drynotes

O olhar de fora que observa e anota.

Gabriel Kato

Músico frustrado e administrador insatisfeito.
Tenta correr atrás das coisas que fazem bem.
Observa, reflete e escreve.

Não discutimos nossas ideias. Pregamos nossas verdades

O tempo avança mas nossa habilidade de discussão retrai.
Não argumentamos, brigamos.
Não ouvimos, impomos.
Somos donos absolutos da verdade que existe somente em nossas cabeças fechadas.


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Existe uma frase que já está completamente banalizada, e que muita gente já postou nas redes sociais alguma vez na vida. Eu falo daquele clássico provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” Não vou questionar se foi mesmo um sábio chinês que disse isso muitos anos atrás. Tampouco vou analisar a fundo a filosofia por trás de toda essa frase e seus elementos. Não. Eu vou pegar apenas a parte da palavra pronunciada, porque achei que seria um bom gancho para começar meu texto.

Fato é que as palavras podem machucar. E por mais que desculpas existam, é difícil apagar das lembranças algo que foi dito e que foi marcante. Por isso diz-se que a palavra pronunciada nunca voltará para a boca de quem falou.

Contudo, acredito que grande parte das feridas causadas pelas palavras esteja mais relacionada à maneira com que elas foram ditas do que com o significado delas em si (excluindo-se palavras cujos significados já sejam ofensivos, como os palavrões. Nesse caso não importa como se fala, é sempre ofensivo).

Cada vez mais parece que estamos perdendo gradativamente a nossa habilidade de conversar uns com os outros e de discutir civilizadamente. É normal as pessoas possuírem pensamentos e opiniões diferentes, o que não é normal é não aceitar que existam essas diferenças.

Vejo muitos casos onde uma conversa que tinha tudo para ser muito produtiva e construtiva, acabar se tornando uma guerra entre certezas de pessoas que se consideram donas da verdade. E então toda a argumentação é transmitida com uma agressividade quase que física.

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Eu fico me questionando sobre o porquê das pessoas terem tanta certeza daquilo que pensam. Será que nunca consideraram a ideia de que possam existir diferentes pontos de vista, e que não faz mal algum você mudar de opinião, ocasionalmente? Será que nunca consideraram que elas poderiam efetivamente estar erradas? Ou será que é mesmo somente falta de empatia?

Nada é pra sempre, e as opiniões também não deveriam ser.

O problema é que esse vírus da verdade absoluta parece estar se espalhando pelo mundo todo. E enquanto não soubermos reaprender os princípios da gentileza e da empatia, palavras mal ditas e mal compreendidas vão continuar sendo o estopim para muita guerra.

Antes de apontar o dedo pro coleguinha e dizer que ele está errado, postar no facebook e fazer disso a piada do ano, precisamos muitas vezes parar e questionar sobre nossas verdades, se elas fazem sentido e se estamos abertos para ouvir outros pontos de vista. Ter certeza sobre tudo é ser cego. Já dizia o grande mestre Girafales: “Somente os idiotas tem plena certeza do que dizem.”

Sempre existem outros pontos de vista, nada é único. Vamos abrir a cabeça e o coração. Não seja idiota.


Gabriel Kato

Músico frustrado e administrador insatisfeito. Tenta correr atrás das coisas que fazem bem. Observa, reflete e escreve..
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