doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia.

a arte como um grito da linguagem

Enfim, que nós olhemos com mais afinco para os detalhes que constituem a vida humana e saibamos enxergá-los com destreza. Que saibamos conscientemente da força que as palavras carregam, de toda a história e significado que cada uma traz. E a arte é um grito silencioso carregado de linguagem e emoções.


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A arte rodeia tudo o que fazemos e produzimos, ela carrega todo um sentido e um significado. Trabalha com a subjetividade de cada um de forma objetiva e assim brinca com o poético, o imagético e a alma. Um importante detalhe que nos esquecemos de olhar é que a arte é um dos principais instrumentos da linguagem.

O que nos leva a atribuir significado para uma representação é a interação que temos com o meio social. Isso se delonga nos estereótipos criados e cultivados pela sociedade. A partir do momento que é repassado em uma cultura em massa determinados tipos de beleza e modos de vida criam-se formas de levar a vida até que chegue a determinado horizonte, e isso é apenas reproduzido sem nenhum cerne de reflexão ou olhar crítico. O preconceito tanto está presente nas obras de arte como fator questionador para gerar conscientização quanto uma obra que se alimenta exatamente de estereótipos e a mídia cultua e propaga como ideais.

A partir disso, nenhum objeto é um objeto em si, mas o que vemos dele, como o interpretamos. Ou seja, o que ou para que nós temos exatamente olhado? O que realmente enxergamos ou procuramos enxergar? Temos nos deixado levar pela ideologia individualista e racional? Até que ponto nos permitimos olhar com afetividade para o outro e nós mesmos?

Outro ponto relevante é sobre os paradigmas criados que podem propiciar coisas terríveis, justamente pela rigidez em fluir visões de mundo. A linguagem é um objeto do homem, a partir dela há a comunicação. É exatamente nessa relação da linguagem existir por si só e também pelo que o mundo demanda que se dão os diversos signos. Somos mediados por símbolos interligados aos signos, e então temos a representação simbólica. Uma forma de demonstrar o nosso eu, a nossa identidade, com o que nos identificamos e o motivo disso. É o resultado de cada indivíduo, mas este é influenciado pelo meio, por exemplo, a tatuagem pode ser a representação de algo mais pessoal e singular, enquanto a cultura representa algo mais grupal, uma sociedade, um país inteiro.

A arte é porta voz. Ao mesmo tempo em que ela tem o sentido e a subjetividade de quem a cria, ela também tem o sentido e a subjetividade de cada um que a interpreta. Um instrumento da linguagem humana, por isso ela é utilizada como um meio para críticas e reflexões sociais. Somos influenciados quando entramos em contato com a arte, com um texto, uma poesia, um vídeo, uma fotografia, um quadro, etc. A energia e o sentimento da troca entre estes objetos que formam a relação, a interação e faz com que tudo tenha papel de produto e produtor na nossa sociedade. A arte assim como a linguagem tem o poder de indagar, questionar, comunicar e também interiorizar e exteriorizar ao mesmo tempo.

Enfim, que nós olhemos com mais afinco para os detalhes que constituem a vida humana e saibamos enxergá-los com destreza. Que saibamos conscientemente da força que as palavras carregam, de toda a história e significado que cada uma traz. E a arte é um grito silencioso carregado de linguagem e emoções.


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Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia..
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