e a vida o que é diga lá meu irmão

Pensamentos transformados em palavras

Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br

O indivíduo hipermoderno, por Gilles Lipovetsky

Na era hipermoderna, nome criado pelo pensador francês Gilles Lipovetsky, o autor apresenta um mundo contemporâneo que prioriza valores do individualismo, dos problemas relacionados ao exagero, ao hiper, em todos os aspectos, desde o acesso à informação pelas diversas e incontáveis mídias até o exagero do consumismo, do prazer, do imediatismo, o que cria relacionamentos sem vínculos duradouros.


Neste momento hipermoderno, o indivíduo possui prazer no consumir. Quanto mais ele consome, mais se sente parte de uma sociedade. É uma necessidade imensa de se auto afirmar, que faz com que este indivíduo busque identidade em produtos, consumo de tecnologia, do tempo, da moda.

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Este homem hipermoderno não mantém tradicionalismo, costumes, e se tornou hipernarcisista, possui uma pobreza interna de identidade. Confunde-se o ser, no ter. Ou mesmo busca no ter a substituição do conhecer o próprio ser.

Não mais o coletivo é o que o torna parte de um grupo, de uma identidade para com os outros. A auto valorização, a busca de originalidade, de satisfação pessoal a qualquer custo o consome. Um prazer ansioso que cobre uma ansiedade maior, presente em toda a sociedade.

A necessidade de estar sempre à frente, informado, torna esse homem corroído pela ansiedade. Ele já não vive o presente. E viver, em seus pensamentos, é tornar o tempo perdido. A escassez de tempo cria um mal-estar entre a não produção e o lazer. O lazer foi substituído pelo consumo irrefreado, na ânsia de fechar um vazio dentro de si.

"A extrema valorização da autonomia e do desenvolvimento pessoal levou ao esquecimento da relação com o outro e da moralidade que deve facilitar esse convívio" (PINHEIRO, 2009).

A falta de relação do coletivo cria uma esquizofrenia de identidade com o outro, pois é através da relação com o outro, com o próximo, vivendo suas diferenças e semelhanças, que o indivíduo se reconhece.

A falta de interpretação da realidade traz dificuldade de simbolismos para este homem hipermoderno.

Gilles Lipovetsky apresenta, no mundo hipermoderno, o paradoxo. Estamos em busca de alimentos orgânicos, mas vivendo o junk food. Falamos de ambientes saudáveis e sustentáveis e as cidades vivenciam a poluição sonora e visual. Individualmente há mais problemas mentais, ansiedade, esquizofrenias e na população terrorismo, “haters”, intolerância.

Compreendemos melhor sobre o respeito à diversidade, dos direitos do consumidor, dos cidadãos, mas vivemos homofobias, ataques às religiões. Dos problemas de bulimia e anorexia à obesidade.

Somos um mundo complexo, com excesso - hipermercados, hiperlinks, hipermodernos.

«Hay tantas más representaciones alegres cuanto más monótono y pobre es lo real; la hipertrofia lúdica compensa y disimula la angustia real cotidiana. En realidad el código humorístico aspira al relajamiento de los signos y a despojarlos de cualquier gravedad; dicho código resulta el verdadero vector de democratización de los discursos mediante una desubstancialización y neutralización lúdicas» (Lipovetsky)


Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br .
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