dois bits

neste espaço fazemos reflexões sobre a vida e a liberdade.

Pedro Silveira

escavo a mente atrás de palavras enquanto viajo o máximo que posso.

sua aparência diz sim muito sobre você

Dizem que a aparência não define ninguém, mas na verdade ela diz sim muito sobre você.


Estilo Viking

Ele decidiu experimentar algo novo. Pegou a máquina e raspou o cabelo bem curto dos lados, deixando mais comprido em cima. Não era lá um corte revolucionário, mas ele sabia quais seriam as reações de amigos e parentes.

De "bicha" a "ridículo", o pobre novo corte de cabelo, que tinha acabado de ganhar vida, foi chamado de tudo.

O simples ato de você escolher uma aparência ligeiramente fora do mais comum incomoda os outros. Alguns não conseguem se conter. Aparece neles uma vontade interna irresistível de falar alguma coisa de ruim sobre a aparência alheia. Não pela aparência em si, mas por ser algo diferente do que estão acostumados.

Fazemos isso com mais frequência do que gostamos de admitir: rejeitamos o novo. Ridicularizamos o que não entendemos e o que destoa daquilo que acreditamos ou que estamos acostumados. Quando alguém acha que o próprio corte de cabelo é o "certo", então naturalmente um corte que seja muito diferente é errado.

"Alguém te obrigou?", perguntaram pra ele meio brincando, meio falando sério. Esse tipo de reação era o que o deixava inseguro antes. Alguma coisa restringia a sua vontade de mudar a aparência como bem entendesse, mas não agora. Agora ele estava mais confiante.

Passou a não ter medo do julgamento alheio. O que os outros achariam ou deixariam de achar parou de ter tanta relevância pra ele. A mudança de estilo foi apenas uma ramificação de uma mudança mais profunda, de mentalidade e atitude.

Ele passou a não se preocupar em parecer normal, mas sim em parecer como quer parecer.

A aparência diz sobre quem você é porque mostra o quanto você é você mesmo. Mudar um cabelo ou se vestir com roupas que você quer, gosta e se sente confortável pode exigir coragem. Se você faz tudo isso como quer é porque deixa seus gostos pessoais mandarem - e quem melhor que eles para mandar em alguma coisa?

Fonte: Unsplash de Cherry Laithang

Por diversos motivos temos medo de sermos julgados e assim tentamos nos comportar como normais, evitando que o julgamento alheio paire sobre nós. Ainda que muitas vezes inconsciente, isso é covardia.

É covardia reprimir sua essência, seu eu interior. É covardia se vestir como os outros por medo. É covardia não pintar o cabelo porque vão falar de você. É covardia fazer coisas, mesmo que não relacionadas à aparência, porque outra pessoa quer.

Sem nosso eu, sem nossos próprios gostos e vontades, somos mais uma peça de uma fábrica com produção padronizada.

Esse tipo de covardia é rotineira, normal e se manifesta em quase todos nós. Mas o quanto você deixa ela falar mais alto determinará o quanto você é você mesmo.

No fundo, você e só você sabe: sua aparência e suas atitudes mostram quem você é, ou mostram quem os outros querem que seja?

Artigo originalmente publicado aqui.


Pedro Silveira

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