e a vida o que é diga lá meu irmão

Pensamentos transformados em palavras

Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br

A série "Se eu não tivesse te conhecido" e o jornalista Rafael Henzel: a morte e os universos paralelos

A relação da série com o caso do André Henzel, jornalista esportivo, que sobreviveu à queda do avião com os jogadores Chapecoenses, em 29 de novembro de 2016, se faz pelo nome do livro que Rafael escreveu após essa experiência de quase morte.


Se_eu_não_tivesse_te_conhecido2.jpgA nova série do Netflix, "Se eu não tivesse te conhecido", baseado na ideia original do famoso dramaturgo catalão Sergi Belbel, apresenta um enredo sobre um empresário de meia-idade, Eduard, que não deseja emprestar seu carro para a mulher e os dois filhos para irem à escola.

Acontece um acidente que leva à morte todos os três e o protagonista, se sentindo culpado, pensa em tirar a própria vida.

Desolado, Eduard encontra uma cientista que sugere a vivência em universos paralelos, por meio de um portal, no qual ele poderá rever sua esposa e filhos.

A vida dos personagens toma um rumo diferente conforme cada atitude acontece nessas histórias em universos paralelos.

A série, que trabalha a ficção científica com boa dose de romantismo, nos apresenta a infelicidade do morno viver da rotina, e que anestesiada pelo fazer sem sentido, desmantela o emocional que pulsa a vida do protagonista.

É interessante ver Eduard tentar sucumbir sua dor da tragédia, tão humana, tão intensa e casual, com a busca de retirar a sua própria existência do enredo, do elixir da vida, do amor.

Ao perceber que, ao viver sabendo que é o último dia da sua vida, cada presença, cada abraço, cada palavra de incentivo a outrem ganha cor, gosto, sabor. Percebe-se o quanto desgastamos as relações em rotinas de trabalho, fazer laboral sem sentido? Em viver de maneira divergente ao que se tem desejo?

E, esse fazer com amor, constrói, também, inovações e pesquisas, resultado do amor ao trabalho. A cientista da trama torna-se essa pessoa que apresenta o amor pelo fazer, em contraponto a atividade infeliz do empresário (tanto do trabalho quanto da rotina familiar) que, sem sensação de pulsionar a vida, trata a sua própria existência como desnecessária, valorizando o bem material: seu carro.

A relação da série com o caso do André Henzel, jornalista esportivo, que sobreviveu à queda do avião com os jogadores Chapecoenses, em 29 de novembro de 2016, se faz pelo nome do livro que Rafael escreveu após essa experiência de quase morte.

O livro chama-se Viva como se estivesse de partida.

Rafael, que já vivia de maneira entusiasmada seu trabalho como radialista, jornalista e apaixonado pelo time de futebol, estendeu essa motivação para a vida, pelo próprio viver. E buscou, escrevendo o livro, motivar outras pessoas.

Em um momento de diversão com os amigos, no dia 26 de março de 2019, menos de três anos depois, sofreu um infarto e veio à óbito.

A oportunidade de viver a vida intensamente com quem amamos e de maneira construtiva é a motivação intrínseca das pessoas felizes. O que não significa que todos os dias o são. A questão é dar sentido aquilo que se faz, aonde se está e como se age.

Seja por meio do seu labor, da sua família, encontre aquilo que pulsa-te vida.

A condição de culpa, tal qual o protagonista da série, poderá ser menor. Não menor que a dor de tragédias e causalidades humanas. Mas, lembrar que a vida é um sopro te fará viver intensamente o presente, a realidade que habita.

Sem desejar, assim, universos paralelos.


Júlia Scheibel

Mãe do João, publicitária, poetisa mestre em comunicação. Atua em comunicação organizacional. Conheça mais em: www.juliascheibel.com.br .
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