doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte.

a cultura da liquidez

​Bauman já dizia que há diferença entre o amor e o desejo. O amor é zelo, cuidado, afeto, enquanto o desejo é carnal, imediato, satisfação. O amor aceita que haja o desejo, mas este não aceita que haja o amor. E nós nos encontramos em um mundo cada vez mais individualista, onde as pessoas se isolam e constroem relações tão breves que ficam precisando de outro carregador rapidamente.


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Vivemos em um mundo rodeado de conexões. Conexões essas que logo são desconectadas e cada fio procura outro lugar para se conectar. Este outro lugar é nada mais, nada menos, do que outra pessoa. Vivemos relações líquidas.

​Bauman já dizia que há diferença entre o amor e o desejo. O amor é zelo, cuidado, afeto, enquanto o desejo é carnal, imediato, satisfação. O amor aceita que haja o desejo, mas este não aceita que haja o amor. E nós nos encontramos em um mundo cada vez mais individualista, onde as pessoas se isolam e constroem relações tão breves que ficam precisando de outro carregador rapidamente.

​Por que vivemos tempos líquidos? Por que somos dependentes do amor? Por que buscamos alguém? Por que queremos nos conectar fortemente a alguém? Todas essas perguntas giram em torno de uma só: por que o amor é necessário?

​O que vale a pena nessa vida são as relações humanas, nascemos e crescemos querendo receber afeto, querendo se sentir acalentado, pois não temos controle sobre nossas emoções. É involuntário. É típico do ser humano. É vital.

​O amor tem inúmeras definições, nenhuma concreta, todas subjetivas. Cada definição parte do modo que cada um o sente, o entende. Cada definição tem a sua particularidade, singularidade. Falar de amor é papo sem fim e indagações sem limites. ​Partimos de papos e teorizações, aquela velha coisa de que a teoria é uma coisa e a prática é outra. Se o amor tivesse receita todo mundo estaria arranjado. A prática dificulta, pois ela é a parte real, nela somos colocados cara a cara com o que pode acontecer. É complicado ceder, renunciar certas coisas, praticar o amor em todo o seu significado, ainda mais quando a gente não sabe com concretude tudo o que ele requer.

​Na sociedade em que vivemos tem faltado o olhar com os olhos de quem quer ver, dar a cara a tapa, conhecer de verdade, não passar despercebido, viver. Mas é raro encontrar quem se propõe a isso, quem se propõe, quebra a cara, mas continua com essa crença.

​O que temos que levar conosco são os melhores momentos, as melhores lembranças. Seja qual for o tipo de amor, o tipo de relação, seja qual for. Que sejamos acrescentados e não completados. Que saibamos reconhecer o outro. Que saibamos olhar. Que saibamos respeitar. Que saibamos dar a oportunidade de conhecer. Que saibamos não julgar, não estamos aqui pra isso. Que saibamos pedir perdão e aprender com os nossos erros. Que saibamos nos propor ao amor. Que mesmo em tempo líquidos, nós saibamos ser concretos.​Sem rivalidades. Com companheirismo. Sem ódio. Com amor. Sem preguiça. Com disposição. Sem dor. Com prazer. Sem mentira. Com verdade. Sem idealizações. Com realidade. Sem perfeição. Com erros.

​O que nos resta é acreditar, continuar acreditando. Quem sabe um dia tudo faça sentido, ou, pelo menos, tudo seja sentido. Não somos feitos para durar, mas seria bom construir algo que durasse o mesmo tempo que nós, seja em forma de laços ou/com nós.


natally rodrigues

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