doce menina

a essência daquilo que se é

natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia.

o medo do incontrolável e a perda humana

A gente não faz a menor ideia do que está fazendo aqui, talvez isso explique o caos e a sede por controle


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Esses dias eu tive uma aula em que o professor falou sobre o medo do incontrolável, sobre como nós ficamos ansiosos a espera de que algo ruim vai acontecer, e esse sentimento de ruína vem por meio de uma falta de controle. Isso me fez pensar sobre uma conversa que eu tive em uma mesa de bar com um amigo, ele me falou que amar é deixar o controle. Putz, amar é deixar o controle? Mas o ser humano tem um medo terrível do incontrolável, e aí? Como é que faz?

Muitas vezes não faz, há uma grande dificuldade em se entregar em relações profundas, ultimamente. A sociedade tem lidado com o raso, muito carregado de um egocentrismo por situações justificadas como amor próprio, mas as pessoas falam de amor como se soubessem o que ele, realmente, é. Quem aqui amou? Quem aqui se sentiu amado? É uma peculiaridade humana em que poucos tem a sensibilidade de se expor, a coragem do sentir e viver o sentimento tem sido escassa. Quantas palavras estão sendo ditas ao mesmo tempo que se encontram tão vazias de significado.

Porém, há aqueles que caminham pelo outro lado da vida. Aqueles que sentem e se deixam levar a partir desse sentimento. O problema, talvez, seja quando essas pessoas são decepcionadas. Por que voltaria a acreditar e se deixar levar pelo amor novamente, ainda mais no mundo atual? Complicado. Quando alguém é muito ferido pelo outro, o coração fica ressabiado de deixar alguém se aproximar novamente, a dor de um amor, de uma perda significativa é pior do que a morte. Ela dilacera mais que órgãos, ela dilacera alma, e a pior parte é que a gente não consegue compreender o motivo pra tanto sofrimento, pra merecer todo esse caos.

O que eu posso dizer é que o medo do incontrolável só nos permite ficar mais presos em nós, só colabora para que a gente não se permita amar e se relacionar com o outro de uma forma recíproca. Esse medo ele trava. Ele não deixa a gente progredir como ser humano. A necessidade de ter controle de tudo advém, por vezes, de uma falta. Uma falta de amor, talvez. E por que não nos permitir amar, então? Claramente haverá perdas, frustrações, pessoas que vão nos causar dor e isso é deprimente, mas haverá quem vai te dar todo o amor que você merece, só que conseguiremos chegar neste ponto se continuarmos a andar por meio do incontrolável.

Deixar o controle é o que de mais humano podemos fazer. Amar em sua literalidade é o que de mais humano podemos fazer. Tem tanto absurdo ocorrendo diariamente por mãos controladoras que uma alma respira levemente quando se depara com outra alma que também está disposta a profundidade. O incontrolável é natural, às vezes, tudo que a gente precisa é de naturalidade, principalmente no amor. E a gente sente isso quando não consegue controlar um sorriso ao ver quem a gente quer bem. A gente sempre sabe quando não está no controle e por isso a gente escolhe agir de um modo ou de outro.


natally rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia..
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