do ser

as reflexões que nos levam a construir nossas vidas

Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda.

A infelicidade humana e a comparação

A felicidade na sociedade contemporânea tem sido ligado ao prazer e ao status. A filosofia e a religião ao longo dos tempos sempre buscou refutar tal visão. Vamos conhecer um pouco mais sobre a acepção do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard sobre o tema.


Soren Kierkegaard foi um filósofo dinamarquês, considerado pela literatura acadêmica como o primeiro filósofo essencialmente existencialista. Ao contrário do que o existencialismo nos remete, Kierkegaard não foi ateu, sua formação era cristã e muitos de seus textos centram-se sobre a ética cristã.

Foi taxado como um existencialista, pois foi o primeiro de sua época a romper com os intelectuais idealistas, dando prioridade à realidade humana concreta sobre o pensamento abstrato e destacando a importância da escolha e do compromisso pessoal.

Portanto, diante dessa nova perspectiva em que o foco agora era na experiência humana, enquanto indivíduo, muitos de seus textos trataram sobre a angústia e o desespero humano. Tendo a fé como uma de suas fontes teóricas, Kierkgaard via na anulação dos desejos e no equilíbrio (e não no prazer), assim como os budistas e os epicuristas, como o caminho para a verdadeira felicidade. Tal análise pode ser melhor resumida por essa frase do filósofo:

"A raiz da infelicidade humana está na comparação"

Por certo, é impossível atribuirmos um quociente a felicidade, mas partindo de uma análise empirista vulgar, vemos que as coisas simples é que nos fazem felizes. É mais fácil encontrarmos em uma pessoa humilde, de uma favela, a alegria, simpatia e a prestatividade em participar de qualquer experiência singela de fazer o bem a outra pessoa, do que em um condomínio de alto status de um bairro nobre.

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É justamente por essa ganância, em ser melhor do que os outros, de nos compararmos materialmente, até mesmo com nossa família e amigos, que muitas pessoas são hoje frustadas e infelizes. Aqui vai uma dica de ouro: é impossível estarmos no topo o tempo todo, sempre vai ter alguém que vai estar em um momento ou condição melhor do que a nossa. Faz parte da vida :)

Lógico que não estou sugerindo que vocês façam voto de pobreza, que não procurem progredir financeiramente na vida. A humildade pode ser encontrada em qualquer classe social, o que falta é mais empatia, é conseguir ser feliz pelo sucesso do outro. A inveja e a falta de empatia tem adoecido nossa sociedade.

Portanto, vamos adotar uma nova visão, de não procurarmos nos comparar com ninguém, a não ser conosco, sempre procurando ser uma versão melhorada de nós mesmos.


Victor Oliveira

Formando em Direito na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Assíduo leitor sobre o que a filosofia pode corroborar com a formação do ser. Orientação política à esquerda..
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