doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia.

como o conhecimento nos torna mais humanos

Conseguimos ter todo um processo de aculturação de ideias. É a partir do conhecimento que buscamos ser melhores, isso parte das nossas atitudes que são reflexos daquilo que somos e fazemos, seja sozinho ou em grupo. Nós temos que entender que as palavras são muito mais que aquilo que saem das nossas bocas, elas são o que nós queremos dizer e como queremos dizer.


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Vivemos em um mundo cheio de ódio, no qual o desrespeito com o próximo é visto em todo lugar que estamos e olhamos. Isso nos indaga a pensar a razão dessa onda de rancor chegar de forma tão perspicaz. A falta de conhecimento sobre os contextos da vida daqueles que julgamos é um fator crucial para tal situação.

Se você parar e ler a História perceberá que não é de hoje que todas as injustiças sociais existem. Isso porque os valores patriarcais, a afirmação do poder do clero, e o menosprezo pelas outras culturas e raças sempre prevaleceram. Quando julgamos o homem medieval de bruto e áspero, não olhamos para a modernidade e refletimos que não foram tantas coisas assim que mudaram.

A luta nunca parou, de fato. Todo dia, os negros lutam para ganhar o respeito que já devia ser normal numa sociedade, todo dia, as mulheres lutam para não serem estereotipadas. Estereótipo. Essa é a palavra que culmina o círculo vicioso do preconceito. Infelizmente, essas amarras sociais fazem com que pratiquemos o desrespeito desde cedo e que isso ainda seja visto como algo normal. É nesse momento em que o conhecimento surge como a luz que nos faz exercer a empatia.

Se ler as obras dos poetas modernistas brasileiros, verá como eles procuraram quebrar o preconceito linguístico. Se ler Zygmunt Bauman verá como ele considera essa era em que vivemos como líquida, e saberá a razão disso. Se ler as notícias sobre as tribos indígenas, verá como eles são os verdadeiros donos do Brasil e que merecem ter sua história aprofundada em escolas, pois representam uma cultura rica, mas que infelizmente é estereotipada pela educação e pela mídia. Se ler Aristóteles verá como a sabedoria e a busca pela razão e pelo raciocínio torna tudo mais claro e esclarecedor. Se ler Clarice Lispector verá como vivemos epifanias constantes, pois vivemos.

O conhecimento nos torna mais humano, pois conseguimos ter todo um processo de aculturação de ideias. É a partir dele que buscamos ser melhores, isso parte das nossas atitudes que são reflexos daquilo que somos e fazemos, seja sozinho ou em grupo. Nós temos que entender que as palavras são muito mais que aquilo que saem das nossas bocas, elas são o que nós queremos dizer e como queremos dizer, elas destroem, elas acalentam, elas vivenciam a dor e o amor. As palavras buscam dizer aquilo que nós estamos sentindo e que precisa sair de nós, precisa ser compartilhado e ouvido, precisa tocar alguém. E quando toca, de fato, algo mágico acontece. Nos enxergamos no outro, e a troca recíproca é realizada. Está aí o grande artefato, o conhecimento aproxima ideias e dá vida a chama da essência de cada um.

A sensibilidade é afetada pelo conhecimento. As sensações nos motiva a viver e ter essa sede pelo saber. Quando você aprimora seu senso crítico, aprimora o ser humano que é. Quando você sabe lidar com razão e emoção, você sabe lidar com o mundo. É tudo um processo que requer tempo, dedicação, aprendizado, prazer, e principalmente a paixão pela vida e por toda essa arte que nos rodeia.

Todas as formas do saber promovem a arte. Tudo que mexe com quem somos e no que acreditamos é arte. Tudo que tem por finalidade prazer é arte. Ela está interligada com conhecimento, cultura, sabedoria, beleza, apreciação. Ela nos pega pela sensibilidade e, aos poucos, nos transforma. O sentido é aguçado, o sentido da vida é dado, e somos sentidos facilmente por quem está ao nosso lado e dividimos isso de uma forma concreta e feliz, gerando felicidade e amor.

Mas o saber não se busca sozinho, pelo menos não pode ser pensado assim. Em todo momento aprendemos com todas as pessoas. Sempre haverá exemplo a seguir, e exemplo a não seguir. Sempre haverá ensinamento e lição. Estar pronto para perceber isso é fruto de um exercício paciente. Ninguém aprende do nada, a dor tem que ser sentida, a felicidade tem que ser aproveitada, assim, nós saberemos diferenciar e levar para o resto dos nossos dias o que vivemos, não só no coração ou lembrança, mas também nas marcas que deixamos por quem passamos.

Uma vez eu ouvi uma frase que dizia: eu quero ser o homem que não envergonhe o menino que eu fui. A melhor forma de ser ou ter conhecimento é respeitar as suas raízes e as raízes dos outros. É ter sede pela generosidade e buscar a igualdade. É ser o orgulho sincero e a alegria prazerosa da criança que já fomos um dia.


natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia..
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