doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia.

Porquê o filme A Girl Like Her deveria ser exibido nas escolas

Mostra, de forma verdadeira, todo o contexto do bullying, que é praticado principalmente em ambientes escolares. É um filme forte, por vezes nos tira o ar, esfrega essa covardia na nossa cara, nos mostra que não é brincadeira, nos implora pra levar a sério.


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“A girl like her” é uma produção norte-americana que retrata o bullying, especialmente, nas escolas. Demonstra como pode ser um pesadelo a vida escolar sem que nenhum familiar perceba, mas também mostra o lado do bullie, do agressor, nos fazendo entender todo o contexto. Arrepia e sensibiliza, já que a dor e suas faces são muito bem exploradas.

A personagem principal é Jessica Burns: uma adolescente dócil e cheia de insegurança. Com apenas a amizade de Brian Slater, ela começa a sofrer bullying de uma ex-melhor amiga e mais algumas meninas. Por Jessica ser indefesa, Brian tenta ajudá-la e começa a gravar escondido – através de uma câmera disfarçada de broche.

Com os acontecimentos cada vez mais pesados e pertinentes, a garota não aguenta a pressão e tenta se suicidar, o que a faz ficar em coma. Isso decorre ao mesmo tempo em que começa a ser gravado um documentário na escola que ela estuda. A tentativa de suicídio, num colégio conhecido por ser seu excelente ensino, traz várias perguntas e instiga a investigação da causa do ocorrido.

A bullie, Avery Keller é a mais popular do colégio. Perto dos outros é simpática, mas com Jessica é completamente diferente. As violências físicas e psicológicas comovem, e nos faz perguntar o que a leva fazer isso. Avery tem uma família desgastada, não importa o dinheiro e o sucesso que a mãe tem. As faltas de amor, companheirismo e respeito demonstram as falhas cruciais para deixar a adolescente viver de uma maneira tão soberba e sem princípios.

Quem é vítima do bullying está sujeito não só à violência, mas também às consequências psicológicas, ao desprazer e ao medo de viver. Além de se sentir inferiorizado e não ter forças para lutar contra isso, sentir vergonha e não compartilhar o que está acontecendo. Já quem pratica, crê que tudo não passa de uma brincadeira, está apenas “zoando”, querendo ser legal na frente dos outros, descolado. Mas, na verdade, essa pessoa passa por grandes ausências e problemas, e a tentativa de diminuir e maltratar alguém é só uma forma de se sentir superior e melhor.

Não são apenas vítima e bullie, há mais gente nessa relação. A escola, que no filme não assume a responsabilidade que tem, participa junto à diretoria e aos outros alunos. Isso porque ninguém tomou medidas para que as ações parassem, ninguém teve coragem de denunciar o que estava acontecendo, ninguém procurou saber se era verdade.

A falta de empatia e de sensibilidade, o egoísmo individual e o caso de não se importar já que não o afeta são posicionamentos muito presentes na nossa sociedade. Deixamos tudo de lado e não nos colocamos no lugar do outro. Não olhamos com carinho e atenção para o que está acontecendo com os outros. Nos importamos conosco, e acreditamos que o resto não vale o nosso “precioso” tempo.

A cena mais emocionante é quando Avery se dá conta que é a culpada pela tentativa de suicídio de Jessica. O depoimento feito pela bullie emociona. Ali ela mostra a sua humanidade, a sua verdade, a fragilidade do agressor, a sua responsabilidade pelo acontecido, o seu profundo arrependimento. Por mais tarde que possa ser, o pedido de perdão sempre será bem-vindo, e nunca será tarde o suficiente, nós podemos assumir nossos erros e buscar melhorar como seres humanos. Devemos nos dar esta oportunidade, pois só estaremos fazendo o bem para nós mesmos.

Os familiares da vítima vivem a dor e o sentimento de culpa por não terem dado conta do que estava acontecendo com a filha. A partir daí, eles tentam superar a cada dia, não saindo do lado de Jessica. Infelizmente, às vezes, algumas coisas estão fora da nossa percepção.

Por que “A girl like her” deveria ser exibido nas escolas? Porque ele mostra, de forma verdadeira, todo o contexto do bullying, que é praticado principalmente em ambientes escolares. É um filme forte, por vezes nos tira o ar, esfrega essa covardia na nossa cara, nos mostra que não é brincadeira, nos implora pra levar a sério. Encarar as atitudes que afetam uma pessoa, e logo podem atingir outras, não calar a voz do respeito e sim ecoá-la. Mostrar que somos humanos e devemos lutar pelo bem de uma sociedade, sem dar vez para a autoflagelação, para o menosprezo, para a ignorância e a maldade. Somos melhores quando praticamos a empatia e acomodamos, em nós, o sentimento do próximo.


natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia..
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