doce menina

a essência daquilo que se é

Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia.

é necessário falar de amor, é necessário falar do outro e do social


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De quantas certezas são feitas uma vida? De quantos desafios uma vitória é composta? Por que a gente insiste em romantizar o que não deveria ser romantizado? Desde quando superação deve ser vista como exceção, se ninguém olha de fato para a situação que deixa aquela pessoa vulnerável e tendenciosa a "ter" que se superar?

Nunca senti tanta necessidade de falar sobre o amor, como sinto nos últimos momentos. Mas dessa vez, não é um amor romântico ou fraterno, é o amor ao próximo. Não carece vir aqui e escrever um imenso texto em quantidade de caracteres, hoje o texto vem mais claro e objetivo.

Penso em como uma pessoa pode considerar-se íntegra e humana, quando fecha os olhos para as questões sociais que permeiam uma vivência. Ninguém que exista hoje como ser humano pode dizer que se basta, se bastasse, desde criança você seria independente e a gente sabe como uma criança precisa receber cuidado, caso o contrário ela falece. E quando a gente cresce, a gente atinge autonomia e uma certa independência, mas continua a ser até o resto dos nossos dias um ser interdependente. A gente precisa do outro, como precisa do ar para sobreviver.

Por meio de uma crença reflexiva, eu não me desassocio do ser social. Eu sou um processo constante de variadas transformações por meio de inúmeras interações, essas que vem na maioria das vezes do outro. O que eu quero dizer é que existem regras sociais, existe cultura e existe toda uma sociedade que vem postulando há séculos inúmeros pensamentos. E quando a gente não para e reflete sobre o nosso mundo atual, a gente é permissivo. Com isso, eu quero dizer que a gente é conivente com uma sociedade racista, lgbt+fóbica, patriarcal, machista, capacitista, etc.

Obviamente, ninguém está dizendo que vai mudar o mundo de uma hora pra outra. A sociedade e seus valores são resultado de um processo de milênios que reforça a hierarquia, o poder, o desprezo entre as classes. É importante que a gente saiba o valor das políticas públicas para sonhar com uma sociedade mais justa e com equidade.

É necessário que a gente saia da nossa bolha, por mais não perfeito que aparente ser a nossa vida individual. É válido que a gente olhe com os olhos de quem quer ver e enxergue, de fato, enxergue o outro, este que nos compõe. Falhar como sociedade é falhar devido a uma falta de conscientização, de empatia, de humanidade.

Me questionei várias vezes se cabia dizer que as pessoas estão doentes, sinceramente, eu não acredito que estejam. Como diz Nando Reis, o mundo está ao contrário e ninguém reparou. Nem com uma pandemia, nem com uma criança grávida vítima de estupro.

Li sobre assistir pessoas que deram certo. Como se a gente tivesse que lutar para também ser visto como uma exceção e ganhar destaque na mídia por isso, penso nos discursos que impulsionam "faça aquilo"; "se torne fulano". E o ser humano tenta cada vez mais se encaixar e ficar prisioneiro de si. Enquanto tantos outros, não tem a oportunidade de receber dicas valiosas "para se chegar lá". Tudo isso recebe destaque, menos a elucidação de que vivemos um problema social. A banalização completa sobre qualquer decorrência do existir que teve algum direito básico violado.

Experimente amor, respeito, pensamento crítico e bom senso.


Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia..
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