doce menina

a essência daquilo que se é

Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia.

as amarras sociais e a inverdade do eu


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Um assunto que merece reflexão é a questão das amarras sociais e a inverdade do eu. Com isso, eu quero dizer sobre como o indivíduo fica ao decorrer do tempo sendo refém daquilo que a sociedade, ou grupo mais próximo de pessoas coloca, como se houvesse uma verdade absoluta e incontestável baseada no que sempre foi tido como tradicional.

Atualmente, a gente se depara cada vez mais com pessoas que buscam negar quem elas são, acreditam, gostam por causa do que a sociedade vai dizer. A partir disso, a gente se torna preso ao social, ao que por ele é visto como positivo, embora isso não seja, de fato, positivo e saudável para o indivíduo que vive de tal forma. Por exemplo, a gente vive em uma sociedade que cada vez mais está ligada à questão da produtividade, como se a gente existisse excepcionalmente para garantir a produção de mercadoria e o consumismo. Nesse movimento, por vezes, a gente acaba negando o nosso próprio desejo profissional.

Outro ponto é o desequilíbrio do nosso processo de identidade, sobre a pessoa não possuir autoconhecimento, sobre estar à mercê do outro, sobre saber os seus desejos porém não reconhecê-los ao ponto de escolher viver de acordo com eles, mas sim trancafiá-los.

A gente apresenta uma postura completamente reforçadora para as questões sociais e isso abrange as desigualdades existentes, porque a gente reforça toda essa forma de levar a vida em um processo de negação de quem se é, de priorização de lucro, imagem e poder. É importante que a gente pense a respeito disso, porque é essencial que a gente obtenha consciência não só de quem a gente é ou deixa de ser, mas também do papel social que cada um exerce. Acreditar que as suas ações vão afetar somente você é cair em um completo egoísmo, pois somos seres sociais, interdependentes, não é possível nascer e sobreviver sozinho nesse mundo.

"Ah, então eu tenho que viver pra sociedade e de acordo com o que o outro espera de mim?" Não. A gente como ser humano tem que desenvolver a consciência sobre quem a gente é na vida privada, quais os nossos desejos pessoais, aquilo que nos move, o que a gente acredita, e junto à isso desenvolver também a consciência sobre a nossa vida pública, que interfere totalmente na vida como sociedade. A grande questão é que a gente tem procurado viver em oito ou oitenta, como se o equilíbrio e a junção desses dois papéis não fosse possível.

Essa semana ouvi uma frase de uma professora do curso de Psicologia, ela disse "a importância de ouvir aquilo que não sou eu". Pra tomar consciência de que existe diversidade é essencial que o ser humano saia da sua bolha, veja além do seu próprio umbigo. Se dar conta de que a gente está em desenvolvimento e a cada dia a gente pode tentar ser melhor do que a gente é hoje, mas não em um sentido competitivo de ser melhor do que o outro. Em um sentido de ser melhor para um mundo melhor, para as pessoas que interagem comigo rotineiramente e aquelas pessoas que podem ser afetadas dependendo das minhas ações mesmo que haja uma distância entre a gente.

Pra encerrar, deixo uma mensagem que também ouvi de um professor nessa semana. Viver é estar em contato direto com a incontrolabilidade da vida e é importante que a gente tenha laços saudáveis. Acrescento que em um sucinto resumo, a vida nos pede coragem dado que ela é incontrolável. A gente procura em um movimento contrário obter o maior controle possível, mas a gente não controla o outro, e caso a gente controlasse, a gente estaria privando o outro de ser quem ele é. O outro não existe para nos satisfazer, ele existe para nos acrescentar. Espero que ao transcorrer do tempo, a gente fique mais lúcido sobre a nossa potencialidade em afetar o mundo em que a gente vive, assim como a gente também é afetado por ele.


Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia..
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