e a vida o que é diga lá meu irmão

Pensamentos transformados em palavras

Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br

Conhecimento ou decoração? Sobre o que se faz da gente ou o que a gente faz

A educação se esqueceu de educar. Vivemos a fase da infância a decorar: cores, números, tabuada, rotinas, passos. Decoramos nosso interior com a maior quantidade de processos e aprendizados que nosso cérebro possa abarcar. Vivemos sentimentos variados, mas a rotina não nos deixa digeri-los.


me-as-a-child-1550424-1919x1371.jpg A educação se esqueceu de educar. Vivemos a fase da infância a decorar: cores, números, tabuada, rotinas, passos. Decoramos nosso interior com a maior quantidade de processos e aprendizados que nosso cérebro possa abarcar. Vivemos sentimentos variados, mas a rotina não nos deixa digeri-los. Logo, o sono deve chegar, sem tempo de conversar. Conversar na infância? Só na hora certa! É na escolinha, chegada da turminha, na volta do final de semana, na rodinha de retorno das férias. Mas o viver e contar, explanar, não há tempo que sobra. Nem o pó acumulado, a tempo de espanar.

E vamos acumulando... Sentimentos, dúvidas, vontades que por muitas vezes não conhecemos a fundo. Por quê? Porque não ocorreu o ócio necessário a decifrá-lo... Antes do ócio criativo (passo seguinte já na completude do ser) o ócio de Ser, do conhecimento pessoal. Conhece-te a ti mesmo, primeiro. Antes dos celulares, da “galinha pintadinha”, da Disney, dos games... O vento, o ar a respirar. Quem consegue sozinho, contigo, estar?

Pais e mães se perdem na necessidade de tudo ofertar (tamanha a competição acirrada do mundo contemporâneo). A ação está mesmo naquilo que te oferecem, nesse fazer... O que se faz é amar? Às crianças, deixai o externo. Afinal, o interno ainda não maturado e colhido está a germinar. O que temos, então, a ofertar? Habilidades, competências, fluxos desenhados, rotinas decoradas? Na infância estamos a conhecer, cresce: corpo, mente e espírito. Quando adultos, nós jamais conseguiremos ler todos os jornais, notícias, assuntos, e fazer todos os cursos que nossas habilidades poderiam nos levar. Então, na infância... Por que determinar aprendizados cognitivos, habilidades motoras, lógica de programação, assim tão cedo? Um ser precisa tocar, conhecer, entender enquanto vive o seu amadurecer. Afinal, somos eternos aprendizes. Adultos e crianças, na escola da vida.


Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br .
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