doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte.

Sociedade dos Poetas Mortos permanece entre nós

A arte, o amor, os sonhos, o tudo de uma adolescência que nos acompanha para o resto da vida. Carpe diem para todos que acreditam que a vida vale a pena e cada segundo que perdemos, literalmente, perdemos.


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Esse filme nos presenteia com três palavras: sonhos, arte e proibição. A obra de Tom Schulman dirigida por Peter Weir apresenta o amor genuíno e intenso pela poesia e o teatro. Cabe a nós perceber o que mais querem nos dizer.

Neil representa todos àqueles que têm os sonhos ofuscados pelos desejos dos pais. Toda a arte que o cerca ele sente como se fosse tudo de bom que existisse no mundo. O que traz paz, o que transmite verdade, o que deixa uma reflexão.

Carpe diem, a grande mensagem deixada para quem desfruta desse filme. Essa frase nos encoraja a correr atrás de nossos objetivos, de fazer valer a pena nossos dias em vida, é isso que faz sentido, é viver com autenticidade, confiança, amor. A cada cena, uma poesia. A cada cena, um print para ser colocada legenda e postado em Tumblr ou Facebook. Desde quando o mundo é mundo os pais querem escolher por seus filhos, e na maioria das vezes, eles vencem. Sociedade dos Poetas Mortos mostra que esse poder fora do normal sob um adolescente pode ser catastrófico. Nunca se sabe o que passa pela cabeça de um jovem, nem pela cabeça de ninguém.

Permanece entre nós essa sociedade que prefere o prestígio da ascensão social em ser um médico ou juiz de direito, do que um poeta ou um ator cheio de amor e verdade. Permanece entre nós a falta de atenção para a arte. Ah, os artistas tão incompreendidos!

A amizade entre Neil e Todd demonstra a essência da verdadeira e pura amizade. O esforço para conseguir ver o outro feliz, a compreensão entre duas pessoas, o companheirismo. A reação de Todd com o final de Neil, a emoção de uma dor, de uma injustiça, de um abandono, de uma pressão.

O humor do Dalton, e sua busca por prazer e alegria, por liberdade. A paixão de Knox embalada pelo encorajamento de Carpe diem deixa claro, só aproveitaremos o dia, a semana, o mês, o ano, a vida se amarmos e sermos amados. Esse filme nos indaga: por que não aproveitamos o que, realmente, vale a pena? Por que tanta restrição aos prazeres da vida? Por que não podemos ser o que queremos ser? Por que querem escolher por nós? Por que quando crianças, podíamos ser o que quiséssemos e agora não podemos mais?

A verdade é que nos colocam ao mundo para que a cada dia nos descobrirmos, para sermos livres e aprender a viver. A magia da vida está nas coisas que valem a pena, e eu juro a vocês, o que vale a pena são sentimentos. Quando sentimos, sentimos a existência. Tudo parece ter sentido, nós damos sentido e também somos sentidos. E não há prazer maior. Não há felicidade maior.

Deveríamos nos impor mais as sensações e sentidos. Tomar café de manhã ao ler um livro. Encontrar com amigos nos finais de semana. Viajar. Dormir pra relaxar. Brincar como se fosse criança. Rir até a barriga doer. Olhar com carinho. Tocar com afeto. Ouvir com paciência. Aconselhar com sabedoria. Ter conversas, mas também rolar papos. Fazer de cada dia uma poesia.

Não nos restringir a palavra “adulto”. Sermos cada vez mais, e cada vez tudo. Diversidade é ser cultura. Pois os sonhos nunca acabam, e quando deixamos transparecer nosso lado mais sensível e verdadeiro, somos corajosos. Mas não há do que temer, há de lutar para conseguir viver o máximo possível com a ideologia do coração. Sociedade dos poetas mortos é uma dádiva. Não ganhou à toa Oscar de melhor roteiro de filme. Os diálogos incendeiam nossos corpos e mentes com vontade de aproveitar o dia. Sentir toda a fragrância da vida, e ficar impregnado de prazer.

Tudo na vida tem seu tempo, sua hora, seu momento. Apressar-se é arrepender-se. Deixar acontecer é ser pleno e conseguir contemplar cada acontecimento. Devemos continuar com a chama acesa dentro de nós, mesmo que por muitas vezes, não vejamos a luz no fim do túnel, uma hora ela aparecerá.

Não há razão para autoridade, não há motivo para mandar em alguém. A graça é a liberdade de cada um, o respeito entre cada um. Com isso não tem como dar errado. Só acrescentarão coisas. Então, caro leitor. Eu espero que tanto eu quanto você, possamos aproveitar cada dia da vida, e fazê-la valer a pena.

Pois eu te digo, ela é o que temos de mais valioso. E não há desperdício maior do que morrer sem ter vivido, de verdade. Se você é um Neil, peço para que seja forte e enfrente tudo pela arte, valerá a pena se é isso que te faz feliz. Se você for um Todd, sabe que tem uma luz incrível, deixe-se iluminar. Se você for um pai de Neil, pare de ser, analise, compreenda, respeite e apoie, seu filho só quer seguir as escolhas dele, assim como você já teve a oportunidade de seguir as suas próprias, e se não teve, sabe como dói. E se você não for nenhuma das três personalidades anteriores, leve consigo a melhor mensagem, não só a qual digo, mas a que você sentiu quando leu. Carpe diem, com todo amor, respeito e alegria. Que continue entre nós as belezas de uma obra prima do cinema de quase três décadas atrás. E que a reflexão ao assistir um filme, esteja sempre entre nós, pois nada nessa vida acontece por acontecer, você sabe disso, ou sabe, agora.


natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte..
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