veado, frágil e indefeso condenado ao martírio, ao ser ferido por caçadores invisíveis na floresta. O veado da pintora pode ser comparado ao martírio de São Sebastião, tradicionalmente representado com flechas em todo o seu corpo e preso a uma coluna. Ao contrário do santo, contudo, o veado/Frida aparenda estar livre, no entanto, essa não é uma liberdade verdadeira: o labirinto de árvores aprisionam-na e impedem sua fuga.

Auto retrato com Stálin.jpgAutorretrato com Stalin (1954)

Esta foi a última obra da surrealista, feita poucos meses antes de morrer. Frida Kahlo tinha um relacionamento amoroso com o outro líder da Revolução Russa e arqui rival de Stalin, Leon Trotsky. Trotsky vivia com Kahlo e tinha se mudado recentemente para uma casa vizinha própria. O assassinato aconteceu praticamente na sala de Kahlo. Vinte anos depois, Kahlo parece ter se esquecido desse incidente e imortalizar Stalin neste auto-retrato.

Em 1954, já muito debilitada e sem poder andar, Frida contrai pneumonia o que levou ao seu falecimento. Porém, sua arte, seu modo de vida e seu ativismo fizeram com que sua obra e sua força se perpetuasse no tempo.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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