e a vida o que é diga lá meu irmão

Pensamentos transformados em palavras

Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br

Sobre rumos e muros

Hoje, em meio a experiências humanas, encontro na palavra RUMO um misto de muros, murros, ruminar e o próprio caminhar, movimentar-se.
Não há certeza maior que o movimento. Move-se tudo aquilo que é vivo: Terra, sistema solar, os ciclos da natureza e a nossa própria vida. Tudo em constante caminhar.


Mesmo que, para alguns, pareça inerte, afinal, cada ser vivo tem o seu ciclo, seu tempo e sua maturação, a vida está sempre em movimento.

É preciso entender que cada um gira no movimento próprio da sua capacidade de entendimento, de digestão, de regurgita-ação. Afinal, o que para uns é muito acelerado, causa ânsia, vômito, em meio ao aceleramento. Para outros, o que é sereno e calmo - em um ciclo mais baixo – causa latência, inerte e se torna passivo demais.

Entender, por si só, não basta. Agir, movimentar-se, é compreender que todo fluxo que vem é necessário e intrínseco, interno, comandando o ambiente externo. Nesse puro elo sistêmico.

O nosso caminhar conjunto/solo, rápido/devagar é uma escolha, uma chave do nosso zeigteist (espírito do tempo).

E autoconhecimento, autodidata, autoajuda, interiorização são passos perceptíveis para o elo entre a sua natureza intrínseca e o movimento do ambiente externo. Foco e ação para estes acontecimentos, também são passos importantes para atuar na vertente do conhecimento interior.

Procrastinar te faz mero inconsequente e especialista em justificativas. Surgem muros, murros, ruminação, sem entender o elo entre o seu ser e o ambiente ao seu redor, criado pelo seu próprio caminhar.

Entender a sua natureza e perceber que a nossa atenção, o nosso olhar, vai ao encontro daquilo que, interiormente, por algum momento, desejamos, nos responsabiliza pelo caminho que peregrinamos.

Não há escolhas que não estejam interligadas entre o pensar/sentir/agir. E que se tornam resultados do seu desejar/colher/acolher.

É importante trazer o mindfulness (a plena atenção) para a nossa própria vida. Senão, seremos coadjuvantes dos movimentos e dos ciclos de outrem.

E uma paralisia interna choca-se ao que nós mesmos empurramos. Justificativas para a nossa inatividade tornam-se, posteriormente, o peso, a justificativa para os outros. Ruminando hoje, amanhã serão outros que ruminarão de nós mesmos. Novamente, em um ciclo de ruminações. Plantando muros de lamentações, o que colheremos?

Alguns ditados e histórias populares exemplificam, como aquela velha máxima “plantar batatas e colher chuchus”. Impossível, não é? É necessário construir, colher o caminho de uma nova maneira de pensar/sentir/agir (tríade existencial) com fins, unicamente, de obter novos resultados.

O caminho “disruptivo” mental, interno, interior, perpassa as emoções e vai para a ação para, assim, colher o que se deseja. E é com persistência em conjunto com a ação que colheremos tâmaras.

Tâmaras?

A parábola que cita quem “planta tâmaras, não colhe tâmaras”.

Afinal, antigamente as tâmaras levavam de 80 a 100 anos para produzir seus primeiros frutos. Ainda que não as colhesse, importa compreendermos o que plantamos.

E, sem a ação do cuidado, nato, cheio de presente, não existirão amanhãs de uma colheita precisa, maturada. Justificarmos erros, faltas, em muros, em ciclos externos, permeando nossa inatividade perante os obstáculos só causa frustração. A fala do indivíduo que não segue o seu fruir, que não é protagonista da própria vida.

Afinal, todo muro foi ali construído.

Algumas vezes à base de murros, outras ruminando.

Compreender que caminhar e carregar dentro de si o entendimento do seu zeigeist, do seu espírito e do seu ciclo, contribuirá para encontrar o seu prumo, o seu rumo.

E não é o movimento do mar que leva o barco.

Salvo engano, quando o pescador está dormindo.

Então, que estejamos acordados, atentos, agindo.

Então, que derrubemos muros, murros, ruminações e frustrações que nada contribuem no nosso caminhar.

É importante fruir, energizar e vitalizar.

Não é no ambiente externo que encontramos o movimento necessário para a mudança. Ajustemos as velas.

A mudança é uma constante.

É primordial sabermos, caminhantes, se estamos acordados e conhecermos o nosso ritmo, o nosso fruir. A nossa natureza.


Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br .
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