doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia.

o amor é um produto da cultura

A cada estereótipo alimentado na sociedade em que vivemos nos tornamos mais reféns de nós. Logo, que as pessoas continuem amando e acreditando em seus ideais, mas não deixem de vê-los com uma consciência crítica. Cada um é muito além das suas próprias representações.


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Se um grito de verdade para destruir a humanidade fosse dado, certamente as palavras ditas seriam que o amor não existe. Se pararmos para refletir e questionar a existência de cada coisa que está ao nosso redor, nós poderemos enxergar inúmeras coisas de diferentes formas, mas predominantemente que são coisas alimentadas culturalmente, repassadas, todas com a sua dose de tradição.

Mas como o que todo mundo busca pode não existir? Como pode ser um mero sentimento cultivado culturalmente? Em nossa sociedade, nós vivemos enraizados em papéis que determinam de qual maneira cada ser humano deve agir, e ai de quem contrariar este papel.

O social nos constrói, não teria como o indivíduo ser ativo em seu perceber se não existisse o que perceber, e de fato o ambiente colocado pra gente é um ambiente histórico, social e material. A partir das relações humanas construídas, o ser humano vai se moldando de acordo com o outro, o mundo e diagnosticando aquilo que mais lhe atrai.

Dado que vivemos em um mundo em que as informações são repassadas de tempo em tempo como algo normal e então predominando uma consciência ingênua, nós ficamos fadados a não refletir sobre questões ditas como verdades absolutas. Eis que surge o amor, o sentimento mais importante e que muita gente morreria para poder vivê-lo em sua graça.

O ser humano tem a incrível capacidade de conceituar tudo o que o cerca, mas quando se fala de amor é difícil chegar a uma definição só. Seria o amor o ponto máximo da representatividade da necessidade do indivíduo em se sentir acolhido, da carência ser uma das coisas mais aversivas? Então, em consequência disso nós criamos ou inventamos algo que supra a sensação de desamparo? E saímos gritando aos quatro cantos que o amor é o que existe de mais sincero e bonito nesta vida.

Quem foi que nos ensinou a amar? O amor é um produto da vida em sociedade? Seria o motivo de ele estar sendo descartado como se fosse nada? É nada? Problematizar o amor é angustiante? Se amar é uma escolha, o que o torna tão difícil de ser alcançado?

A cada estereótipo alimentado na sociedade em que vivemos nos tornamos mais reféns de nós. Logo, que as pessoas continuem amando e acreditando em seus ideais, mas não deixem de vê-los com uma consciência crítica. Cada um é muito além das suas próprias representações. Por exemplo, o veículo artístico é uma possibilidade de se idealizar ao mesmo tempo em que se é tu e o outro. Não é por alguém ser poeta que tal sabe amar ou é um mestre sobre o assunto. Já dizia Cássia Eller, “eu sou poeta e não aprendi a amar”.

Nós somos seres interdependentes, por mais que sejamos individualistas e consigamos nos virar tão bem sozinhos, há todo um conjunto de relações por trás. Aos poucos, a vivência nos molda. É preciso conhecer ao que estamos sujeitos para poder nos reconhecer. É preciso saber das nossas falhas, dos nossos acertos, da nossa finitude. Para crescermos além das possibilidades as quais nos são postas. Para acreditar no amor, no seu próprio conceito de amor ou não acreditar.


natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora do livro de poesias "Doce Menina" e graduanda em Psicologia..
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