doce menina

a essência daquilo que se é

Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia.

o papel da parentalidade na construção do ser


2.png

As nossas principais reflexões sobre quem somos ou deixamos de ser, nos leva ao percurso de vida que tivemos até determinado momento. Para isso, é necessário uma conexão consigo que nem todos possuem de imediato. Às vezes, nos colocamos à mercê, repetindo o movimento de outras figuras que também nos colocaram de lado.

Um aspecto muito importante para a construção do ser é a parentalidade, que por vezes não exercida de maneira devida, o indivíduo encontra em seu convívio social outras pessoas que realizam as funções parentais, seja de forma mais amena ou não.

No exercício da parentalidade visualizo como essencial e base para qualquer outra atitude o amor incondicional. Aquele sem condições, sem pré-determinações, um amor que não idealiza uma criança. A idealização vem de um processo, muitas vezes, narcísico, em que os pais colocam os seus desejos e os seus anseios sob o filho. Qual o problema de idealizar um filho?

A idealização não é a realidade. O que pode ocasionar um movimento parental que aniquile os desejos que são da própria criança, ela nega aquilo que realmente deseja na tentativa de agradar aos pais. Ou seja, dessa maneira ela nega quem ela é e busca assiduamente ser quem ela não é, como se a mentira de tantas vezes emitida fosse virar a verdade.

Em outros momentos, a parentalidade é exercida de forma superprotetora, o que também acarreta consequências negativas para o desenvolvimento do sujeito. Propicia a construção de um ser que não acredita ser capaz de efetuar determinadas tarefas, pois não é estimulado a tentar e sim há alguém que supre todas as suas necessidades por ele. A falta de estímulo incide que o indivíduo apresente dificuldades, principalmente em suas relações interpessoais. Em contrapartida, há pais que se ausentam e são negligentes quanto à educação do filho. O que pode ocasionar uma falta de referência, além de sentimentos de rejeição e abandono que perpetuarão no futuro e deverão ser trabalhados.

Não só o amor parental, como qualquer outro tipo de amor não aprisiona, assim como não abandona. O amor é cultivado, construído, alimentado pelas duas vias. Ora um precisa de ajuda, ora outro precisa ajudar. O amor parental é companheirismo, é saber ser base para que uma criança confie o suficiente em você ao ponto de crescer com liberdade e com a consciência de que aconteça o que acontecer, sempre haverá um colo para ela voltar.

Se as pessoas tivessem mais consciência e praticassem uma educação positiva, o que não requer punições severas, ameaças e desconsolo, muito provavelmente a gente teria adultos melhores e consequentemente um mundo e uma realidade melhores, também. Há uma frase muito interessante que diz "o que se vê no filho/no mundo é o que se leva dentro de você. E isso abrange outras visões de coisas e pessoas que possuímos.

Seja adulto, seja pai, seja mãe, seja só um conhecido, o detalhe para relações humanas mais frutíferas e, de fato, positivas requer que a gente seja bom ouvinte. Sim, bom ouvinte no meio dessa sociedade tão egocêntrica que estamos atualmente inseridos. Ouça com o coração. Para papais e mamães: permita que seu filho se sinta acolhido e a principal casa dele seja essa relação parental.


Natally Rodrigues

Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte. Autora dos livros de poesias "Doce Menina" e "Viver é um pecado mortal", graduanda em Psicologia..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Natally Rodrigues