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De tudo um pouco.

Adriana Gandelman

Gosto de letras, livros, quadros, filmes, vinhos, lugares, línguas, cheiros, papos amenos, gargalhadas, músicas, silêncio, abraços, lembranças

O Teorema do macaco infinito

Um ensaio sobre macacos, Shakespeare e matemática.


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Sorte, chance e acaso sempre intrigaram a natureza humana e em determinado momento o homem começou a usar a matemática para tentar explicar estes fenômenos. A teoria da probabilidade permite que se calcule a chance de ocorrência de um resultado em um experimento aleatório.

O lema de Borel-Cantelli, desenvolvido pelos matemáticos probabilistas Borel e Cantelli no início do século XX, é um célebre lema da teoria de probabilidades. Este lema garante que se algo possui uma chance de acontecer e for tentado um número infinito de vezes, isto acontecerá com 100% de chance, mesmo que esta chance seja ínfima.

O teorema do macaco infinito é uma metáfora para um dispositivo abstrato que ilustra a teoria da probabilidade matemática. Segundo ele, um número infinito de macacos teclando aleatoriamente as teclas em um número infinito de máquinas de escrever por um tempo infinito, eventualmente produziria um trabalho qualquer ordenado, como uma obra de Shakespeare.

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O macaco tem uma chance remota de digitar toda obra de Shakespeare corretamente, porém se ele tentar infinitas vezes, ele eventualmente terá êxito.

É claro que com o desenvolvimento da tecnologia, alguém tentaria colocar a teoria em prática. Coube a Jesse Anderson, um programador americano, criar uma batalhão de macacos virtuais. Na verdade, são milhões de programas de computador digitando caracteres randomicamente. De fato, os macacos digitais conseguiram produzir 38 obras de Shakespeare de forma aleatória. O mais curioso é que Anderson afirmou em seu blog ter se inspirado num episódio do desenho ‘Os Simpsons’ para desenvolver seu projeto. No episódio “Última saída para Springfield” de 1993, o Sr. Burns leva Homer a sua mansão e revela a existência de mil macacos digitando em mil máquinas de escrever. Ele diz: “ Em breve eles terão escrito o melhor romance de toda a história. Vamos ver... (pega um texto e começa a ler). ‘Aquele foi o melhor dos tempos, foi o xyzior (n.a.: pior) dos tempos!’ Seu macaco estúpido!”, numa alusão à frase inicial do célebre livro de Dickens, “Um conto de duas cidades”, publicado em 1859.

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O programa desenvolvido por Anderson compara os resultados digitados pelos macacos aos textos de Shakespeare. Se algum trecho ou palavra for identificado como sendo idêntico, este pedaço é marcado e o processo se repete até que todas as palavras tenham sido criadas de forma aleatória. Especialistas reconhecem que o experimento não é perfeito e o programador se deparou com alguma críticas ao longo do caminho. Anderson estava ciente das limitações do projeto, mas alegou que fez o que podia de forma criativa com recursos limitados: “É um pequeno passo para um macaco, mas um passo gigante para os primatas virtuais ao redor do mundo”.

Para quem tiver curiosidade, o teorema do macaco infinito foi abordado diversas vezes pela cultura pop, não só em desenhos animados como “ Os Simpsons” mas também em filmes (O Guia do Mochileiro das Galáxias), anúncios publicitários (não veiculados no Brasil), séries de TV (That ’70s show), cartoons (Dilbert) e em vários outros meios.

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Mais sobre o projeto de Jesse Anderson aqui.


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